A MASSIFICAÇÃO DA EDUCAÇÃOATRAVÉS DO EAD, PLATAFORMAS E MATERIAIS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO

 

 

A MASSIFICAÇÃO DA EDUCAÇÃOATRAVÉS DO EAD, PLATAFORMAS E MATERIAIS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO

DENER JOSÉ DATTI

 

THE MASSIFICATION OF EDUCATION THROUGH EAD, PLATFORMS AND DIGITAL MATERIALS IN EDUCATION

DENER JOSÉ DATTI

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS 2024

RESUMO

 

Contextualização: Esse trabalho surgiu da necessidade de analisar criticamente o avanço e o excesso das tecnologias educacionais na educação brasileira.

 

Problema: O uso excessivo e inadequado de tecnologias educacionais na educação básica, especialmente a Educação a Distância (EAD), compromete o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. A ênfase excessiva nas plataformas digitais ameaça o papel fundamental do professor, o aprendizado presencial de habilidades essenciais (como a escrita), e o relacionamento social na escola. Além disso, favorece a mercantilização da educação e expõe os estudantes ao risco de vício em jogos eletrônicos e à influência de monopólios no setor educacional, enfraquecendo a qualidade e o propósito da educação presencial.

 

Objetivo: Conscientizar os profissionais da educação sobre os riscos da implementação excessiva de tecnologias digitais na educação básica, promovendo uma reflexão crítica sobre o equilíbrio entre o ensino presencial e digital, com foco no desenvolvimento integral dos alunos e na redução da influência de monopólios das grandes corporações digitais no ambiente escolar.

 

Metodologia: Esta pesquisa utiliza uma abordagem qualitativa, baseada em revisão bibliográfica de artigos científicos, livros de pedagogia e psicologia, e teorias de desenvolvimento infantil. As fontes incluem especialistas renomados, como Gardner, Vygotsky e Piaget, com foco nas implicações do uso da escrita física e das interações sociais no desenvolvimento integral da criança. A análise crítica correlaciona essas teorias com questões práticas, sintetizando-as em um referencial teórico coeso e discutindo as implicações para a educação básica.

                      

Conclusão: A educação básica deve priorizar o desenvolvimento da escrita física, do raciocínio lógico e das interações humanas, resistindo ao predomínio do ensino a distância e ao comércio de plataformas digitais. A tecnologia deve ser uma ferramenta auxiliar, e não central, para garantir a educação integral das crianças. É essencial sensibilizar os educadores e responsabilizar os governos pela proteção da essência da educação.

Palavras-chave: Dependência. Jogos Eletrônicos. Internet. Mídias Sociais. Educação Infantil. Pedagogia. Coordenação Pedagógica. Educação. Saúde. Supervisão Educacional. EAD. Uso educacional da Internet. Jogos Educativos. Políticas Públicas EAD. MEC. Bill Gates. Google. Internet. Educação.

ABSTRACT

 

Contextualization: This work arose from the need to critically analyze the advancement and excess of educational technologies in Brazilian education.

 

Problem: The excessive and inappropriate use of educational technologies in basic education, especially Distance Education (EAD), compromises the integral development of children and adolescents. Excessive emphasis on digital platforms threatens the fundamental role of the teacher, the in-person learning of essential skills (such as writing), and social relationships at school. Furthermore, it favors the commodification of education and exposes students to the risk of addiction to electronic games and the influence of monopolies in the educational sector, weakening the quality and purpose of face-to-face education.

 

Objective: To raise awareness among education professionals about the risks of excessive implementation of digital technologies in basic education, promoting critical reflection on the balance between face-to-face and digital teaching, with a focus on the integral development of students and reducing the influence of large monopolies digital corporations in the school environment.                                                                                                                            

 

Methodology: This research uses a qualitative approach, based on a bibliographical review of scientific articles, pedagogy and psychology books, and child development theories. Sources include renowned experts such as Gardner, Vygotsky and Piaget, focusing on the implications of using physical writing and social interactions for a child's integral development. Critical analysis correlates these theories with practical issues, synthesizing them into a cohesive theoretical framework and discussing the implications for basic education. 

 

Conclusion: Basic education must prioritize the development of physical writing, logical reasoning and human interactions, resisting the predominance of distance learning and the commerce of digital platforms. Technology should be an auxiliary tool, not a central one, to guarantee the integral education of children. It is essential to raise awareness among educators and hold governments accountable to protect the essence of education.

 

Keywords: Addiction. Electronic Games. Internet. Social Media. Early Childhood Education. Pedagogy. Pedagogical Coordination. Education. Health. Educational Supervision. EAD. Educational use of the Internet. Educational Games. EAD Public Policies. MEC. Bill Gates. Google. Internet. Education.

SUMÁRIO

 

RESUMO.. 1

ABSTRACT. 2

INTRODUÇÃO.. 4

REFERENCIAL TEÓRICO: 11

A Escrita Física À Mão Desenvolve O Cérebro, 11

A Arte, A Percepção E A Inteligência Múltipla. 11

O Papel Da Escola E Da Educação Presencial: 12

Principais Funções Das Brincadeiras Infantis E A Importância Da Criança Brincar E Se Afastar Dos Meios Eletrônicos. 12

A Teoria Das Inteligências Múltiplas De Howard Gardner: 12

Psicólogos, Pedagogos E Cientistas Renomados Enfatizam A Importância Da Educação Presencial, Da Psicomotricidade, Da Escrita Física E Da Interatividade Com Outras Crianças Na Educação  14

DESENVOLVIMENTO.. 18

Médicos, Pediatras, Psicólogos e Especialistas Alertam Sobre Vício Em Meios Eletrônicos e Internet 18

Hospitais No Mundo Inteiro Já Atendem Problemas Psiquiátricos Causados Por Vício Em Internet 25

Educação EAD e Monopólios: Uma Análise Crítica do Cenário Atual 31

PROJETO DE LEI  2497, DE 2021 (Da Sra. LUISA CANZIANI) 42

METODOLOGIA DE PESQUISA. 43

Etapas da Pesquisa. 43

Etapas da Pesquisa. 45

PESQUISA: A MUDANÇA COMPORTAMENTAL DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES DEVIDO À INTERNET, JOGOS E MEIOS ELETRÔNICOS.. 46

PESQUISA: 47

RELATÓRIO DE LIVROS LIDOS. ELEFANTE LETRADO.. 52

RELATÓRIO DA PLATAFORMA DE MATEMÁTICA. MATIFIC.. 52

ANÁLISES SOBRE O MOMENTO ATUAL. 54

CONCLUSÃO.. 56

REFERÊNCIAS.. 61

 

 

INTRODUÇÃO

 

Objetivo: Conscientizar os profissionais da educação sobre os riscos da implementação excessiva de tecnologias digitais na educação básica, promovendo uma reflexão crítica sobre o equilíbrio entre o ensino presencial e digital, com foco no desenvolvimento integral dos alunos e na redução da influência de monopólios das grandes corporações digitais no ambiente escolar.

Contextualização: O EAD no Brasil foi regulamentado em 1999, conforme o portal do MEC:

 

De acordo com o Art. 2º do Decreto n.º 2494/98, "os cursos a distância que conferem certificado ou diploma de conclusão do ensino fundamental para jovens e adultos,  do ensino médio, da educação profissional e de graduação serão oferecidos por instituições públicas ou privadas especificamente credenciadas para esse fim (...)".  (Portal do MEC).

 

Em 2005, o decreto 5.622 regulamentou o EAD para cursos universitários no Brasil, com cursos de graduação reconhecidos pelo MEC. Posteriormente o Ministério da Educação criou o projeto Universidade Aberta do Brasil (UAB).

 

2007 foi idealizado o programa e-Tec Brasil, regulamentado em 2009, cursos EAD para nível técnico. Em 2010 o MEC regulamentou cursos EAD na área da saúde.

 

A Portaria Nº 1.134, de 10 de outubro de 2016 regulamentou a oferta EAD para cursos presenciais e o Decreto Nº 9.057, de 25 de maio de 2017 regulamentou o artigo 80 da Lei nº 9.394/1996, estabelecendo normas para a oferta de educação na modalidade a distância (EaD) em diferentes níveis, incluindo educação básica, técnica, profissional, graduação e pós-graduação.

 

A partir de 2023 foi implementada a Lei de Política Nacional de Educação Digital, lei 14.533, lei que obriga a educação digital na educação básica, alterando a LDB, determinando no (Art. 2º, VI) a universalização da conectividade das escolas à internet de alta velocidade e o fornecimento de equipamentos adequados. Também exige o desenvolvimento de plataformas digitais educacionais e repositórios de conteúdo. No (Art. 3º) a lei integra o uso de ferramentas digitais para letramento digital, programação, robótica e pensamento computacional nos ambientes escolares e prevê o uso de ferramentas de autodiagnóstico e plataformas educacionais para profissionais e estudantes.

Em paralelo, governos estaduais começaram a fazer exigências de plataformas educacionais na educação básica, a exemplo do Estado de São Paulo e  Paraná, gerando protestos de professores de educação básica e várias críticas:

 

Professores fazem mobilização contra uso de plataformas digitais em SP.

Os professores da rede pública estadual de São Paulo fazem a partir de segunda-feira (13) uma mobilização contra as plataformas digitais nas escolas. No ano passado, o governo estadual implementou um sistema de ensino baseado em aplicativos, com conteúdo e atividades pré-estabelecidas. (...) Os professores da rede pública estadual de São Paulo fazem a partir de segunda-feira (13) uma mobilização contra as plataformas digitais nas escolas. No ano passado, o governo estadual implementou um sistema de ensino baseado em aplicativos, com conteúdo e atividades pré-estabelecidas.

                                                   (Daniel Mello – Agência Brasil, 2024).

 

No estado do Paraná também ocorreram vários protestos:

 

“Não estamos dando aulas, apenas preenchendo plataformas', afirmam professores da rede pública do Paraná”. (Mayala Fernandes – Brasil de Fato, 2024).

 

Em 2023 o sindicato APP do Paraná fez uma pesquisa que revelou que:

 

Para 83% dos(as) professores(as), plataformas digitais não melhoraram aprendizado de estudantes no Paraná. Dados exclusivos da pesquisa Plataformização da Educação refletem estudos internacionais sobre os riscos do uso excessivo de tecnologias em sala de aula.

Os dados são da pesquisa “Plataformização da Educação”, realizada pela APP-Sindicato e o Instituto IPO em julho deste ano com educadores(as) de todo o estado. A percepção dos(as) professores(as) da rede encontra eco no relatório “Tecnologia na educação: uma ferramenta a serviço de quem?”, publicado pela Unesco, que aponta prejuízos à aprendizagem advindos do uso excessivo de tecnologias na sala de aula.

                                                                          (APP Sindicato, 2023).

 

Em 5 de julho de 2024 a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou o EAD para a educação básica, aprovando o Projeto de Lei (PL) 2.497/21, que permite o ensino híbrido na educação infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental, nos anos finais e no ensino médio.

 

E é nesse contexto que esse trabalho é desenvolvido, com foco nos riscos pelo excesso das tecnologias educacionais principalmente na educação infantil e básica, o que a própria UNESCO faz um alerta. O Relatório Global de Monitoramento da Educação 2023, publicado pela UNESCO em 26 de julho, aborda o impacto da tecnologia na educação e levanta preocupações sobre o uso excessivo e intensivo das ferramentas digitais nas salas de aula.

 

No artigo da Escola de Medicina e Saúde Pública Bahiana de Paula Fernanda Lima Ribeiro, a autora apresenta uma pesquisa sobre a consequência do uso abusivo de internet na saúde mental das crianças e adolescentes.

 

Portanto, é necessária a monitorização do tempo de exposição a tela, promovendo um uso mais seguro e crítico da internet e prevenindo eventos adversos ligados às tecnologias. Contudo, mais estudos são necessários, principalmente entre a população brasileira. (...)

Quando ocorre o uso precoce, excessivo e prolongado da internet, jogos online ou redes sociais durante a infância, isso acarreta efeitos em longo prazo e prejuízos à saúde mental, psicológica e cognitiva. Embora a internet, os avanços tecnológicos e redes sociais tenham facilitado o acesso à comunicação e a busca de informações, além de se tornarem uma importante ferramenta de contato social, a exposição excessiva aos ambientes digitais pode se tornar problemática, trazendo consequências para o bem-estar e a saúde dos usuários (Ribeiro, 2022, p. 6).

 

No artigo de Ketlen S. Pereira e Roger G. Rodrigues, intitulado: “IMPACTOS DO USO DE TELAS NA SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: Uma Revisão Bibliográfica”, os autores alertam sobre os excessos do uso de tela na saúde de crianças e adolescentes.

 

Segundo pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP, 2016) o uso prematuro e em excesso das telas como jogos online, redes sociais, plataformas de filmes e vídeos na Internet pode causar prejuízos de socialização e cognição; transtornos mentais, aumento de ansiedade, violência, cyberbullying, transtornos de sono e alimentação, sedentarismo, problemas auditivos, visuais, posturais e lesões por esforço repetitivo.

                                                                   (Pereira. Rodrigues. 2024).

 

O crescente vício em internet e meios eletrônicos preocupa especialistas, como apontado em estudos que associam o uso excessivo da internet a problemas de relacionamento, isolamento social e queda no desempenho acadêmico (Pirocca, 2012; Brezing, 2010). Segundo Abreu (2013), jogos eletrônicos são a principal causa da dependência entre adolescentes do sexo masculino, acentuando a necessidade de uma análise crítica sobre o avanço das tecnologias educacionais. Os autores abordam a questão do vício, embora o vício seja um problema para algumas pessoas, isso não significa que a internet ou tecnologias educacionais sejam as culpadas para todos os usuários.

A questão da citação do vício em internet nesse trabalho tem o objetivo de destacar a importância de um olhar mais cauteloso ao excesso do uso de plataformas educacionais na educação e o chamado ensino híbrido, autorizado recentemente, o que vem crescendo no Brasil.

 

Problema: A problemática central é a substituição do ensino presencial e da interação professor-aluno pelo uso excessivo de plataformas digitais, impulsionado por legislações como a Lei 14.523/2023, que impõem a educação digital na educação básica. Esse modelo ameaça desvalorizar o papel do professor, comprometer a qualidade do ensino e afetar o desenvolvimento social e acadêmico dos estudantes. Além disso, o uso excessivo de tecnologias traz riscos de dependência digital, com impactos negativos na saúde e no desempenho escolar de crianças e adolescentes. A imposição desse modelo tem gerado protestos de educadores, que defendem uma educação humanizada e equilibrada.

 

Este trabalho reflete sobre a transformação na educação básica no Brasil, com a introdução de legislações para o ensino híbrido e EAD, com foco na educação infantil e básica, como a Lei 14.523/2023, que incentiva o ensino digital e o modelo híbrido. No entanto, esse cenário levanta questões sobre os riscos do EAD e das plataformas digitais, especialmente devido ao aumento do vício em jogos e à substituição de práticas tradicionais. A pesquisa destaca a importância da educação presencial para o desenvolvimento integral dos alunos, enquanto explora o papel de monopólios que visam comercializar a educação.

 

Com exemplos de protestos de professores no Brasil contra o uso excessivo de ferramentas digitais, o estudo propõe uma reflexão sobre os limites éticos e educacionais do uso da tecnologia, essencial para preservar o desenvolvimento de habilidades fundamentais e a interação social dos estudantes.

 

O projeto de pesquisa "A Massificação da Educação Através do EAD" analisa o aumento do uso da educação a distância no Brasil, impulsionado por investimentos do Governo Federal e parcerias estaduais e municipais. Esse movimento, ao substituir professores e estruturas físicas por plataformas digitais, tem a premissa de inclusão de difusão do ensino híbrido, mas gera preocupações quanto à qualidade educacional, à homogeneização do pensamento e ao favorecimento de interesses comerciais. A pesquisa questiona se essa transição realmente representa um avanço ou se compromete a diversidade pedagógica e o ensino tradicional.

O movimento de expansão da educação a distância (EAD) no Brasil iniciou-se com o decreto nº 2.494 de 1998, e ganhou força em 2010, quando o Governo Federal incentivou a expansão de faculdades privadas por meio de programas como FIES e PROUNI, além da PEC 217/2003, que permitiu cobrança de taxas em universidades públicas. Segundo Chaves (2016), o financiamento público ao setor privado através do FIES resultou em um crescimento maior das matrículas no setor privado que no público, com R$ 16,5 bilhões investidos em 2015. Além disso, o Projeto de Lei 2979/20 permite ensino à distância no ensino fundamental e médio, enquanto parcerias com grandes empresas de tecnologia têm aumentado o uso do EAD. Durante a pandemia, observou-se uma perda de habilidades básicas entre crianças fora da escola, incluindo escrita e habilidades sociais, segundo o UNICEF (2022).

 

Pode-se afirmar que o grande volume de recursos associados ao FIES e ao ProUni que se dirigem às instituições privadas contribuiu de forma fundamental para que o quantitativo de matrículas continuasse a aumentar mais no setor privado que no público. No ano de 2015, o total de recursos associados aos dois programas atingiu R$ 16,5 bilhões, significando em torno de 15% dos recursos empenhados pelo governo federal na Função Educação, valor significativo, em face dos R$ 12 bilhões de complementação ao Fundeb, realizado pela União. (Chaves, 2016).

 

A pandemia revelou que crianças perderam a prática de escrita: a pandemia revelou que as crianças fora da escola perderam significativamente a prática de escrita e a capacidade de se relacionar com outras crianças e com adultos.

 

“Crianças perderam habilidades básicas de aritmética e alfabetização. Globalmente, a interrupção da educação significou que milhões de crianças perderam consideravelmente o aprendizado que teriam adquirido se estivessem na sala de aula, com crianças mais novas e vulneráveis enfrentando a maior perda.” (UNICEF, 2022).

 

Metodologia: Esta pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em revisão bibliográfica de artigos científicos, livros de pedagogia, psicologia e medicina, com foco nas implicações do ensino presencial e do uso excessivo de meios eletrônicos para o desenvolvimento infantil. As fontes incluem autores renomados como Gardner, Vygotsky e Piaget, enfatizando a importância do contato direto entre crianças, professores e outros adultos ao longo da educação básica (do 1º ano do fundamental I ao 3º ano do ensino médio). A análise correlaciona essas teorias com dados práticos, sintetizando-as em um referencial teórico que destaca os impactos negativos do uso excessivo de tecnologias digitais na saúde e na formação social e acadêmica de crianças e adolescentes. A pesquisa discute, ainda, a necessidade de cautela e conscientização quanto à adoção dessas tecnologias e avalia a falta de uma política governamental adequada sobre o tema.

 

Conclusão: O trabalho conclui que o uso excessivo de tecnologias na educação básica, impulsionado por interesses comerciais tanto nacionais quanto internacionais, compromete o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes. Embora a tecnologia seja uma ferramenta positiva quando usada adequadamente, a educação presencial deve ser priorizada, pois é fundamental para o desenvolvimento da escrita física, do raciocínio lógico e das interações sociais. A recente Lei nº 14.533, que prioriza a educação digital, representa um risco à essência do ensino básico, que deve focar nas habilidades cognitivas e emocionais essenciais para a formação plena dos alunos. A conscientização de pais, educadores e governantes é crucial para evitar a flexibilização excessiva do ensino a distância e garantir que a educação presencial, que promove a aprendizagem integral, seja valorizada e preservada. O futuro da educação deve equilibrar tecnologia e contato humano, preservando a qualidade do aprendizado.

REFERENCIAL TEÓRICO:

 

A Escrita Física À Mão Desenvolve O Cérebro,

A Arte, A Percepção E A Inteligência Múltipla

 

Na escola muitas descobertas são feitas, há aprendizagem, muitas amizades são construídas, sendo assim, a instituição de ensino é um ponto de apoio para o crescimento humano, onde se aprende conteúdos, estimula o desenvolvimento social, colocam-se virtudes em prática, aprende-se a trabalhar em equipe, desenvolve empatia, entre outros (SESI/MG, 2019). Na escola, a educação é realizada além dos limites da educação formal, pois abrange também o desenvolvimento social e aprimora habilidades e competências. (SOUSA, 2022).

 

A escola ainda possibilita a oportunidade de convivência com diferentes pessoas e essa interação com indivíduos fora do núcleo familiar ensina que a sociedade vai muito além dos limites domiciliares e que o respeito deve ser para todos, sem qualquer distinção (SESI/MG, 2019). Atualmente, vem aumentando o número de matrículas de alunos com deficiências e transtornos globais em classes regulares de todas as etapas da Educação Básica, o que é importante para desenvolver uma cultura de aceitação e acolhimento por parte de todos (CARVALHO, 2021), onde o aluno com necessidades especiais é estimulado e os demais têm oportunidades de vencer barreiras e preconceitos (MACIEL, 2019). (Suppi, 2023).

 

De acordo com (suppi, 2023) a escola física é importantíssima na construção educacional da criança e do adolescente. Não só pela parte pedagógica, didática, mas também pelas interações, pelo convívio e pelo desenvolvimento socioemocional. A construção do conhecimento no espaço físico em contato com outras crianças e adultos é primordial para a construção do ser, do conhecimento, da sociabilidade, da interação social, da disciplina, do respeito à diversidade, da criatividade, da percepção do universo ao seu redor, da construção da cidadania.

O Papel Da Escola E Da Educação Presencial:

Principais Funções Das Brincadeiras Infantis E A Importância Da Criança Brincar E Se Afastar Dos Meios Eletrônicos

 

Howard Gardner, em sua teoria das inteligências múltiplas, propõe que existem diferentes tipos de inteligência, cada inteligência relacionada com modos específicos de interação com o mundo. Gardner defende que a escola e a educação precisam desenvolver todas essas inteligências. De acordo com Gardner, o espaço físico, a noção espacial, o falar, o ouvir, o relacionar-se, o interagir, o contato com o outro, todos esses fatores juntos são primordiais e essenciais para o desenvolvimento dessas inteligências.

 

A Teoria Das Inteligências Múltiplas De Howard Gardner:

 

A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS de HOWARD GARDNER propõe que existem vários tipos de inteligência, não apenas um único tipo geral. Aqui estão os oito tipos de inteligência de acordo com sua teoria:

 

Inteligência Linguística: É o desenvolvimento da linguagem, da fala, da contextualização, do discernimento, da escrita e da leitura, dos símbolos.

Inteligência Lógico-Matemática: É o desenvolvimento da inteligência lógica, de cálculos, de dedução, da matemática, da lógica na sua essência, na lógica do entendimento das coisas, dos acontecimentos e da vida.

Inteligência Espacial: É o desenvolvimento da capacidade de perceber o espaço em sua volta, de perceber o outro, de perceber o espaço em sua volta e de se perceber fisicamente dentro de seu espaço.

Inteligência Corporal-Cinestésica: É o desenvolvimento da coordenação motora, da pulsação, da dança, do ritmo, da coordenação motora com outras pessoas, da interatividade.

Inteligência Musical: É o desenvolvimento da sensibilidade e habilidade com ritmo, do canto, da entonação vocal, da audição para a música, da percepção musical, dos sentidos em relação à música, do tom e melodia.

Inteligência Interpessoal: Capacidade de entender e se relacionar com outras pessoas. De interagir com o outro, de respeitar, de se fazer respeitar, de reivindicar, de aceitar o outro. É o desenvolvimento dentro da escola, em contato e em relacionamentos com outras crianças e pessoas.

Inteligência Intrapessoal: Autoconhecimento e compreensão emocional. É a consciência de seus próprios sentimentos, de suas motivações e metas.

Inteligência Naturalista: Sensibilidade e conexão com o mundo natural, da sensibilidade com a natureza, do respeito e do entendimento da natureza.

 

Gardner mostra que a criança necessita do contato pessoal, bem como da escrita física e das brincadeiras motoras para se desenvolver. Gardner apresenta cientificamente a necessidade e a importância do desenvolvimento da escrita física como parte da motricidade na criança.

Howard Gardner apresentou a Teoria das Inteligências Múltiplas em seu livro "Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences," publicado em 1983. Nesse trabalho, ele propôs que existem diferentes tipos de inteligência, desafiando a visão tradicional de que a inteligência é uma única capacidade mensurável. (Gardner, 1983).

 

Gardner propôs alguns princípios básicos para embasar seu conceito de inteligência. Segundo ele, as inteligências podemser estimuladas a partir do contexto  social,  da  escola  e  realizando atividades diferentes do habitual; todo indivíduo nasce com alguns tipos de inteligência, as quais podem se combinar e se desenvolverem com o passar do tempo; inteligência como habilidade de criar,  inventar  e  descobrir  as  coisas  de  diferentes  perspectivas;  inteligência  como  capacidade resolver  problemas  diante  de  um  contexto  cultural,  buscando  melhores  caminhos  diante  de dificuldades,  levando  o  indivíduo  a  tomar  decisões  corretas  [2,  4,  5].  Além disso, ao aplicar a teoria das IM na escola, alguns pontos devem ser levados em conta. (Souza. Sitko, 2022).

 

Psicólogos, Pedagogos E Cientistas Renomados Enfatizam A Importância Da Educação Presencial, Da Psicomotricidade, Da Escrita Física E Da Interatividade Com Outras Crianças Na Educação

 

Vários psicólogos e pedagogos renomados defendem a importância da interação social e do relacionamento afetivo na infância, bem como a necessidade de habilidades de leitura, escrita e interação na escola. Esses especialistas renomados escreveram livros e artigos enfatizando a importância dos relacionamentos socioemocionais na escola, do contato, da interação, da vida escolar, do contato com o material escolar (físico), da importância do desenvolvimento da criança e do adolescente na escola, em contato com crianças, adolescentes, professores e adultos. Henri Wallon aborda o desenvolvimento da psicomotricidade, especialmente no contexto escolar, em sua obra "A Evolução da Psicologia da Criança". Vygotsky também fala da importância da interação e das brincadeiras como correr, pular, brincadeiras com bola, interações, tudo isso para o desenvolvimento da criança.

Diversos especialistas abordam a necessidade da escola física na formação do indivíduo, principalmente na fase dos anos iniciais até o início da vida adulta, que percorre o período de toda a educação básica.

 Dentre esses maiores nomes da psicologia, pedagogia e áreas correlatas estão:

 

LEV VYGOTSKY: Um dos principais teóricos do desenvolvimento infantil, Vygotsky enfatizou a importância da interação social e do aprendizado colaborativo na construção do conhecimento. Ele destacou a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), onde as crianças aprendem melhor com a orientação de adultos e colegas mais experientes. (Vygotsky, 1934).

 

JEAN PIAGET: Piaget é conhecido por sua teoria do desenvolvimento cognitivo, em sua obra “A Linguagem E O Pensamento Da Criança”, Piaget enfatiza a importância da interação da criança com o ambiente físico e social para a construção do conhecimento. Ele argumentou que o jogo e a interação social desempenham um papel crucial no desenvolvimento da inteligência. (Piaget, 1923).

 

JOHN DEWEY: Dewey foi um filósofo, psicólogo e educador cujas ideias influenciaram profundamente a pedagogia moderna. Em sua obra “A Escola E A Sociedade” ele mostra que a educação deveria ser centrada no aluno e baseada na experiência prática e na interação social. Ele defendeu uma abordagem hands-on para o aprendizado, enfatizando a importância do engajamento ativo do aluno na construção do conhecimento. (Dewey, 1899).

 

MARIA MONTESSORI: Montessori foi uma médica e educadora italiana, conhecida por seu método educacional inovador, que enfatiza a importância do ambiente preparado e do aprendizado autodirigido. Em seu método, conhecido como “O Método Montessori” ela valorizava a interação social e a colaboração entre os alunos, bem como o desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita e matemática desde a infância. (Montessori, 1912).

 

JEROME BRUNER: Bruner foi um psicólogo cognitivo conhecido por suas contribuições para a teoria da aprendizagem. Na obra “A Formação Da Educação” Bruner enfatizou a importância da narrativa e da interação social na construção do conhecimento, argumentando que as crianças aprendem melhor quando estão envolvidas em atividades significativas e socialmente relevantes. (Bruner, 1966).

 

ERIK ERIKSON: Psicanalista conhecido por sua teoria do desenvolvimento psicossocial, em sua obra “Infância E Sociedade” Erikson enfatiza a importância dos relacionamentos interpessoais saudáveis na infância para o desenvolvimento de uma identidade positiva. (Erikson, 1950).

 

URIE BRONFENBRENNER: Psicólogo do desenvolvimento conhecido pela sua teoria dos sistemas ecológicos, na obra “O Desenvolvimento Da Criança Na Comunidade” Bronfenbrenner destacou a influência do ambiente social, incluindo família, escola e comunidade, no desenvolvimento da criança. (Bronfenbrenner, 1979).

 

ALBERT BANDURA: Psicólogo conhecido por sua obra “A Teoria Da Aprendizagem Social”, Bandura argumenta que as crianças aprendem observando o comportamento de outras pessoas e que a interação social desempenha um papel crucial no desenvolvimento cognitivo e social. (Bandura, 1977).

 

CAROL DWECK: Psicóloga conhecida por suas pesquisas sobre mentalidade (mindset), na obra "Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso" Dweck enfatizou a importância de promover uma mentalidade de crescimento nas crianças, onde elas veem o esforço e a aprendizagem como fundamentais para o sucesso, e isso muitas vezes é cultivado através de interações sociais e relacionamentos positivos. (Dweck, 2006).

 

PAULO FREIRE: Freire é conhecido por sua abordagem pedagógica centrada no aluno e na conscientização, trabalhando a interação na sala de aula e a importância da aula presencial. (Freire, 1968).

 

LEA PULKKINEN: Psicóloga do desenvolvimento conhecida por seus estudos longitudinais sobre o desenvolvimento humano, Pulkkinen destacou a importância dos relacionamentos afetivos na infância para o desenvolvimento emocional e social ao longo da vida. (PULKKINEN, 1996).

 

LEILA CURY TARDIVO: Cury Tardivo, uma psicóloga brasileira, trabalhou extensivamente com crianças e adolescentes em contextos educacionais e clínicos. Ela advogou pela utilização da escrita e de técnicas interativas como ferramentas terapêuticas e de auto expressão para auxiliar no desenvolvimento emocional e no enfrentamento de dificuldades psicológicas. (Tardivo, 2022).

 

DONALD WINNICOTT: Winnicott, um psicanalista britânico, desenvolveu teorias sobre o desenvolvimento emocional e a relação mãe-bebê. Ele via a brincadeira e a comunicação simbólica, incluindo a escrita e o desenho, como formas essenciais de expressão e de construção de identidade para crianças e adolescentes. (WINNICOTT, 1971).

 

ANNA FREUD: Freud, filha de Sigmund Freud, foi uma psicanalista austríaca que contribuiu significativamente para a compreensão do desenvolvimento infantil. Ela reconhecia a importância da expressão criativa e da comunicação para o bem-estar psicológico das crianças e adolescentes, defendendo a escrita e outras formas de expressão como meios terapêuticos. (Freud, A., 1936).

SIGMUND FREUD: enfatizava a importância da comunicação verbal na terapia psicanalítica. FREUD reconhecia o papel da linguagem escrita como uma forma de expressão simbólica. Na psicanálise, a interpretação dos sonhos, por exemplo, muitas vezes envolve análise simbólica de elementos escritos ou lidos nos sonhos do paciente. Freud também explorou a importância da escrita em suas próprias obras, utilizando a palavra escrita como uma ferramenta para expressar suas teorias e insights sobre a mente humana.

FREUD destacava que os seres humanos possuem vínculos emocionais significativos e precisam da presença para o aprendizado. Ele apresenta isso em sua TEORIA DAS RELAÇÕES OBJETAIS, onde Freud desenvolveu a teoria das relações objetais, que descreve como os seres humanos desenvolvem vínculos emocionais com os outros desde a infância. Ele argumentava que os primeiros relacionamentos, especialmente com os cuidadores primários, moldam a maneira como uma pessoa interage com o mundo ao longo da vida.

 

FREUD em sua obra demonstra que as crianças desenvolvem a cognição através do contato e do exemplo, coisa que as plataformas educacionais não oferecem.

Obras de Freud que apresentam a importância do contato físico, verbal e dos símbolos, como a escrita física: "Além do Princípio do Prazer" (1920), "O Ego e o Id" (1923), "Introdução ao Narcisismo" (1914) e "Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade" (1905).  Transferência e contratransferência: Freud introduziu os conceitos de transferência e contratransferência na psicanálise para descrever as maneiras pelas quais os pacientes e os terapeutas se relacionam entre si durante o processo terapêutico. Ele reconhecia que a relação terapêutica, baseada na interação e na comunicação entre terapeuta e paciente, era essencial para o sucesso do tratamento.

Grupo e sociedade: Embora FREUD tenha se concentrado principalmente na análise individual, ele reconhecia que os seres humanos são seres sociais e que as relações sociais desempenham um papel importante em suas vidas. Ele abordou questões sociais e culturais em várias de suas obras, explorando como as normas e expectativas sociais influenciam o comportamento humano. (Freud).

Além de FREUD e de todos os maiores nomes da pedagogia e psicologia apresentados, ainda temos Jung.

 

CARL GUSTAV JUNG: A escrita como uma forma de autoexpressão: Jung via a escrita como uma ferramenta poderosa para a auto expressão e a exploração do inconsciente. Ele frequentemente incentivava seus pacientes a manterem diários ou a escreverem sobre seus sonhos e fantasias como parte de seu processo terapêutico. Jung acreditava que a escrita poderia ajudar as pessoas a acessarem conteúdos inconscientes e a compreenderem melhor a si mesmos.

Jung enfatizava a importância da autorreflexão e do autoconhecimento no processo de individuação, ou seja, no desenvolvimento do self mais completo e integrado. Ele via a escrita como uma ferramenta útil para esse fim, permitindo que as pessoas explorassem seus próprios pensamentos, sentimentos e experiências de uma maneira mais profunda e consciente.

Simbolismo da escrita: Como um psicólogo profundamente interessado em simbolismo e mitologia, Jung reconhecia o poder dos símbolos na comunicação humana. Ele via a linguagem escrita, assim como os sonhos, como expressões simbólicas do inconsciente coletivo, que contêm mensagens e significados profundos que podem ser explorados para fins de autoconhecimento e crescimento pessoal.

Escrita criativa: Jung também valorizava a escrita criativa como uma forma de expressão artística e como uma ferramenta para a exploração do inconsciente. Ele próprio era um escritor prolífico e produziu uma vasta obra que abordava uma variedade de temas relacionados à psicologia, mitologia, religião e filosofia. (Jung, 1926).

 

 

DESENVOLVIMENTO

 

Médicos, Pediatras, Psicólogos e Especialistas Alertam Sobre Vício Em Meios Eletrônicos e Internet

 

Médicos, pediatras, psicólogos e especialistas consagrados de vários países escreveram trabalhos científicos provando que o excesso de tecnologias digitais e de internet são altamente prejudiciais para a saúde e para o desenvolvimento da criança e do adolescente, mostrando o quão nociva essas tecnologias na educação podem ser para os estudantes.

Abaixo uma relação de especialistas consagrados, com a citação dos seus principais trabalhos mostrando essa realidade:

 

NICHOLAS KARDARAS: Psicólogo clínico e autor, Nicholas Kardaras escreveu um livro intitulado "Glow Kids: How Screen Addiction Is Hijacking Our Kids - and How to Break the Trance" ("Crianças Brilhantes: Como o Vício em Telas Está Sequestrando Nossas Crianças - e Como Quebrar o Transe"). Ele expressa preocupações sobre os efeitos do uso excessivo de telas, incluindo a internet, nas crianças, argumentando que pode levar ao vício em tecnologia e ter impactos negativos na saúde mental. Ele argumenta que a exposição a telas pode alterar a química cerebral e afetar o desenvolvimento emocional e social das crianças, levando a dificuldades na interação face a face e no controle de emoções. Kardaras também destaca a necessidade de limitar o tempo de tela e promover atividades offline para melhorar a saúde mental e o bem-estar das crianças. (Kardaras, 2016).

 

SHERRY TURKLE: Psicóloga e socióloga do MIT, que é conhecida por seu trabalho sobre como a tecnologia afeta a sociedade e as relações humanas. Ela expressou preocupações sobre como o uso excessivo da tecnologia, incluindo a internet, pode interferir na comunicação cara a cara e no desenvolvimento de relacionamentos interpessoais. Em seu livro "Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other," publicado em 2011, Turkle explora como a tecnologia, especialmente as redes sociais e a comunicação digital, está impactando as relações humanas. (Turkle, 2011).

 

SUSAN GREENFIELD: Neurocientista britânica, Susan Greenfield tem expressado preocupações sobre o impacto da tecnologia, incluindo a internet, no desenvolvimento cognitivo, especialmente entre crianças e adolescentes. Embora ela não condene a internet para a educação, ela alertou sobre os potenciais efeitos negativos do uso excessivo da tecnologia no cérebro em desenvolvimento. Em seu livro "Mind Change: How Digital Technologies Are Leaving Their Mark on Our Brains," publicado em 2015, ela discute como o uso excessivo de tecnologias digitais pode afetar o desenvolvimento cognitivo e emocional, sugerindo que isso pode levar a dependências e mudanças na forma como pensamos e interagimos. (GREENFIELD, 2015).  

 

DOUGLAS A. GENTILE: Psicólogo do desenvolvimento e especialista em mídia, Gentile realizou extensas pesquisas sobre o impacto dos videogames na saúde mental, particularmente entre crianças e adolescentes. Ele enfatiza os potenciais efeitos negativos do uso excessivo de videogames, incluindo o desenvolvimento de comportamentos viciantes e problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Em “Pathological Video Game Use Among Youth: A Two-Year Longitudinal Study,” publicado em 2011, onde Gentile analisa o vício em jogos e seu impacto no comportamento e na saúde mental das crianças e adolescentes. Ele discute os critérios para o vício em jogos e os efeitos negativos associados. (Gentile, 2011). (Gentile, 2023).

 

PATRICK MARKEY: Psicólogo e autor do livro "Moral Combat: Why the War on Violent Video Games Is Wrong" ("Combate Moral: Por que a Guerra contra os Jogos Violentos Está Errada"), Markey argumenta que os videogames em si não são a causa de comportamentos violentos ou viciantes. No entanto, ele reconhece que o uso excessivo e descontrolado de videogames pode levar ao vício e recomenda um equilíbrio saudável entre tempo de tela e outras atividades. Markey argumenta que os videogames em si não são a causa de comportamentos violentos ou viciantes. No entanto, ele reconhece que o uso excessivo e descontrolado de videogames pode levar ao vício e recomenda um equilíbrio saudável entre tempo de tela e outras atividades. No livro "Grand Theft Childhood: The Surprising Truth About Violent Video Games and What Parents Can Do," co-autorado com a psicóloga Jennifer L. Funk em 2007. Embora o foco principal seja a violência em jogos de vídeo, ele também discute os riscos associados ao uso excessivo de jogos e da tecnologia, incluindo a dependência. (Markey, 2007). (Markey, 2015).

 

Existem diversos artigos científicos mostrando que a internet e meios eletrônicos podem trazer sérios danos para crianças e adolescentes.

O artigo: “EFEITOS NEGATIVOS EFEITOS EM CRIANÇAS, ADOLESCENTES E ADULTOS” (Setzer,2008) mostra diversos efeitos negativos da internet e meios eletrônicos em crianças e adolescentes, entre eles: obesidade, depressão, intimidação a colegas (bullyng), Problemas de atenção e hiperatividade, agressividade e comportamento antissocial, depressão e medo, indução de atitude machista, dessensibilização dos sentimentos, indução de mentalidade de que o mundo é violento e violência não gera castigo, prejuízo para a leitura, diminuição para a leitura do rendimento escolar e prejuízo para a cognição, confusão de fantasia com realidade, isolamento e outros problemas sociais, aceleração do desenvolvimento, prejuízo para a criatividade, autismo, problema do vício, indução ao consumismo.

 

17. O problema do vício

 

Como já citado no item 2, há pesquisas mostrando que video games de ação viciam (AMA 2006). Griffiths e Hunt (1998) fizeram uma pesquisa passando um questionário para 387 adolescentes de 12 a 16 anos. Segundo eles, "A Análise indicou que um em cada 5 adolescentes eram na ocasião 'dependentes' de jogos com computador [vídeo games]. Rapazes jogaram significativamente mais do que moças, e estavam mais sujeitos a ser classificados como 'dependentes'. Quanto mais cedo as crianças começaram a usar os jogos, havia maior probabilidade de estarem jogando no nível 'dependente'."

 

Não é difícil compreender por que o vídeo game vicia. O jogador desse tipo de jogo entra num estado de excitação, devido ao desafio de ganhar e, quando se identifica com um personagem, nos assim chamados "jogos na 1ª pessoa" (ego-shooters), já descritos no item 4 acima, ele ainda tem a sensação de "sobreviver" e matar os outros. Esse estado de excitação produz um sensação interior especial, que comumente é denominada de "alta adrenalina", e é essa sensação que vicia. Já houve muitas notícias de jovens que ficaram jogando horas e até dias sem parar, chegando até mesmo a morrer de exaustão. Por isso a Associação Médica Americana propôs a introdução de uma nova doença mental no rol das doenças classificadas, o vício em jogar vídeo games. Muitas pessoas pensam que isso só atinge os jovens e pessoas que já tinham predisposição para se viciarem, como por exemplo, em jogos de azar. Parece-me que a extensão do problema mostra que os videogames de ação podem viciar qualquer um. (Setzer, 2008).

 

DIMITRI CHRISTAKIS: Pediatra e pesquisador de desenvolvimento infantil, Christakis expressou preocupações sobre os potenciais efeitos negativos dos videogames na saúde física e mental das crianças, especialmente quando são expostas a conteúdos violentos ou passam longas horas jogando. Ele enfatiza a importância de limitar o tempo de tela e supervisionar o conteúdo dos jogos. No artigo "The Effects of Media on Children," publicado na Pediatrics em 2013, onde discute como a exposição a mídias digitais pode afetar o desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Christakis também é coautor de vários estudos que analisam os riscos associados ao uso excessivo de telas, incluindo problemas de atenção, dificuldades de aprendizado e questões relacionadas ao comportamento. (Christakis, 2013). (CHRISTAKIS, 2016).

 

RICHARD GRAHAM: Psiquiatria infantil e adolescente. Ele é um defensor do uso equilibrado da tecnologia e está envolvido em iniciativas para educar pais e profissionais de saúde sobre o uso responsável da tecnologia por crianças e adolescentes.

Uma de suas obras relevantes é "Internet Addiction: A Handbook for Parents and Teachers," publicada em 2014. Neste livro, ele discute os perigos do uso excessivo da internet e dos meios eletrônicos para o desenvolvimento das crianças, abordando questões como dependência, saúde mental e bem-estar. (Graham, 2014).

 

MICHAEL RICH: Pediatria e saúde infantil. Ele é conhecido como "Médico da Mídia" e é um defensor da conscientização sobre o uso excessivo de tecnologia e seus impactos na saúde e no bem-estar das crianças. No artigo “Children, Adolescents, and the Media: A New Perspective”, publicado em 2011. Nesse artigo, Rich destaca a necessidade de um uso equilibrado e consciente da tecnologia, enfatizando a importância da supervisão dos pais e do engajamento em atividades que promovam o desenvolvimento saudável. (Rich, 2011).

ARIC SIGMAN: Biólogo e psicólogo de desenvolvimento. Ele escreveu extensivamente sobre os efeitos do uso excessivo de tecnologia, incluindo jogos digitais, especialmente em crianças e adolescentes. “The Impact of Screen Media on Children: A Psychological Perspective,” publicado em 2012. Nesse artigo, Sigman discute como a exposição a telas pode afetar a saúde física e mental das crianças, ressaltando a necessidade de um equilíbrio entre o tempo de tela e atividades não digitais, como brincadeiras ao ar livre e interação social. (Sigman, 2012).

 

JEAN TWENGE: Psicóloga e professora de psicologia na Universidade Estadual de São Diego. Ela é conhecida por seu trabalho sobre o impacto das mídias sociais e da tecnologia na saúde mental e no bem-estar das crianças e adolescentes. Em seu livro "iGen," publicado em 2017, ela explora como a geração que cresceu com smartphones e redes sociais (geração "iGen") enfrenta problemas como aumento da ansiedade, depressão e solidão.

Autora de "IGen: Why Today's Super-Connected Kids Are Growing Up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy--and Completely Unprepared for Adulthood" ("iGen: Por que os Jovens Superconectados de Hoje Estão se Tornando Menos Rebeldes, Mais Tolerantes, Menos Felizes - e Totalmente Despreparados para a Vida Adulta"), Twenge examinou os efeitos do uso de tecnologia, incluindo videogames, na geração iGen (nascidos entre meados dos anos 1990 e meados dos anos 2000). Ela expressa preocupações sobre o impacto negativo do uso excessivo de tecnologia, incluindo videogames, na saúde mental e no bem-estar emocional dos jovens. "iGen: Why Today's Super-Connected Kids Are Growing Up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy—And Completely Unprepared for Adulthood," publicado em 2017. (Twenge, 2017).

 

VICTORIA DUNCKLEY: Psiquiatra infantil e autora de "Reset Your Child's Brain: A Four-Week Plan to End Meltdowns, Raise Grades, and Boost Social Skills by Reversing the Effects of Electronic Screen-Time". Ela enfatiza os impactos negativos do uso excessivo de dispositivos eletrônicos na saúde mental e no comportamento infantil. Em seu livro "Reset Your Child's Brain," publicado em 2016, ela argumenta que o uso excessivo de tecnologia, especialmente das telas, está associado a uma série de problemas de saúde mental, incluindo dificuldades de atenção, ansiedade e depressão. (Dunckley, 2016).

MONTANARI: No artigo intitulado: Efeitos clínicos e psicológicos do tempo excessivo de tela em crianças de SOPHIE DOMINGUES MONTANARI, a autora aborda a questão dos perigos e efeitos negativos do excesso de internet nas crianças.

Entre os pontos, a autora adverte que a diminuição da cognição, obesidade, efeitos psicológicos e psicóticos, alucinações, apatia, falta de conexão com a realidade, entre outros efeitos nocivos do excesso de mídias eletrônicas.

Esses são apenas mais alguns exemplos de psicólogos e pedagogos cujas teorias e pesquisas destacam a importância da interação social, relacionamentos afetivos e desenvolvimento de habilidades fundamentais na infância. Suas contribuições têm influenciado significativamente a compreensão e a prática da educação infantil em todo o mundo. Um de seus textos relevantes é "A educação diante dos novos desafios tecnológicos," publicado em 2019.   

(Montanari, 2019).

 

CRAIG A. ANDERSON: Psicólogo especializado em psicologia social e violência, Anderson realizou pesquisas sobre os efeitos dos jogos violentos na agressão e no comportamento violento. Ele argumenta que o uso excessivo de jogos violentos pode levar a comportamentos agressivos e desensibilização à violência. artigo "Violent Video Game Effects on Aggression, Empathy, and Prosocial Behavior in Children: A Multiyear Longitudinal Study," publicado em 2010. Neste estudo, Anderson e seus co-autores analisam os efeitos a longo prazo de jogos de vídeo violentos, incluindo questões de vício e suas implicações para o comportamento social. (Anderson, 2010).

 

ANDREW PRZYBYLSKI: Psicólogo especializado em psicologia da internet e tecnologia, Przybylski estudou os efeitos dos videogames na saúde mental e no bem-estar. Embora reconheça que os videogames podem ter benefícios, como o desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais, ele também alerta sobre os riscos do uso excessivo, especialmente quando leva ao isolamento social e ao vício. No artigo "Digital Screen Time Limits and Young Children's Psychological Well-Being: Evidence From a Population-Based Study," publicado em 2019. Neste estudo, ele investiga como o tempo de tela digital se relaciona com o bem-estar psicológico das crianças, explorando a questão do uso equilibrado da tecnologia. (PRZYBYLSKI, 2019).

 

Hospitais No Mundo Inteiro Já Atendem Problemas Psiquiátricos Causados Por Vício Em Internet

 

Existem dois tipos de dependência de internet: específica e generalizada. A

específica envolve o uso excessivo de conteúdos específicos da internet (por exemplo, jogos de azar, negociações de ações, pornografia). A generalizada é caracterizada pelo uso multidimensional e excessivo da internet, resultando em consequências negativas na vida pessoal e profissional. Os sintomas da dependência da internet generalizada incluem cognições disfuncionais. Na dependência generalizada os usuários são atraídos por uma sensação de bem-estar online, demonstrando uma preferência pelo contato virtual, do que pela relação face a face.

                        (Davis, 2001, citado por Young, Dong Yue & Li Ying, 2010).

 

Hospitais e centros de saúde mental em todo o mundo estão oferecendo programas e serviços para ajudar crianças e pessoas com vício em internet. Muitos hospitais e centros de saúde mental têm programas dedicados ao tratamento de vícios comportamentais, incluindo o vício em internet. Esses programas podem oferecer terapia individual, terapia em grupo, intervenções familiares e outras abordagens para ajudar as pessoas a lidarem com o vício.

Clínicas especializadas em dependência, que tradicionalmente se concentram em drogas e álcool, estão expandindo seus serviços para incluir o tratamento do vício em internet.

Segundo médicos especialistas, em alguns casos graves, programas de internação em hospitais psiquiátricos ou centros de reabilitação podem ser necessários para tratar o vício em internet.

 

O Hospital das Clínicas em São Paulo já oferece um serviço especializado de psiquiatria para dependência em internet.

O Hospital das Clínicas de São Paulo, da Secretaria de Estado da Saúde, está com inscrições abertas para estudo e tratamento de pessoas dependentes de internet. No Instituto de Psiquiatria, qualquer pessoa poderá participar, desde que tenha entre 18 e 75 anos e se considere dependente, querendo tratamento. (Portal do Governo de São Paulo, 2007).

 

Várias clínicas no mundo inteiro já oferecem tratamento para dependência em internet, dentre elas estão:

 

·        ReSTART Life (EUA), Localizada em Washington, esta clínica é especializada em tratar vícios em tecnologia, oferecendo programas de reabilitação que incluem terapia individual e em grupo.

·        The Center for Internet and Technology Addiction (EUA), com sede na Filadélfia, este centro oferece avaliação e tratamento para vícios em internet e jogos.

·        Internet Addiction Clinic at the University of Hong Kong (Hong Kong) - Esta clínica oferece tratamento para jovens e adultos com problemas relacionados ao uso excessivo da internet.

·        Treatment Center for Internet Addiction (Alemanha) - Com várias unidades, essa clínica fornece tratamento para vícios em internet e jogos, combinando terapia cognitivo-comportamental com programas de reabilitação.

·        The Priory Group (Reino Unido) - Esta rede de clínicas oferece tratamento para vários vícios, incluindo vícios em internet e jogos, com uma abordagem terapêutica abrangente.

·        Tao Wellness Center (EUA) - Localizada na Califórnia, esta clínica se concentra em vícios em tecnologia e oferece uma abordagem holística para o tratamento.

·        Castle Craig Hospital (Escócia) - Este hospital especializado em dependências inclui tratamento para vícios comportamentais, como o vício em jogos.

·        Paris Centre for Behavioral Addictions (França) - Especializa-se em tratar diversos tipos de vícios, incluindo vícios digitais.

·        Programa de Tratamento de Vícios (México) - Algumas clínicas de reabilitação mental abordam vícios comportamentais, incluindo dependência de internet e jogos.

·        Centro de Tratamento e Reabilitação em Saúde Mental (Argentina) - Oferece programas de reabilitação para diversas dependências, incluindo vícios digitais.

·        Tokyo English Lifeline (TELL) - Oferece suporte psicológico e programas de aconselhamento, incluindo questões relacionadas a vícios em jogos e internet.

·        Rehabilitation Center for Internet Addiction - Um centro especializado em Tóquio que se dedica ao tratamento de dependência de internet e jogos eletrônicos.

·        The Addictions Academy - Oferece treinamento e certificação para profissionais que trabalham com dependências, incluindo vícios em jogos e internet.

·        Hospital das Clínicas (Brasil) - Algumas unidades têm serviços de saúde mental que abordam vícios comportamentais, incluindo jogos e internet.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a "dependência de jogos" como um transtorno na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), publicada em 2019. Esse transtorno é caracterizado por um padrão de comportamento de jogo que se torna predominante, levando a consequências negativas na vida do indivíduo.

A próxima edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), trará consigo algumas considerações a respeito do critério diagnóstico do Gaming Disorder. Por conseguinte, os profissionais da área de saúde terão subsídios para discussão e identificação dos indicativos do transtorno. De acordo com a CID-11, a observação se dará a partir dos seguintes padrões: controle prejudicado sobre os jogos (incluindo: início, frequência, intensidade, duração, término, contexto); maior prioridade dada aos jogos, ao ponto de o jogo ter uma proeminência sobre as demais áreas da vida do sujeito; e atividade contínua nos jogos apesar da ocorrência de impactos e consequências negativas no cotidiano desse indivíduo. Entretanto, para um legítimo diagnóstico, é necessário a observação desse sujeito por um período de 12 meses.  (OMS, 2021).  (Papi, Santana, Robert, Duarte).

 

Clínicas privadas de psicologia e psiquiatria podem oferecer tratamento para o vício em internet, incluindo terapia cognitivo-comportamental, terapia de grupo e outras abordagens.

De acordo com CINEIVA CAMPOLI PAULINO TONO, em sua tese de mestrado intitulada “ANÁLISE DOS RISCOS E EFEITOS NOCIVOS DO USO DA INTERNET: contribuições para uma política pública de proteção da criança e do adolescente na era digital”, o vício em internet, também conhecido como dependência de internet, é uma condição em que uma pessoa se torna excessivamente preocupada com o uso da internet, a ponto de interferir significativamente em sua vida diária, relacionamentos, trabalho e saúde mental. Embora o uso da internet seja uma parte integral da vida moderna e possa ser uma ferramenta valiosa para comunicação, aprendizado e entretenimento, o uso excessivo e descontrolado pode levar ao desenvolvimento de um vício.

 

De acordo com (Tono, 2015), os sintomas do vício em internet podem variar, mas geralmente incluem:

 

Preocupação excessiva com a internet: Pensamentos constantes sobre navegar na internet, jogar online, usar mídias sociais, assistir a vídeos, etc.

Incapacidade de controlar o uso da internet: Tentativas malsucedidas de reduzir ou interromper o uso da internet, mesmo quando há consequências negativas.

Tolerância: A necessidade de usar a internet cada vez mais para alcançar o mesmo nível de satisfação.

Abstinência: Sintomas de abstinência quando não é possível acessar a internet, como irritabilidade, ansiedade, agitação ou depressão.

Prejuízo nas áreas da vida: O uso excessivo da internet começa a afetar negativamente o desempenho no trabalho ou na escola, relacionamentos interpessoais, saúde física e mental, ou outras áreas importantes da vida.

Uso da internet para escapar de problemas emocionais: Recorrer ao uso da internet como uma forma de lidar com o estresse, a ansiedade, a solidão ou outras emoções negativas.

 

Em estudo recente, em Taiwan (CHANG et al., 2014), houve a confirmação da evidência prescrita há 10 anos em estudos no Canadá de que fatores psicossociais estão associados ao início e à persistência da dependência da internet entre adolescentes. Atividades on-line, depressão e uso de substâncias foram importantes preditores de iniciação e da persistência de vício em internet dos jovens. Ainda como confirmação, mais de 13 mil adolescentes de 14-17 anos de idade de sete países europeus (Grécia, Espanha, Polônia, Alemanha, Romênia, Holanda e Islândia) participaram de um estudo da National and Kapodistrian University of Athens, 125 que resultou em evidente prevalência de comportamento viciante em internet e características psicossociais problemáticas (TSITSIKA et al., 2011).  Solidão e falta de apoio social são significativamente relacionadas com depressão entre os viciados em internet na China. O estudo, realizado com pacientes diagnosticados como dependentes de internet, conclui que a internet causa dependência, que por sua vez leva à falta de apoio social. A falta de apoio social, por um lado, pode levar diretamente à depressão; por outro lado, ela pode afetar indiretamente a depressão por meio da mediação da solidão. Em resumo, este estudo forneceu insights sobre a relação entre o apoio social, solidão e depressão. Por outro lado, os atos de apoio social como um fator de proteção diminuem os sentimentos de solidão, que por sua vez criam um efeito benéfico sobre a depressão. Assim, para aumentar o nível de saúde mental dos viciados em internet, deve ser prestado apoio social adequado para lidar com os sentimentos de isolamento (HE et al., 2014).

                                                                                       (Tono, 2015).

 

O tratamento para o vício em internet geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir terapia individual, terapia em grupo, intervenções familiares, programas de reabilitação, suporte psiquiátrico e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento saudáveis. É importante buscar ajuda profissional se você ou alguém que você conhece estiver enfrentando problemas significativos devido ao uso da internet.

 

Como já apresentado, especialistas consagrados estão fazendo trabalhos em relação ao vício em jogos eletrônicos, mídias sociais e internet. Ainda se destacam outros médicos, psicólogos, sociólogos e especialistas, dentre estes estão:

 

Esses especialistas não necessariamente condenam a internet para a educação, mas destacam os potenciais riscos do uso excessivo ou inadequado da tecnologia, incluindo a necessidade de equilibrar o tempo online com outras atividades offline e garantir um uso saudável e responsável da internet, especialmente entre crianças e adolescentes.

Alguns psicólogos e especialistas em saúde mental têm expressado preocupações sobre o uso excessivo de videogames e o desenvolvimento de vício em jogos, especialmente entre crianças e adolescentes. Embora não "condenem" necessariamente o uso de jogos de forma geral, eles destacam os potenciais riscos associados ao uso excessivo e descontrolado.

É importante observar que, embora esses psicólogos e especialistas expressem preocupações sobre o uso excessivo de videogames e o desenvolvimento de vícios em jogos, muitos reconhecem que os videogames também podem ter benefícios, como o desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e motoras, quando usados de forma moderada e equilibrada. A chave está em promover um uso saudável e responsável dos videogames, especialmente entre crianças e adolescentes, com supervisão adequada por parte dos pais e educadores.

 

O vício em internet, caracterizado pela incapacidade de controlar o uso excessivo da rede, tem se tornado um problema de saúde pública global. Segundo Cristiano Nabuco, médico especializado em vício em internet, essa dependência se manifesta pelo envolvimento crescente e compulsivo com atividades online, como jogos, redes sociais e pornografia.

 

DRAUZIO VARELLA, médico brasileiro, alerta para o aumento alarmante do vício em internet entre crianças e adolescentes, com consequências como o isolamento social, o declínio do desempenho escolar e problemas de saúde mental.

 

 A "American Academy of Pediatrics' Media Use Guidelines," no estudo “Infância digital: uso de mídia eletrônica e tecnologia entre bebês, crianças pequenas e pré-escolares”, mostrou que nos Estados Unidos, crianças passam, em média, 44,5 horas semanais em frente às telas, enquanto no Japão e na Coreia do Sul, milhões de jovens sofrem com os efeitos da dependência digital, incluindo problemas de sociabilidade, depressão e dificuldades de comunicação. Diante desse cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já classificou o uso excessivo de videogames como um transtorno mental.

 

Vício em games será considerado transtorno de saúde mental

A partir de 2022, o comportamento obsessivo associado a jogos eletrônicos poderá ser diagnosticado e tratado por profissionais de saúde mental. (...)

A nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, a CID-11, tem previsão para entrar em vigor em 2022. Anunciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a décima primeira revisão traz mudanças como a inclusão do distúrbio de games como um problema de saúde mental. (Bueno, 2022).

 

Educação EAD e Monopólios: Uma Análise Crítica do Cenário Atual

 

E as Big Techs estão em peso no setor de educação: segundo levantamento do Observatório Educação Vigiada, uma iniciativa de divulgação científica de pesquisadores acadêmicos e de organizações sociais, metade das 76 secretarias de educação estaduais e municipais utilizam serviços do Google ou da Microsoft para o ensino básico. Já entre 145 universidades brasileiras, 80% delas utilizam servidores ou do Google ou da Microsoft.

                                                                             (Coelho; Spagnuolo; 2023).

 

É fato que a educação EAD possui grandes interesses de monopólio de uma indústria em ascensão. Isso impacta negativamente na didática, na pedagogia e na educação.

Pegamos como exemplo a pandemia. Fato é que, após a pandemia, o mundo, principalmente o ocidente ficou economicamente mais dependente de grandes monopólios de países como os EUA e a China. Se antes o dinheiro do brasileiro era injetado no comerciante da esquina, que mantinha seu armazém com as vendas físicas; após a pandemia, o brasileiro passou a comprar de plataformas como a Amazon, eBay, Walmart, Target e uma grande variedade de lojas online. Mesmo que você compre um produto nacional pela internet, você estará pagando indiretamente para empresas estrangeiras como o Google. Isso é indiretamente e até diretamente uma maneira de se evadir uma parte do capital econômico nacional para fora, só através de compras pela internet.

 

Na educação isso não é diferente, após a pandemia, o governo federal juntamente com os governos dos estados brasileiros passaram a pagar o Google e a Microsoft, além de outras grandes empresas de plataformas digitais.

 

“Google e Microsoft superam estimativas e ampliam ganhos com demanda por serviços digitais em alta na pandemia”. (O Globo, 2021).

 

“A dona do Google anunciou nesta terça-feira que sua receita aumentou para US$ 55,31 bilhões no primeiro trimestre, contra US$ 41,16 bilhões um ano antes. Analistas esperavam US$ 51,70 bilhões.” (O Globo, 2021).

 

Independentemente de sua origem, a pandemia funcionou como um catalisador significativo para as economias dos Estados Unidos e da China, impulsionando diversos setores em ambos os países. Nos EUA os setores ligados às big techs e na China os setores ligados à tecnologia.

 

“Senadores dos EUA questionam Apple e Google sobre domínio de lojas de aplicativos. Parlamentares questionaram abuso de poder das big techs ao excluir ou suprimir aplicativos que estejam competindo com seus próprios produtos.” (O Globo, 2021).

Esse movimento já vinha sendo feito por gigantes como a Microsoft, que injetou dinheiro em publicidade em universidades do mundo inteiro, para garantir a venda de plataformas e jogos tidos como “educacionais”, promovendo os jogos “educativos”.

A Microsoft começou a investir em educação digital e plataformas digitais em diferentes momentos ao longo dos anos. Um marco importante foi em 2001, quando a empresa lançou o programa "Microsoft in Education", que visava integrar tecnologias de informação e comunicação no ambiente escolar.

 

“O Brasil é muito rico para o setor de games”, diz CEO da Microsoft Gaming.”

                                                                                                   (Sollitto, 2023).

 

Após a pandemia, a supressão da escola física começou a se transformar no que era uma necessidade, em um interesse comercial e uma espécie de modismo.

Diante de tantas evidências da necessidade da escola física, da interatividade, do convívio e do desenvolvimento da criança e do adolescente em uma escola física, faz-se necessária a reflexão sobre os riscos dos excessos do uso de tecnologias digitais na educação.

 

A Lei 14.533 sancionada por Luís Ignácio Lula da Silva, de 11 de janeiro de 2023 institui a obrigatoriedade da educação digital na educação básica, que vai do 1º ano, para crianças de 6 anos de idade até o ensino médio. A lei obriga o uso de plataformas digitais, dentre os diversos artigos da lei, eu destaco:

 

Art. 2º O eixo da inclusão digital deverá ser desenvolvido, dentro dos limites orçamentários e no âmbito de competência de cada órgão governamental envolvido, de acordo com as seguintes estratégias prioritárias:

I - promoção de competências digitais e informacionais por intermédio de ações que visem a sensibilizar os cidadãos brasileiros para a importância das competências digitais, midiáticas e informacionais;

II - promoção de ferramentas on-line de autodiagnóstico de competências digitais, midiáticas e informacionais;

III - treinamento de competências digitais, midiáticas e informacionais, incluídos os grupos de cidadãos mais vulneráveis;

IV - facilitação ao desenvolvimento e ao acesso a plataformas e repositórios de recursos digitais;

V - promoção de processos de certificação em competências digitais;

VI - implantação e integração de infraestrutura de conectividade para fins educacionais, que compreendem universalização da conectividade da escola à internet de alta velocidade e com equipamentos adequados para acesso à internet nos ambientes educacionais e fomento ao ecossistema de conteúdo educacional digital, bem como promoção de política de dados, inclusive de acesso móvel para professores e estudantes. (...)

Art. 3º O eixo Educação Digital Escolar tem como objetivo garantir a inserção da educação digital nos ambientes escolares, em todos os níveis e modalidades, a partir do estímulo ao letramento digital e informacional e à aprendizagem de computação, de programação, de robótica e de outras competências digitais, englobando: (...)

Art. 6º No âmbito da Política Nacional de Educação Digital, a implementação dos seguintes eixos habilitadores constituirá dever do poder público, observadas as incumbências estabelecidas nos arts. 9º, 10 e 11 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional): (...)

XII - educação digital, com a garantia de conectividade de todas as instituições públicas de educação básica e superior à internet em alta velocidade, adequada para o uso pedagógico, com o desenvolvimento de competências voltadas ao letramento digital de jovens e adultos, criação de conteúdos digitais, comunicação e colaboração, segurança e resolução de problemas.

                                    (Lei 14.533 – Presidência da República, 2023).

 

Análise dos pontos principais:

Artigo 2º: Este artigo aborda estratégias de inclusão digital, como a promoção de ferramentas online de autodiagnóstico e o acesso a repositórios de recursos digitais. Isso sugere que plataformas educacionais devem ser utilizadas para facilitar esse acesso e treinamento.

 

Artigo 3º: O eixo da Educação Digital Escolar enfatiza a inserção da educação digital em todos os níveis de ensino. Isso inclui o uso de tecnologias e plataformas educacionais para o desenvolvimento de competências digitais, como programação e letramento digital.

 

Artigo 6º: Este artigo menciona que o poder público deve desenvolver projetos que promovam competências digitais e métodos de ensino inovadores, indicando que plataformas educacionais são necessárias para implementar essas iniciativas e apoiar o aprendizado em ambientes digitais.                                            

Os tópicos acima evidenciam a necessidade de se utilizar plataformas educacionais para atender às diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Educação Digital.

 

O uso obrigatório de plataformas digitais nas escolas da rede estadual de ensino tem gerado sobrecarga e revolta nos professores que dizem que a imposição traz menos qualidade no trabalho e desrespeita o planejamento das aulas. Já a Secretaria de Educação do Paraná (SEED – PR) defende o uso como suporte à docência.

Atualmente, são mais de 20 plataformas e aplicativos, sendo que, pelo menos sete têm uso imposto pela SEED.  O uso das ferramentas, segundo professores e especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato Paraná, desrespeita a autonomia pedagógica, limita o ensino e acaba por atrapalhar o planejamento das aulas que muitas vezes nada tem a ver com o que está inserido nas plataformas organizadas sem a participação das equipes pedagógicas das escolas.                                                     

                                                (Caldas. Brasil de Fato, Paraná, 2023).

 

Os Estados já estão adotando as medidas impostas pela Lei Fedaral 11.4533, O Estado de São Paulo adotou medidas semelhantes, juntamente com Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, todos esses estados possuem programas com obrigatoriedade do uso de plataformas digitais nas escolas públicas.

 

Educação Conectada: 6 estados já se preparam para usar tecnologia digital nas escolas. (...) BNDES destinará R$ 22 milhões (...) Representantes de Sergipe, Tocantins, Minas, Goiás, Rio Grande do Sul e Paraíba estiveram no BNDES para discutir a implantação dos projetos. Representantes de Rio Grande do Sul, Paraíba, Sergipe, Tocantins, Minas Gerais e Goiás estiveram no BNDES (...) (MEC) e que apoiará com R$ 21,9 milhões projetos de uso de tecnologias digitais em 435 escolas municipais e estaduais (...).

                                                                       (Agência BNDES, 2019).

 

O objetivo desse trabalho não é de condenar os jogos educativos, ou ser contra a educação EAD, mas sim de questionar a forma e a maneira como isso tudo vem acontecendo e o que existe de negativo nisso tudo, como vício em jogos, desconexão com a realidade e o principal, a dificuldade da escrita pelos nossos estudantes, causada pela falta da prática da escrita física, como a falta de relacionamento e de práticas em salas de aulas, além da desvalorização da escola tradicional e física, como meio de desenvolvimento humano e social.

 

De acordo com o relatório "Analfabetismo Funcional no Brasil: um perfil", elaborado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa em 2018, cerca de 29 % dos jovens brasileiros entre 15 e 29 anos são considerados analfabetos funcionais, ou seja, possuem habilidades limitadas de leitura, escrita e matemática. (Instituto Paulo Montenegro, 2018).

 

E agora com a IA (Inteligência Artificial) esse analfabetismo irá aumentar ou diminuir?

As redações com IA já são uma realidade.

E o que isso impacta na soberania e liberdade de um povo?

Um povo com grande percentual de analfabetismo será fatalmente dominado economicamente, ideologicamente e politicamente por outro país; além de que o conhecimento é algo que vai além do imediatismo; é muito profundo. Platão na sua obra "A República" argumenta que a educação é essencial para a formação de governantes justos e para a justiça na sociedade. (Platão, 380a.C.).

 

O governo brasileiro juntamente com o MEC vem cortando verbas da educação presencial e injetando dinheiro em EAD. A Agência Brasil informa que recentemente o Governo Federal investiu 186,6 bilhões para a indústria digital no Brasil. (Planalto. Agência Brasil, 2024).

 

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou (em 5/7) o Projeto de Lei (PL) 2.497/21, que prevê a oferta de ensino híbrido na Educação Básica. Com isso, estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental poderão ter aulas remotas, além das presenciais. (Correio do Povo, 2024).

 

O governo federal publicou, nesta sexta-feira, uma portaria que permite a oferta de ensino a distância (EAD) na educação básica e flexibiliza parâmetros para a oferta de cursos a distância no ensino superior. O decreto permite que escolas de ensino fundamental ofereçam essa modalidade de ensino para públicos-alvo específicos e deixa em aberto a utilização dessa modalidade no ensino médio, técnico, da educação especial e da educação de jovens e adultos.  

                                                                                     (CBESP, 2024).

 

Mas será que esses interesses são realmente à educação?

É necessário analisar criticamente o avanço das tecnologias educacionais e principalmente do EAD na educação brasileira, principalmente na educação básica, bem como o uso de plataformas digitais e educacionais, analisando criticamente o que o MEC, governos e prefeituras vêm adotando, sempre como um argumento de “um avanço” na educação. É interesse da sociedade e da comunidade de profissionais da educação analisar os interesses de monopólios internacionais de mercado, além dos interesses da indústria do EAD internacional e nacional, bem como as chamadas plataformas e jogos eletrônicos para a educação.

 

As escolas públicas de todo o país receberão aporte para apoiar o desenvolvimento de projetos de incorporação de tecnologias digitais na educação básica. A chamada pública Educação Conectada – Implementação e Uso de Tecnologias Digitais na Educação, que terá investimento de até R$ 20 milhões, foi lançada nesta sexta-feira, 27, pelo Ministério da Educação, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). (Portal do MEC, 2019).

 

Investimento – Com a destinação dos R$ 224 milhões será possível contratar os serviços de conexão à internet, implantar infraestrutura para distribuição do sinal nas unidades escolares, e adquirir ou contratar dispositivos eletrônicos - como roteador e nobreak.

                                                                         (Portal do MEC, 2018).

 

Governos como o governo do Estado de São Paulo e do Paraná vêm adotando medidas impositivas, ligadas aos interesses e investimentos para a EAD. E onde isso impacta na educação e no desenvolvimento da escrita? Principalmente na educação básica, que corresponde do fundamental 1 ao ensino médio? (Mello, 2024).

 

O uso obrigatório de plataformas digitais nas escolas da rede estadual de ensino tem gerado sobrecarga e revolta nos professores que dizem que a imposição traz menos qualidade no trabalho e desrespeita o planejamento das aulas. Já a Secretaria de Educação do Paraná (SEED – PR) defende o uso como suporte à docência.  

                                                                                (Caldas, 2023).

 

É notório e real que existe um movimento tecnocrata mundial de indução para o mercado digital. Esse movimento acontece também na educação e são interesses que envolvem a digitalização da educação, alinhada aos interesses internacionais e nacionais. Pois isso gera uma economia diferente e alinhada com os interesses do chamado globalismo (Retondar, 2007), ou seja, a subordinação da economia global aos modos operantes dos maiores influentes do Fórum Econômico Mundial, bem como à subordinação econômica aos maiores bancos mundiais e à subordinação econômica e ideológica aos maiores líderes e empresas influentes dominantes da ONU.

 

A mundialização do consumo: publicidade e cultura na era da globalismo.

(...) o poder que as corporações e as instituições mundiais de poder representativas do capital global passaram a ter sobre os Estados-nacionais se tornou um dos emblemas da era do globalismo. Como destacou Ianni:  “Uma espécie de governo mundial manifesta-se nas diretrizes, atuações e interpretações das instituições que organizam e controlam o sistema monetário internacional. Suas atuações propiciam a dinamização das forças do mercado, mas segundo as coordenações do status quo, os princípios da economia política do neoliberalismo. (...)  Essa nova forma de dominação, que se pode denominar ‘colonialismo de mercado’, subordina povos e governos ao jogo anônimo e às manipulações deliberadas das forças desse mercado, uma situação sem precedente histórico nesta escala”. (Ianni).

                                                                                  (Retondar, 2017).      

 

Os EUA e a China expandiram imensamente o seu monopólio econômico após a pandemia. Pandemia que foi recheada por diversos tipos de fraudes, tanto nacionais, quanto internacionais. E que submeteram o mundo para um novo tipo de economia, toda dependente das Big Techs, que por sua vez, respondem às políticas econômicas, sociais e ideológicas da ONU, dos EUA e da China, num complexo jogo de interesses, de revoluções culturais, econômicas, digitais e sociais.

 

No ano da pandemia de covid-19, mais ricos ganharam US$813 bilhões. Os negócios que mais lucraram durante a crise do novo coronavírus foram de tecnologia e saúde. Os setores que mais lucraram na pandemia foram tecnologia e saúde, que aumentaram a riqueza 43% e 50% em comparação com dados do final de 2017. Jeff Bezos, presidente da Amazon, e Elon Musk, presidente da Tesla, adicionaram 60 bilhões de dólares aos seus respectivos patrimônios líquidos em 2020.                       (Revista Exame. Agrela, 2019).

 

É um processo de massificação dos meios eletrônicos, tanto de eletrônicos propriamente ditos, como celulares e produtos, como meios eletrônicos, que é um comércio emergente.

Sabemos que o MEC, além de todos os Estados e municípios gastaram quantidades enormes de dinheiro com produtos da Google, como Google Classroom e outras plataformas. A educação é um campo, uma oportunidade e um negócio para empresas como Microsoft e Google, com plataformas.

 

Bilionários americanos ficaram US$ 1,1 trilhão mais ricos durante a pandemia. Juntos, os bilionários dos Estados Unidos ficaram US$ 1,1 trilhão — quase 40% — mais ricos desde meados de março, de acordo com um relatório publicado na terça-feira pelos grupos Institute for Policy Studies e Americans for Tax Fairness.  

                                                                    (CNN Brasil. Egan, 2021).

 

Tudo isso se junta ao vício eletrônico de crianças, jovens e adolescentes, que juntamente com todo esse processo da Quarta e Quinta Revolução Industrial, a Revolução Digital, vem a ser oportuno para que esse sistema tecnocrata introduza de maneira negativa os chamados de jogos “eletrônicos” e “games educativos” para o mercado da educação, de modo a introduzir de maneira oportuna uma série de plataformas para todas as secretarias de educação do Brasil e para o MEC, como sendo um produto “benéfico e educacional”.

 

As grandes indústrias estão de olho nesse problema, se aproveitando disso e colocando como uma pseudo solução os chamados “jogos educacionais”, com o intuito de vender seus produtos para o mercado educacional e manter um monopólio comercial perante a máquina estatal.

 

O BNDES e o Ministério da Educação (MEC) promovem chamada pública para apoio a projetos de incorporação de tecnologias digitais na educação pública. (...)  A chamada pública utilizará até R$ 20 milhões, em recursos financeiros não reembolsáveis do Fundo Social do BNDES, que é constituído com uma parcela dos lucros anuais do Banco. (BNDES, 2018).

 

Outro argumento usado pelo Estado é de que a educação não chega no campo e não chega em regiões distantes. Ora, se não chega é por omissão do próprio Estado. A solução não pode ser a desestruturação da educação, ou seja, o Estado não investe em construir escolas, então, a “solução” é a “flexibilização” do EAD na educação básica. Isso é o cúmulo do absurdo!

Inicialmente, a minuta que seria votada previa a possibilidade da educação semipresencial para o ensino médio. Hoje a lei já permite que essa etapa tenha até 20% da carga horária a distância no período diurno e 30% no noturno. O texto inicial deixava ainda uma brecha para que isso passasse a valer posteriormente no 6º ao 9º ano do fundamental. Após intervenções de parte dos conselheiros e do próprio secretário da Educação, Rossieli Soares, a medida foi estendida para todo o ensino fundamental.

                                                  (Folha de São Paulo. ABMES, 2020).

 

Isso acontece claramente com o atual governo do Estado de São Paulo, onde a secretaria da educação está obrigando a rede pública e os professores a usarem as plataformas digitais em toda a educação básica.

As redações do ensino fundamental 2 e ensino médio já estão sendo corrigidas por IA e os alunos do fundamental 2 e ensino médio pouco tem de aulas, pois as aulas são majoritariamente em plataformas digitais, onde os alunos se distanciam da educação real. Isso está acontecendo em português, inglês, matemática, geografia, ciência e todas as disciplinas.

 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo adquiriu a plataforma Matific em um contrato que, segundo informações divulgadas em 2021, teve um valor aproximado de R$ 69,9 milhões. E os alunos se quiserem jogar fora da rede estadual precisam pagar e comprar a plataforma.

 

O Governo de São Paulo implementou o Matific como regra para o fundamental I. É exigência da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo que os professores adotem semanalmente aulas com jogos eletrônicos de matemática, onde muitas vezes, os alunos nem raciocinam e apenas jogam tentando acertar, pois é um jogo eletrônico.

 

“Matific oferece games matemáticos para mais de 1,5 milhão de alunos da rede estadual.” (Site do Governo do Estado de São Paulo, 2020).

 

É uma plataforma viciante e pouco educativa, pois para a criança aprender matemática é necessário que a criança aprenda a pensar e no jogo tudo é muito intuitivo, ou seja, a criança “chuta” até acertar e não raciocina necessariamente, além de que esse jogo induz a criança para o vício eletrônico.

O fim de jun.2023, a companhia anunciou um recurso de tutoria personalizada para alunos com foco no ensino médio baseado em inteligência artificial (que exige grande quantidade de dados).

Em jun.2022, o Google fechou um acordo com o Ministério da Educação para oferta de ferramentas educacionais, incluindo um pacote "gratuito" de ferramentas de produtividade do Google Workspace.

E esses são apenas alguns exemplos.

"Hoje, a maior parte das secretarias estaduais de educação do Brasil usam plataformas de Big Techs, especialmente do Google", comentou Meira, afirmando que esse movimento acelerou muito no começo da pandemia e com a necessidade de passar para o regime de ensino remoto.

                       (Coelho; Spagnuolo. Observatório Educação Vigiada).

 

E a educação EAD na educação básica é um fator que os profissionais de educação precisam refletir. Como já citado, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados publicou uma portaria através do Governo Federal, que permite o EAD na educação básica, que vai do fundamental 1 ao ensino médio.

 

Parágrafo único. Em períodos de emergência, a educação híbrida poderá ser adotada na educação infantil e no ensino fundamental.

Art. 2º As atividades pedagógicas não presenciais serão consideradas, nos termos da regulamentação dos sistemas de ensino, para cumprimento da carga horária anual, assegurado em suas normas o acesso de alunos e professores aos meios necessários para a realização dessas atividades.

                                               PROJETO DE LEI  2497, DE 2021 (Da Sra. LUISA CANZIANI).

 

Temos o PL 2497/2021 que permite o EAD na educação básica, aprovado pelo governo atual e temos a lei de educação digital, Lei 14.533, que praticamente obriga o uso de plataformas digitais educacionais na educação básica. Mas devemos perguntar as seguintes indagações:

E a prática de escrita na educação básica? E a interação com outras crianças e com os adultos? E as mães que precisam deixar os filhos na escola? E crianças que ficarão na rua? E o desenvolvimento socioemocional da criança?

Tudo isso precisa ser levantado.

METODOLOGIA DE PESQUISA

 

O trabalho adotou a metodologia qualitativa com foco na revisão bibliográfica, na análise de artigos científicos, de publicações, teorias e conceitos relacionados à escrita física, ao desenvolvimento infantil e educação. Essa abordagem permitiu uma compreensão aprofundada dos temas abordados, baseando-se em estudos e obras de teóricos renomados na área da educação e psicologia. Também foi usada a revisão sistemática, a análise de conteúdos e estudos de casos.

Etapas da Pesquisa

 

Revisão Bibliográfica: A pesquisa começou com uma extensa revisão da literatura existente sobre os impactos da escrita física e das interações sociais no desenvolvimento infantil.

Foram consultadas obras clássicas e contemporâneas de autores como Howard Gardner, Lev Vygotsky, Jean Piaget e outros, permitindo um embasamento teórico robusto.

Foram levantadas diversas publicações de pesquisas científicas elencadas por grandes autores da medicina, da pedagogia, da psicologia, da psicanálise, da sociologia e do desenvolvimento cognitivo na criança e no adolescente.

Foram levantadas diversas publicações sobre médicos, pediatras, pedagogos, psicólogos e especialistas sobre vício em internet e em meios eletrônicos.

Juntamente foram levantadas publicações, locais e hospitais que tratam vício em internet e meios eletrônicos, mostrando que existe um vasto material e centros de tratamentos para vícios em internet e meios eletrônicos.

Além de todo esse material, foram levantadas publicações de sites governamentais sobre leis, legislações e ações para implementação do EAD na educação básica e da obrigatoriedade do uso de plataformas digitais e de jogos eletrônicos na educação básica.

 

Seleção de Fontes: Foram escolhidos artigos, livros e estudos que abordam a importância da educação presencial, da psicomotricidade e da interação entre crianças. A seleção priorizou fontes reconhecidas na área da educação e psicologia, garantindo a qualidade e a relevância das informações.

As seleções sobre os artigos dos especialistas, teses de mestrado e publicações foram feitas no Google Acadêmico e no Scielo Brasil, além de livros consagrados de pedagogia, psicologia e educação.

Análise Crítica: A análise das obras revisadas envolveu uma interpretação crítica das ideias apresentadas pelos autores, correlacionando-as com as questões práticas e teóricas discutidas no texto. Essa etapa permitiu identificar conexões entre os conceitos de desenvolvimento infantil e a importância da escrita física, a importância da escola, do meio, da interatividade, sociabilidade e desenvolvimento da criança e do adolescente dentro do espaço escolar.

 

Síntese das Informações: Os dados coletados foram organizados e sintetizados em um referencial teórico coeso, que destaca a relevância da escrita, da interação social, da vida dentro da escola, com interatividade, psicomotricidade e materiais físicos no contexto educacional. Essa síntese possibilitou a formulação de uma argumentação sólida em defesa da prática educativa que integra essas dimensões.

 

Discussão e Conclusões: A pesquisa culminou na discussão das implicações práticas das teorias revisadas para a educação contemporânea, enfatizando a necessidade de uma abordagem que valorize a escrita física, as interações pessoais e a vida escolar na vivência da escola no seu espaço físico, em contato com outras crianças, com os professores, adultos e com a comunidade escolar, essenciais na formação integral da criança.

 

Essa metodologia permitiu não apenas a construção de um conhecimento teórico, mas também a reflexão sobre práticas educativas que promovem o desenvolvimento saudável e completo das crianças.

 

Etapas da Pesquisa

 

Revisão Bibliográfica: A pesquisa começou com uma extensa revisão da literatura existente sobre os impactos da escrita física e das interações sociais no desenvolvimento infantil.

Foram consultadas obras clássicas e contemporâneas de autores como Howard Gardner, Lev Vygotsky, Jean Piaget e outros, permitindo um embasamento teórico robusto.

Foram levantadas diversas publicações de pesquisas científicas elencadas por grandes autores da medicina, da pedagogia, da psicologia, da psicanálise, da sociologia e do desenvolvimento cognitivo na criança e no adolescente.

Foram levantadas diversas publicações sobre médicos, pediatras, pedagogos, psicólogos e especialistas sobre vício em internet e em meios eletrônicos.

Juntamente foram levantadas publicações, locais e hospitais que tratam vício em internet e meios eletrônicos, mostrando que existe um vasto material e centros de tratamentos para vícios em internet e meios eletrônicos.

Além de todo esse material, foram levantadas publicações de sites governamentais sobre leis, legislações e ações para implementação do EAD na educação básica e da obrigatoriedade do uso de plataformas digitais e de jogos eletrônicos na educação básica.

 

Seleção de Fontes: Foram escolhidos artigos, livros e estudos que abordam a importância da educação presencial, da psicomotricidade e da interação entre crianças. A seleção priorizou fontes reconhecidas na área da educação e psicologia, garantindo a qualidade e a relevância das informações.

As seleções sobre os artigos dos especialistas, teses de mestrado e publicações foram feitas no Google Acadêmico e no Scielo Brasil, além de livros consagrados de pedagogia, psicologia e educação.

Análise Crítica: A análise das obras revisadas envolveu uma interpretação crítica das ideias apresentadas pelos autores, correlacionando-as com as questões práticas e teóricas discutidas no texto. Essa etapa permitiu identificar conexões entre os conceitos de desenvolvimento infantil e a importância da escrita física, a importância da escola, do meio, da interatividade, sociabilidade e desenvolvimento da criança e do adolescente dentro do espaço escolar.

 

Síntese das Informações: Os dados coletados foram organizados e sintetizados em um referencial teórico coeso, que destaca a relevância da escrita, da interação social, da vida dentro da escola, com interatividade, psicomotricidade e materiais físicos no contexto educacional. Essa síntese possibilitou a formulação de uma argumentação sólida em defesa da prática educativa que integra essas dimensões.

 

Discussão e Conclusões: A pesquisa culminou na discussão das implicações práticas das teorias revisadas para a educação contemporânea, enfatizando a necessidade de uma abordagem que valorize a escrita física, as interações pessoais e a vida escolar na vivência da escola no seu espaço físico, em contato com outras crianças, com os professores, adultos e com a comunidade escolar, essenciais na formação integral da criança.

 

Essa metodologia permitiu não apenas a construção de um conhecimento teórico, mas também a reflexão sobre práticas educativas que promovem o desenvolvimento saudável e completo das crianças.

PESQUISA: A MUDANÇA COMPORTAMENTAL DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES DEVIDO À INTERNET, JOGOS E MEIOS ELETRÔNICOS

 

            A pesquisa abaixo foi feita com um grupo de profissionais que trabalham na área da educação, sendo professores do ensino fundamental 1, 2 e ensino médio na cidade de São Paulo, na Escola Estadual Caetano de Campos. A pesquisa foi feita através do Formulário Google, no link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSc-y2v2Y-VXz-mh1k5Awi4Z7ZZ7wp8kqcEbLVACFJEozqlVKg/viewform?vc=0&c=0&w=1&flr=0 

 

Foram onze professores entrevistados, cada resposta dada com um travessão corresponde a um professor.

 

 

PESQUISA:

 

Existe notoriamente uma mudança de comportamento nas crianças e nos adolescentes. Existe um aumento acentuado na agitação e na falta de noção de conduta das crianças, como:

- falta de atenção contínua e desordenada,

- falta de foco e falta de concentração,

- falta de respeito mútuo e de aceitação e compreensão de regras,

- desordem mental na fala, olhar,

- falta de capacidade de ordem, como fazer filas e se comportar,

- inquietação constante e desordenada,

- necessidade constante de fala e de ser notado,

 

Além desses tópicos, existem outros. Existem vários fatores que levam à essa desordenação de comportamento, mas existe um forte indício de que o fator tido como o principal sejam os usos excessivos e constantes da internet, redes sociais que dão a sensação de “mundo instantâneo”, jogos eletrônicos, e o acesso indevido e desenfreado aos conteúdos indevidos na internet, o acesso ao mundo fantasioso digital como dancinhas de Tik Tok, com conotação sexual, de incentivo às drogas. E especialmente para as crianças, existem principalmente os jogos eletrônicos e games, com o uso do celular e a quantidade de futilidade da internet acessada pelas crianças.

Além de tudo isso, tem o fator do vício em internet e da falta de comunicação, que tem gerado um aumento na falta de noção do outro e da falta de noção da realidade nas crianças e nos adolescentes.

 

Baseado nessas premissas gostaria que você professor preenchesse o seguinte questionário:

 

1-    Você tem notado um aumento do comportamento disperso e inadequado nos alunos?

 

—— Sim.

—— Sim. O aluno distrai-se facilmente.

—— Absurdo.

—— Sim.

—— Sim... Sim.

—— Sim!

—— Sim.

—— Sim.

—— Sim.

—— Sim.

—— Sim.

 

2-    Você tem notado um aumento do comportamento disperso e inadequado nos alunos?

 

—— Sim.

—— Sim.

—— Sim.

—— Falta de interesse e foco.

—— Sim. Com muita frequência. Sim.

—— Sim, e percebo que vem se evoluindo...

—— Sim!

—— Sim.

—— Sim.

—— Sim.

—— Sim.

—— Sim.

3-    Você percebeu um aumento na falta de calma das crianças e adolescentes? Um imediatismo, uma falta de capacidade de ouvir e interagir adequadamente?

 

—— Sim.

—— Sim, por serem somente ouvintes, não podendo contribuir com suas fala na interação com os desenhos, na falta (restrições no uso de celular), ele quer expor toda energia acumulada, ou seja, ele quer ser ouvido. Onde ele tem este momento? Na escola!

—— Falta de capacidade de ouvir e irritação.

—— Sim. Observo isso diariamente.

—— Com certeza, tudo tem que ser imediato, sem reflexão...

—— Sim!

—— Sim

—— Sim

—— Sim.

—— Sim, um aumento de irritabilidade e inquietação também. As crianças não eram assim.

 

4-    Você acredita que além da pandemia, o fator internet seja o principal fator dessa desconexão com o mundo e com a realidade nas crianças?

 

—— Sim.

—— Sim.

—— Com toda certeza.

 

—— A meu ver, a Internet ligada ao confinamento da pandemia. Mas também tem pontos que destacaram mais como o desinteresse pelos estudos que já vinha antes da pandemia.

—— Simmm... usá-la como um complemento, como uma ferramenta necessária a mais no ensino aprendizagem...Que.

—— Certamente!

—— Sim.

—— Sim.

—— Tem muitos pais que dão o celular na mão de uma criança para ela ficar quieta e isso é um erro gravíssimo!

—— Claro.

—— Sim.

5-    Que outros pontos você gostaria de colocar? Fique à vontade.

 

—— Apoio da família.

—— Vivemos na contramão do correto se você for analisar, pais jovens e despreparados com a autonomia da criança. O que acontece, apropriam-se da dureza que os pais (antigos) tratavam seus filhos, e diz trazer mais liberdade à nova geração, todavia, estes pais não foram lapidados, ficam nervosos com o agito da criança, claro foram orientados com a nova base "influência digital". Com isso, para terem o sossego almejado, dar a criança o celular, pronto tem duas horas de paz, e uma nova geração de alfabetos funcionais. E a culpa será de quem? Do governo? Da escola? Do professor?

—— Falta de noção de limite do que é seu direito e desconsideração dos seus deveres.

—— Todos os pontos são válidos.

——A falta de uma participação mais ativa por parte dos Pais.

—— Que a educação além de obrigatória e gratuita a todos ,Também é um investimento sob qualquer aspecto ...

—— A responsabilidade dos pais e ou responsáveis de estarem conversando mais com seu filho(a) e verem o que estão aprendendo na escola.

—— A falta da presença da família.

—— O excesso de plataformas digitais na educação, principalmente do fundamental 2 e ensino médio tem distanciado cada vez mais os alunos da realidade da educação.

—— Os alunos precisam de mais vínculo com a escola e menos material digital.

—— A obrigatoriedade do material digital nas escolas públicas é um verdadeiro absurdo!

—— Plataformas digitais na educação brasileira é fora da realidade, os alunos pouco escrevem.

—— Cada vez mais o governo vai contra a educação presencial.

 

Você me autoriza usar suas respostas para citar seu nome em meu novo artigo acadêmico e livro sobre educação? Só colocarei exatamente o que você respondeu, sendo imparcial quanto à sua resposta, se você autorizar eu colocarei suas respostas e citarei seu nome, caso contrário eu não colocarei no meu trabalho acadêmico.

—— Sim.

—— Sim, se estiver destro das expectativas do seu TCC.

—— Prefiro não citar meu nome.

—— Autorizo.

—— Sim Obrigada Professor. Conte sempre comigo!

—— Sim.

—— Sim!

—— Sim.

—— Sim.

—— Sim.

—— Sim.

 

Questionário feito por Google Planilhas. Participantes, professores da rede pública estadual:

edgarclebs@prof.educacao.sp.gov.br

ecjs.ms@gmail.com

dac###@gmail.com

dalacar11@gmail.com

miekoarashirogiovanna@gmail.com

angelapositivo35@gmail.com

ceciliaadasilva3@gmail.com

ceciliaadasilva3@gmail.com  (1)

marcelacamposdefreitas@gmail.com

fortricardo@gmail.com

andersonroliveira@prof.educacao.sp.gov.br

 

PESQUISA POR ESTUDO EXPERIMENTAL

 

Na pesquisa por estudo experimental foi analisada uma sala de 30 alunos do 4º ano do fundamental I, com alunos de 9 a 10 anos, durante o período de 5 meses, com cerca de 3 a 4 aulas semanais usando plataformas digitais e os outros dias somente aulas presenciais sem o uso de plataformas digitais. As plataformas usadas foram as fornecidas pelo Estado de São Paulo, sendo a plataforma de matemática: Matific. E a de leitura e atividades de língua portuguesa: Elefante Letrado.

O que foi constatado é que o uso de plataformas é benéfico se e somente se forem utilizadas apenas como recurso lúdico interativo, para uma complementação da aula presencial.

 

O uso da plataforma Elefante Letrado oferece diversos livros infantis, onde o aluno lê no notebook e também pode acessar fora da escola. Durante as aulas os alunos leram em atividades individuais e outras atividades foi feita a leitura compartilhada. Também foi usado o uso de Telão e projetor com a Plataforma Elefante Letrado e a leitura compartilhada de livros infantis.

RELATÓRIO DE LIVROS LIDOS. ELEFANTE LETRADO

 

Plataforma Digital de Leitura: Elefante Letrado.

Livros Lidos: 326.

Em andamento: 2127.

Tempo de Leitura: 65 horas e 20 minutos.

30 estudantes.

RELATÓRIO DA PLATAFORMA DE MATEMÁTICA. MATIFIC

 

Exportado em: 11 ago 2024

Atividades Únicas Concluídas

Tempo gasto

Pontuação média

18

5 h 40 min

51%

0

-

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0

-

-

2

24 min

100%

1

2 min

0%

2

14 min

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0

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1

3 min

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0

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0

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2

14 min

70%

4

22 min

63%

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0

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1

18 min

80%

0

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2

24 min

5%

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0

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6

47 min

57%

1

20 min

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0

-

-

3

18 min

27%

4

29 min

47%

3

29 min

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0

-

-

0

-

-

1

26 min

20%

12

47 min

85%

1

3 min

20%

 

No início do ano a sala apresentava muita dificuldade em escrita e matemática. Praticamente nenhum aluno sabia e nem conhecia tabuada, nem divisão. A maioria tinha dificuldade em soma e subtração e muita falta de concentração.

 

Os alunos foram separados em carteira individuais, restringindo as conversas em salas de aula pelo professor e chamando a atenção dos dispersos frequentemente, além da comunicação e reunião frequente com os pais, pedindo apoio, respeito e foco, para poder dar disciplina e direcionamento para a sala.

Os alunos conversadores foram separados e foi iniciado um trabalho de aulas interativas, trabalhando na lousa com giz e no caderno das crianças. Foi feito um trabalho de exercícios constantes, repetitivos e com um aumento gradual de dificuldades, tanto em matemática, raciocínio lógico e em escrita, sintaxe básica em língua portuguesa, com bastante exercícios de escrita, cópias, ditados, redações, bilhetes e gêneros textuais.

 

Paralelamente foi feito um trabalho de leitura com a plataforma Elefante Letrado.

Em língua portuguesa foi muito trabalhada a parte escrita a lápis, mesclando a criatividade de bilhetes, redações, construções de histórias, com gramática, conjugações de verbos, sintaxe básica e bastantes cópias e depois leituras em voz alta, sendo leitura individual e depois em grupo.

 

Como um sistema didático, pedagógico e educacional bastante diretivo, metódico e disciplinar, o uso de plataformas digitais uma vez por semana foi positivo e ajudou a parte interativa da turma.

Os alunos que são condicionados com aulas presenciais se cansam com os jogos de matemática, achando-os monótonos, embora a plataforma acabe estimulando o raciocínio lógico se e somente se for usada como um complemento das aulas presenciais.

 

O resultado é eu após 5 meses os alunos estão fazendo divisão na chave com algarismos de até 6 dígitos no dividendo e até três dígitos no divisor, memorizaram a tabuada até o dez e estão lendo e solucionando problemas com metro, litro, mililitros, quilômetros, grama e quilograma. Além de ter alunos com 41 livros infantis lidos na plataforma Elefante Letrado. O resultado das aulas presenciais, didáticas, com carteiras separadas, com interatividade em horas determinadas e com o complemento das plataformas foi positivo, mas é importante ressaltar que as plataformas educacionais somente são positivas se forem usadas como complemento das aulas presenciais.

 

ANÁLISES SOBRE O MOMENTO ATUAL

 

É notório e real que existe um movimento tecnocrata mundial de indução para o mercado digital. Esse movimento acontece também na educação e são interesses que envolvem a digitalização da educação, alinhada aos interesses internacionais e nacionais. Pois isso gera uma economia diferente e alinhada com o chamado globalismo, ou seja, a subordinação da economia global aos modos operantes dos maiores influentes do Fórum Econômico Mundial, bem como à subordinação econômica aos maiores bancos mundiais e à subordinação econômica e ideológica aos maiores líderes e empresas influentes dominantes da ONU.

Os EUA e a China expandiram imensamente o seu monopólio econômico após a pandemia. Pandemia que foi recheada por diversos tipos de fraudes, tanto nacionais, quanto internacionais. E que submeteram o mundo para um novo tipo de economia, toda dependente das Big Techs, que por sua vez, respondem às políticas econômicas, sociais e ideológicas da ONU, dos EUA e da China, num complexo jogo de interesses, de revoluções culturais, econômicas, digitais e sociais.

É um processo de massificação dos meios eletrônicos, tanto de eletrônicos propriamente ditos, como celulares e produtos, como meios eletrônicos, que é um comércio emergente.

Sabemos que o MEC, além de todos os Estados e municípios gastaram quantidades enormes de dinheiro com produtos da Google, como Google Classroom e outras plataformas. A educação é um campo, uma oportunidade e um negócio para empresas como Microsoft e Google, com plataformas.

Tudo isso se junta ao vício eletrônico de crianças, jovens e adolescentes, que juntamente com todo esse processo da Quarta e Quinta Revolução Industrial, a Revolução Digital, vem a ser oportuno para que esse sistema tecnocrata introduza de maneira negativa os chamados de jogos “eletrônicos” e “games educativos” para o mercado da educação, de modo a introduzir de maneira oportuna uma série de plataformas para todas as secretarias de educação do Brasil e para o MEC, como sendo um produto “benéfico e educacional”.

Esse é um grande problema e as grandes indústrias estão de olho nesse problema, se aproveitando disso e colocando como uma pseudo solução os chamados “jogos educacionais”, com o intuito de vender seus produtos para o mercado educacional e manter um monopólio comercial perante a máquina estatal.

 

Isso acontece claramente com o atual governo do Estado de São Paulo, onde a secretaria da educação está obrigando a rede pública e os professores a usarem as plataformas digitais em toda a educação básica. As redações do ensino fundamental 2 e ensino médio já estão sendo corrigidas por IA e os alunos do fundamental 2 e ensino médio pouco tem de aulas, pois as aulas são majoritariamente em plataformas digitais, onde os alunos se distanciam da educação real. Isso está acontecendo em português, inglês, matemática, geografia, ciência e todas as disciplinas.

 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo adquiriu a plataforma Matific em um contrato que, segundo informações divulgadas em 2021, teve um valor aproximado de R$ 69,9 milhões. E os alunos se quiserem jogar fora da rede estadual precisam pagar e comprar a plataforma.

 

É uma plataforma viciante e pouco educativa, pois para a criança aprender matemática é necessário que a criança aprenda a pensar e no jogo tudo é muito intuitivo, ou seja, a criança “chuta” até acertar e não raciocina necessariamente.

 

CONCLUSÃO

 

O maior argumento do Estado para a flexibilização do EAD na educação básica é de que a educação não chega no campo e não chega em lugares distantes e que, por isso, deveria se sanar essa falha do Estado com a educação EAD na educação básica. Sabemos que essa flexibilização tem outra intenções, que é a mudança gradual da legislação, para a implementação legal do EAD na educação infantil e na educação básica, o que já está ocorrendo com o   PL 2497/2021 aprovada agora e com a lei 14.533/2023 sancionada pelo atual presidente.

 

Se a educação e as escolas físicas não chegam no campo e em lugares distantes do país é simplesmente e puramente por uma omissão do Estado. Não podemos permitir que se desfigura a Constituição de 1988, que exige que a educação é dever do Estado, simplesmente desfigurando o que seja educação e colocando como educação o EAD na educação báscia. Isso é um absurdo!

Se a educação e as escolas não chegam em determinados lugares do país é porque o Estado é ineficiente. Não podemos permitir que o Estado Brasileiro e seus governantes driblem o dever da educação e da escola, que é dever do Estado e da família.

 

Além de tudo isso, interesses das grandes corporações não podem se sobrepor na construção da educação do povo brasileiro e de país como o Brasil. É necessário que os governos brasileiros não cedam a esses interesses. Para isso é necessário que os profissionais da educação mantenham posturas firmes em relação aos princípios técnicos, éticos, morais e históricos da construção e da história da educação, para cobrarem uma postura governamental mais alinhada com a educação e menos alinhada com interesses obscuros. Não podemos deixar que governos sucateiem a educação e entreguem a construção educacional de um povo e de uma nação nas mãos de interesses de monopólio tecnológico. Também não podemos permitir que todo esse movimento já estruturado para forçar a desconstrução da escola e da figura do professor ganhe ainda mais força.

 

Percebemos esse movimento governamental em vários setores, como no setor universitário, onde existe uma espécie de “mantram” dizendo que a solução da educação no país seja o EAD e que a “melhoria” da educação estaria nas plataformas chamadas “educacionais”.

 

Todo esse movimento faz com que seja forçada uma demanda de trabalhos em universidades que façam apologias de pseudos benefícios da educação EAD e do uso de tecnologias digitais para a educação básica. Os profissionais de educação e toda classe pedagógica precisam ficar atentos, pois é interesse dos governos terem uma série de argumentos para a implementação majoritária da educação EAD e de plataformas educacionais na educação básica, pois isso, além de baratear os serviços governamentais com educação à longo prazo, faz com que exista um monopólio ideológico governamental. Pois, a partir do momento que todo material didático se torna controlado pelo Estado, esse material deixa de ter o vínculo com o livre pensar e com os princípios democráticos, que são as pluradidades de ideias dos alunos e professores e do contato real de troca de ideias, o que é muito perigoso para um povo e para uma nação.

 

É claro que existem benefícios na educação EAD e no uso de ferramentas digitais na educação, mas isso tem que ser dosado. Esse uso na educação básica precisa ser muito bem dosado, no sentido de ser apenas uma educação digital, o que é positivo, mas nunca uma sobreposição à escola física e jamais uma sobreposição à sala de aula física e à figura do professor em sala de aula.

 

O uso da internet e meios eletrônicos na educação é uma realidade e só pode ser benéfica se for usada apenas e tão somente apenas como mais uma ferramenta para a educação e jamais como prioridade.

 

A Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023 de Lula da Silva altera a LDB/96 e coloca a educação digital como prioridade para a educação básica, o que é um erro, pois a prioridade da educação básica deve ser a prática de escrita, o pensamento lógico e a matemática.

A Lei 14.533 está redigida de maneira artificial, superficial e equivocada, pois colocada da forma que está, ela obriga o uso de plataformas digitais educacionais, podendo inclusive substituir o professor por plataformas digitais, o que já é uma realidade da prática pedagógica do Estado de São Paulo, do Estado do Paraná e de outros Estados da Federação, principalmente no fundamental 2 e no ensino médio, onde na prática, a obrigatoriedade das plataformas retiraram o trabalho de sala de aula do professor.

 

Existem interesses tanto de grupos e de empresas nacionais quanto internacionais, querendo a “fatia desse bolo” do mercado da educação e isso está se sobrepondo às qualidades básicas da educação básica, que na prática deveriam ser a escrita física e o raciocínio lógico, além das atividades socioemocionais da criança em sala de aula e a vida da criança dentro da escola. A obrigatoriedade do uso plataformas na educação já é uma realidade e estão tirando os estudantes da sala de aula, para colocá-los em um mundo virtual, que sabemos que as intenções são a princípio, fundir a educação presencial com a EAD, a chamada educação híbrida e depois passar tudo para o EAD. Só não fizeram isso ainda, porque a legislação ainda não permite, mas já estão flexibilizando toda a legislação.

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O que precisamos é despertar a consciência dos profissionais da educação, pois nada substitui o professor e a escola física, com atividades sociais, comunicação real e principalmente a escrita física, que desenvolve várias propriedades do cérebro, além de físicas, como a coordenação motora. Os estudos nesse trabalho provam que a escrita física desenvolve habilidades psicomotoras, coordenação motora, percepção, além de desenvolver o cérebro e faculdades mentais e emocionais. O que a educação digital não desenvolve, pois tudo é muito artificial, onde o aluno pode simplesmente errar até acertar, sem entender o que está fazendo e sem entender a matéria. Além de todo esse problema, existe a interação das perguntas ao professor, das perguntas de um aluno com o outro, pois o ser humano é vivo e não é um androide.

 

“A internet é uma ferramenta e devemos usá-la e não ser usados por ela”. (Datti, 2021).

 

A análise aponta uma preocupante falta de senso crítico nas universidades e na produção acadêmica. Os trabalhos de conclusão de curso (TCC), bem como as dissertações e teses, muitas vezes refletem interesses financeiros que visam consolidar o monopólio do discurso. Essa tendência é observada em diversas áreas do conhecimento.

A digitalização de tudo é sim um perigo e se não for dosada, pode ser extremamente nociva.

Vimos as crianças voltarem para as escolas sem ter a mínima noção de convivência, algumas com problemas sérios psicológicos e de comunicação e algumas que nem tiraram suas máscaras até agora. Isso não pode ser considerado “normal e educativo”.

Nós, profissionais da educação, precisamos ter consciência e introduzir no discurso a crítica à educação digital e principalmente às plataformas chamadas de “educacionais”.

Plataformas digitais como um recurso, tudo bem, como uma educação digital, tudo bem, mas como princípio, jamais!

A solução é o uso da internet apenas como ferramenta para a educação. A prioridade da educação deve ser presencial e o predomínio da escrita física, por vários motivos de desenvolvimento cognitivo, perceptivo, cerebral, mental, além de diversos elementos formativos do desenvolvimento humano que a escrita física desenvolve e promove.

 

A solução é o uso da internet apenas como ferramenta para a educação e a prioridade da educação presencial e da escrita física. Os estudos apontam que a internet oriunda da revolução industrial é um fato e não tem retrocesso. A educação digital é uma realidade e a revolução tecnológica digital está avançando assustadoramente.

O homem precisa se adaptar, porém, essa adaptação deve ser o menos nocivo e prejudicial possível.

A pandemia revelou que a defasagem escolar por falta da escrita física, por falta da convivência escolar, por falta do contato das crianças com outras crianças, por falta do contato com a escola física, pois tudo isso foi retirado. Isso provou que o EAD e a educação digital podem ser complementos e devem fazer parte da educação, mas jamais podemos perder o foco da educação presencial, da escrita física, do contato humano, da escola física e presencial na educação básica.

Percebemos que existem interesses econômicos internacionais e nacionais para fazer um movimento favorável ao ensino híbrido e a predominância do ensino EAD, com o sucateamento e barateamento dos custos de educação para o Estado.

Precisamos lutar a favor da escola física, a favor da escrita física e manual e a favor do convívio humano escolar.

 

A utilização da internet e dos meios eletrônicos na educação é uma realidade inevitável. No entanto, deve ser encarada como uma ferramenta auxiliar, e não como a prioridade do processo educativo. A Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023, que altera a LDB/96, erroneamente coloca a educação digital como foco principal da educação básica.

Na verdade, a prioridade deve ser o desenvolvimento da escrita, do pensamento lógico e da matemática.

 

Essa legislação, redigida de maneira superficial, pode levar à imposição do uso de plataformas digitais educacionais, comprometendo o papel do professor em sala de aula. Já observamos, em algumas regiões, como no Estado de São Paulo, no Paraná e em outros estados, a substituição do ensino presencial por “soluções digitais”, o que prejudica a qualidade da educação.

 

Interesses de grupos e empresas, tanto nacionais quanto internacionais, estão se sobrepondo às necessidades básicas da educação. A ênfase em plataformas digitais, em vez de promover habilidades fundamentais como: a escrita física e o raciocínio lógico, ao invés disso, essa imposição por plataformas na educação acabam por afastar os estudantes da convivência real e das atividades socioemocionais essenciais.

É crucial despertar a consciência dos profissionais da educação e também dos alunos sobre a importância do ensino presencial. A interação entre alunos e professores, o desenvolvimento de habilidades psicomotoras e a compreensão real do conteúdo são aspectos que a educação digital não pode proporcionar de forma adequada. A escrita física, em particular, estimula diversas faculdades mentais e emocionais, enquanto a aprendizagem digital tende a ser mais mecânica e despersonalizada.

 

A digitalização desenfreada pode ser prejudicial e, sem uma abordagem crítica, corremos o risco de comprometer o desenvolvimento integral das crianças. A pandemia expôs defasagens significativas na convivência e na comunicação, evidenciando que a educação a distância deve ser um complemento e não um substituto da experiência presencial.

 

Assim, reiteramos que a solução passa pelo uso da internet como uma ferramenta auxiliar, mantendo a prioridade na educação presencial e na prática da escrita física. A adaptação à revolução digital deve ser feita de maneira que minimize os danos ao desenvolvimento humano. Precisamos lutar para preservar o valor do convívio humano, da escola física e da escrita manual, resistindo a pressões que favoreçam a predominância do ensino a distância.

 

A educação deve sempre priorizar o contato humano, a interação social, o convívio real e o desenvolvimento de habilidades que só podem ser cultivadas em um ambiente escolar tradicional. A luta pela educação de qualidade, centrada na escrita física na educação básica e nas interações sociais, é fundamental para o futuro das crianças, adolescentes e adultos, para a construção da verdadeira cidadania e para a construção e liberdade de um povo, com os princípios éticos, morais, sociais de uma verdadeira democracia.

Dener José Datti

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