A MASSIFICAÇÃO DA EDUCAÇÃOATRAVÉS DO EAD, PLATAFORMAS E MATERIAIS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO
A MASSIFICAÇÃO DA EDUCAÇÃOATRAVÉS DO EAD,
PLATAFORMAS E MATERIAIS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO
DENER JOSÉ DATTI
THE MASSIFICATION OF EDUCATION THROUGH EAD,
PLATFORMS AND DIGITAL MATERIALS IN EDUCATION
DENER JOSÉ DATTI
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS 2024
RESUMO
Contextualização: Esse trabalho surgiu da necessidade de
analisar criticamente o avanço e o excesso das tecnologias educacionais na
educação brasileira.
Problema: O uso excessivo e inadequado de tecnologias educacionais
na educação básica, especialmente a Educação a Distância (EAD), compromete o
desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. A ênfase excessiva nas
plataformas digitais ameaça o papel fundamental do professor, o aprendizado
presencial de habilidades essenciais (como a escrita), e o relacionamento
social na escola. Além disso, favorece a mercantilização da educação e expõe os
estudantes ao risco de vício em jogos eletrônicos e à influência de monopólios
no setor educacional, enfraquecendo a qualidade e o propósito da educação
presencial.
Objetivo: Conscientizar os profissionais da educação sobre os
riscos da implementação excessiva de tecnologias digitais na educação básica,
promovendo uma reflexão crítica sobre o equilíbrio entre o ensino presencial e
digital, com foco no desenvolvimento integral dos alunos e na redução da
influência de monopólios das grandes corporações digitais no ambiente escolar.
Metodologia: Esta pesquisa utiliza uma abordagem
qualitativa, baseada em revisão bibliográfica de artigos científicos, livros de
pedagogia e psicologia, e teorias de desenvolvimento infantil. As fontes
incluem especialistas renomados, como Gardner, Vygotsky e Piaget, com foco nas
implicações do uso da escrita física e das interações sociais no
desenvolvimento integral da criança. A análise crítica correlaciona essas
teorias com questões práticas, sintetizando-as em um referencial teórico coeso
e discutindo as implicações para a educação básica.
Conclusão: A
educação básica deve priorizar o desenvolvimento da escrita física, do
raciocínio lógico e das interações humanas, resistindo ao predomínio do ensino
a distância e ao comércio de plataformas digitais. A tecnologia deve ser uma
ferramenta auxiliar, e não central, para garantir a educação integral das
crianças. É essencial sensibilizar os educadores e responsabilizar os governos
pela proteção da essência da educação.
Palavras-chave:
Dependência. Jogos Eletrônicos. Internet. Mídias Sociais. Educação Infantil.
Pedagogia. Coordenação Pedagógica. Educação. Saúde. Supervisão Educacional.
EAD. Uso educacional da Internet. Jogos Educativos. Políticas Públicas EAD.
MEC. Bill Gates. Google. Internet. Educação.
ABSTRACT
Contextualization: This work arose from the need to critically
analyze the advancement and excess of educational technologies in Brazilian
education.
Problem: The excessive and inappropriate use of educational technologies
in basic education, especially Distance Education (EAD), compromises the
integral development of children and adolescents. Excessive emphasis on digital
platforms threatens the fundamental role of the teacher, the in-person learning
of essential skills (such as writing), and social relationships at school.
Furthermore, it favors the commodification of education and exposes students to
the risk of addiction to electronic games and the influence of monopolies in
the educational sector, weakening the quality and purpose of face-to-face
education.
Objective: To raise awareness among education professionals about
the risks of excessive implementation of digital technologies in basic
education, promoting critical reflection on the balance between face-to-face
and digital teaching, with a focus on the integral development of students and
reducing the influence of large monopolies digital corporations in the school
environment.
Methodology: This research uses a qualitative approach,
based on a bibliographical review of scientific articles, pedagogy and
psychology books, and child development theories. Sources include renowned
experts such as Gardner, Vygotsky and Piaget, focusing on the implications of
using physical writing and social interactions for a child's integral
development. Critical analysis correlates these theories with practical issues,
synthesizing them into a cohesive theoretical framework and discussing the
implications for basic education.
Conclusion: Basic education must prioritize the development of
physical writing, logical reasoning and human interactions, resisting the
predominance of distance learning and the commerce of digital platforms.
Technology should be an auxiliary tool, not a central one, to guarantee the
integral education of children. It is essential to raise awareness among
educators and hold governments accountable to protect the essence of education.
Keywords: Addiction. Electronic Games. Internet. Social Media.
Early Childhood Education. Pedagogy. Pedagogical Coordination. Education.
Health. Educational Supervision. EAD. Educational use of the Internet.
Educational Games. EAD Public Policies. MEC. Bill Gates. Google. Internet.
Education.
SUMÁRIO
A Escrita Física À Mão
Desenvolve O Cérebro,
A Arte, A Percepção E A
Inteligência Múltipla
O Papel Da Escola E Da
Educação Presencial:
A Teoria Das Inteligências
Múltiplas De Howard Gardner:
Médicos, Pediatras,
Psicólogos e Especialistas Alertam Sobre Vício Em Meios Eletrônicos e Internet
Hospitais No Mundo Inteiro
Já Atendem Problemas Psiquiátricos Causados Por Vício Em Internet
Educação EAD e Monopólios:
Uma Análise Crítica do Cenário Atual
PROJETO DE LEI 2497, DE 2021 (Da Sra. LUISA CANZIANI)
RELATÓRIO DE LIVROS LIDOS.
ELEFANTE LETRADO
RELATÓRIO DA PLATAFORMA DE
MATEMÁTICA. MATIFIC
INTRODUÇÃO
Objetivo: Conscientizar os profissionais da educação
sobre os riscos da implementação excessiva de tecnologias digitais na educação
básica, promovendo uma reflexão crítica sobre o equilíbrio entre o ensino
presencial e digital, com foco no desenvolvimento integral dos alunos e na
redução da influência de monopólios das grandes corporações digitais no
ambiente escolar.
Contextualização: O EAD no Brasil foi regulamentado em 1999,
conforme o portal do MEC:
De
acordo com o Art. 2º do Decreto n.º 2494/98, "os cursos a distância que
conferem certificado ou diploma de conclusão do ensino fundamental para jovens
e adultos, do ensino médio, da educação
profissional e de graduação serão oferecidos por instituições públicas ou
privadas especificamente credenciadas para esse fim (...)". (Portal do MEC).
Em 2005, o decreto
5.622 regulamentou o EAD para cursos universitários no Brasil, com cursos de
graduação reconhecidos pelo MEC. Posteriormente o Ministério da Educação criou
o projeto Universidade Aberta do Brasil (UAB).
2007 foi
idealizado o programa e-Tec Brasil, regulamentado em 2009, cursos EAD para
nível técnico. Em 2010 o MEC regulamentou cursos EAD na área da saúde.
A Portaria
Nº 1.134, de 10 de outubro de 2016 regulamentou a oferta EAD para cursos
presenciais e o Decreto Nº 9.057, de 25 de maio de 2017 regulamentou o artigo
80 da Lei nº 9.394/1996, estabelecendo normas para a oferta de educação na
modalidade a distância (EaD) em diferentes níveis, incluindo educação básica,
técnica, profissional, graduação e pós-graduação.
A partir de 2023 foi implementada a Lei de Política Nacional de Educação
Digital, lei 14.533, lei que obriga a educação digital na educação básica,
alterando a LDB, determinando no (Art. 2º, VI) a universalização da
conectividade das escolas à internet de alta velocidade e o fornecimento de
equipamentos adequados. Também exige o desenvolvimento de plataformas digitais
educacionais e repositórios de conteúdo. No (Art. 3º) a lei integra o uso de ferramentas digitais para
letramento digital, programação, robótica e pensamento computacional nos
ambientes escolares e prevê o uso de ferramentas de autodiagnóstico e
plataformas educacionais para profissionais e estudantes.
Em paralelo,
governos estaduais começaram a fazer exigências de plataformas educacionais na
educação básica, a exemplo do Estado de São Paulo e Paraná, gerando protestos de professores de
educação básica e várias críticas:
Professores
fazem mobilização contra uso de plataformas digitais em SP.
Os
professores da rede pública estadual de São Paulo fazem a partir de
segunda-feira (13) uma mobilização contra as plataformas digitais nas escolas.
No ano passado, o governo estadual implementou um sistema de ensino baseado em
aplicativos, com conteúdo e atividades pré-estabelecidas. (...) Os professores
da rede pública estadual de São Paulo fazem a partir de segunda-feira (13) uma
mobilização contra as plataformas digitais nas escolas. No ano passado, o
governo estadual implementou um sistema de ensino baseado em aplicativos, com
conteúdo e atividades pré-estabelecidas.
(Daniel Mello – Agência Brasil, 2024).
No estado do
Paraná também ocorreram vários protestos:
“Não estamos
dando aulas, apenas preenchendo plataformas', afirmam professores da rede
pública do Paraná”. (Mayala Fernandes – Brasil de Fato, 2024).
Em 2023 o
sindicato APP do Paraná fez uma pesquisa que revelou que:
Para
83% dos(as) professores(as), plataformas digitais não melhoraram aprendizado de
estudantes no Paraná. Dados
exclusivos da pesquisa Plataformização da Educação refletem estudos
internacionais sobre os riscos do uso excessivo de tecnologias em sala de aula.
Os dados são da pesquisa “Plataformização da Educação”,
realizada pela APP-Sindicato e o Instituto IPO em julho deste ano com
educadores(as) de todo o estado. A percepção dos(as) professores(as) da rede
encontra eco no relatório “Tecnologia na educação: uma ferramenta a serviço
de quem?”, publicado pela Unesco, que aponta
prejuízos à aprendizagem advindos do uso excessivo de tecnologias na sala de
aula.
(APP Sindicato, 2023).
Em 5 de
julho de 2024 a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou o EAD para
a educação básica, aprovando o Projeto de Lei (PL) 2.497/21, que permite o
ensino híbrido na educação infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental,
nos anos finais e no ensino médio.
E é nesse
contexto que esse trabalho é desenvolvido, com foco nos riscos pelo excesso das
tecnologias educacionais principalmente na educação infantil e básica, o que a
própria UNESCO faz um alerta. O Relatório Global de Monitoramento da Educação
2023, publicado pela UNESCO em 26 de julho, aborda o impacto da tecnologia na
educação e levanta preocupações sobre o uso excessivo e intensivo das
ferramentas digitais nas salas de aula.
No artigo da
Escola de Medicina e Saúde Pública Bahiana de Paula Fernanda Lima Ribeiro, a
autora apresenta uma pesquisa sobre a consequência do uso abusivo de internet
na saúde mental das crianças e adolescentes.
Portanto,
é necessária a monitorização do tempo de exposição a tela, promovendo um uso
mais seguro e crítico da internet e prevenindo eventos adversos ligados às
tecnologias. Contudo, mais estudos são necessários, principalmente entre a
população brasileira. (...)
Quando
ocorre o uso precoce, excessivo e prolongado da internet, jogos online ou redes
sociais durante a infância, isso acarreta efeitos em longo prazo e prejuízos à
saúde mental, psicológica e cognitiva. Embora a internet, os avanços
tecnológicos e redes sociais tenham facilitado o acesso à comunicação e a busca
de informações, além de se tornarem uma importante ferramenta de contato
social, a exposição excessiva aos ambientes digitais pode se tornar
problemática, trazendo consequências para o bem-estar e a saúde dos usuários
(Ribeiro, 2022, p. 6).
No artigo de
Ketlen S. Pereira e Roger G. Rodrigues, intitulado: “IMPACTOS DO USO DE TELAS
NA SAÚDE MENTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: Uma Revisão Bibliográfica”, os
autores alertam sobre os excessos do uso de tela na saúde de crianças e
adolescentes.
Segundo
pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP, 2016) o uso
prematuro e em excesso das telas como jogos online, redes sociais,
plataformas de filmes e vídeos na Internet pode causar prejuízos de
socialização e cognição; transtornos mentais, aumento de ansiedade, violência, cyberbullying,
transtornos de sono e alimentação, sedentarismo, problemas auditivos, visuais,
posturais e lesões por esforço repetitivo.
(Pereira.
Rodrigues. 2024).
O crescente
vício em internet e meios eletrônicos preocupa especialistas, como apontado em
estudos que associam o uso excessivo da internet a problemas de relacionamento,
isolamento social e queda no desempenho acadêmico (Pirocca, 2012; Brezing, 2010).
Segundo Abreu (2013), jogos eletrônicos são a principal causa da dependência
entre adolescentes do sexo masculino, acentuando a necessidade de uma análise
crítica sobre o avanço das tecnologias educacionais. Os autores abordam a
questão do vício, embora o vício seja um problema para algumas pessoas, isso
não significa que a internet ou tecnologias educacionais sejam as culpadas para
todos os usuários.
A questão da
citação do vício em internet nesse trabalho tem o objetivo de destacar a
importância de um olhar mais cauteloso ao excesso do uso de plataformas
educacionais na educação e o chamado ensino híbrido, autorizado recentemente, o
que vem crescendo no Brasil.
Problema: A problemática central é a substituição do ensino
presencial e da interação professor-aluno pelo uso excessivo de plataformas
digitais, impulsionado por legislações como a Lei 14.523/2023, que impõem a
educação digital na educação básica. Esse modelo ameaça desvalorizar o papel do
professor, comprometer a qualidade do ensino e afetar o desenvolvimento social
e acadêmico dos estudantes. Além disso, o uso excessivo de tecnologias traz
riscos de dependência digital, com impactos negativos na saúde e no desempenho
escolar de crianças e adolescentes. A imposição desse modelo tem gerado protestos
de educadores, que defendem uma educação humanizada e equilibrada.
Este
trabalho reflete sobre a transformação na educação básica no Brasil, com a
introdução de legislações para o ensino híbrido e EAD, com foco na educação
infantil e básica, como a Lei 14.523/2023, que incentiva o ensino digital e o
modelo híbrido. No entanto, esse cenário levanta questões sobre os riscos do
EAD e das plataformas digitais, especialmente devido ao aumento do vício em
jogos e à substituição de práticas tradicionais. A pesquisa destaca a
importância da educação presencial para o desenvolvimento integral dos alunos,
enquanto explora o papel de monopólios que visam comercializar a educação.
Com exemplos
de protestos de professores no Brasil contra o uso excessivo de ferramentas
digitais, o estudo propõe uma reflexão sobre os limites éticos e educacionais
do uso da tecnologia, essencial para preservar o desenvolvimento de habilidades
fundamentais e a interação social dos estudantes.
O projeto de
pesquisa "A Massificação da Educação Através do EAD" analisa o
aumento do uso da educação a distância no Brasil, impulsionado por
investimentos do Governo Federal e parcerias estaduais e municipais. Esse
movimento, ao substituir professores e estruturas físicas por plataformas
digitais, tem a premissa de inclusão de difusão do ensino híbrido, mas gera
preocupações quanto à qualidade educacional, à homogeneização do pensamento e
ao favorecimento de interesses comerciais. A pesquisa questiona se essa
transição realmente representa um avanço ou se compromete a diversidade
pedagógica e o ensino tradicional.
O movimento
de expansão da educação a distância (EAD) no Brasil iniciou-se com o decreto nº
2.494 de 1998, e ganhou força em 2010, quando o Governo Federal incentivou a
expansão de faculdades privadas por meio de programas como FIES e PROUNI, além
da PEC 217/2003, que permitiu cobrança de taxas em universidades públicas.
Segundo Chaves (2016), o financiamento público ao setor privado através do FIES
resultou em um crescimento maior das matrículas no setor privado que no
público, com R$ 16,5 bilhões investidos em 2015. Além disso, o Projeto de Lei
2979/20 permite ensino à distância no ensino fundamental e médio, enquanto
parcerias com grandes empresas de tecnologia têm aumentado o uso do EAD.
Durante a pandemia, observou-se uma perda de habilidades básicas entre crianças
fora da escola, incluindo escrita e habilidades sociais, segundo o UNICEF
(2022).
Pode-se
afirmar que o grande volume de recursos associados ao FIES e ao ProUni que se
dirigem às instituições privadas contribuiu de forma fundamental para que o
quantitativo de matrículas continuasse a aumentar mais no setor privado que no
público. No ano de 2015, o total de recursos associados aos dois programas
atingiu R$ 16,5 bilhões, significando em torno de 15% dos recursos empenhados
pelo governo federal na Função Educação, valor significativo, em face dos R$ 12
bilhões de complementação ao Fundeb, realizado pela União. (Chaves, 2016).
A pandemia
revelou que crianças perderam a prática de escrita: a pandemia revelou que as
crianças fora da escola perderam significativamente a prática de escrita e a
capacidade de se relacionar com outras crianças e com adultos.
“Crianças
perderam habilidades básicas de aritmética e alfabetização. Globalmente, a
interrupção da educação significou que milhões de crianças perderam
consideravelmente o aprendizado que teriam adquirido se estivessem na sala de
aula, com crianças mais novas e vulneráveis enfrentando a maior perda.”
(UNICEF, 2022).
Metodologia: Esta pesquisa adota uma abordagem
qualitativa, baseada em revisão bibliográfica de artigos científicos, livros de
pedagogia, psicologia e medicina, com foco nas implicações do ensino presencial
e do uso excessivo de meios eletrônicos para o desenvolvimento infantil. As
fontes incluem autores renomados como Gardner, Vygotsky e Piaget, enfatizando a
importância do contato direto entre crianças, professores e outros adultos ao
longo da educação básica (do 1º ano do fundamental I ao 3º ano do ensino
médio). A análise correlaciona essas teorias com dados práticos,
sintetizando-as em um referencial teórico que destaca os impactos negativos do
uso excessivo de tecnologias digitais na saúde e na formação social e acadêmica
de crianças e adolescentes. A pesquisa discute, ainda, a necessidade de cautela
e conscientização quanto à adoção dessas tecnologias e avalia a falta de uma
política governamental adequada sobre o tema.
Conclusão: O trabalho conclui que o uso excessivo de tecnologias na
educação básica, impulsionado por interesses comerciais tanto nacionais quanto
internacionais, compromete o desenvolvimento integral das crianças e
adolescentes. Embora a tecnologia seja uma ferramenta positiva quando usada
adequadamente, a educação presencial deve ser priorizada, pois é fundamental
para o desenvolvimento da escrita física, do raciocínio lógico e das interações
sociais. A recente Lei nº 14.533, que prioriza a educação digital, representa
um risco à essência do ensino básico, que deve focar nas habilidades cognitivas
e emocionais essenciais para a formação plena dos alunos. A conscientização de
pais, educadores e governantes é crucial para evitar a flexibilização excessiva
do ensino a distância e garantir que a educação presencial, que promove a
aprendizagem integral, seja valorizada e preservada. O futuro da educação deve
equilibrar tecnologia e contato humano, preservando a qualidade do aprendizado.
REFERENCIAL
TEÓRICO:
A Escrita Física
À Mão Desenvolve O Cérebro,
A Arte, A Percepção E A Inteligência
Múltipla
Na
escola muitas descobertas são feitas, há aprendizagem, muitas amizades são
construídas, sendo assim, a instituição de ensino é um ponto de apoio para o
crescimento humano, onde se aprende conteúdos, estimula o desenvolvimento
social, colocam-se virtudes em prática, aprende-se a trabalhar em equipe,
desenvolve empatia, entre outros (SESI/MG, 2019). Na escola, a educação é
realizada além dos limites da educação formal, pois abrange também o
desenvolvimento social e aprimora habilidades e competências. (SOUSA, 2022).
A
escola ainda possibilita a oportunidade de convivência com diferentes pessoas e
essa interação com indivíduos fora do núcleo familiar ensina que a sociedade
vai muito além dos limites domiciliares e que o respeito deve ser para todos,
sem qualquer distinção (SESI/MG, 2019). Atualmente, vem aumentando o número de
matrículas de alunos com deficiências e transtornos globais em classes
regulares de todas as etapas da Educação Básica, o que é importante para
desenvolver uma cultura de aceitação e acolhimento por parte de todos (CARVALHO,
2021), onde o aluno com necessidades especiais é estimulado e os demais têm
oportunidades de vencer barreiras e preconceitos (MACIEL, 2019). (Suppi, 2023).
De acordo com (suppi, 2023) a escola física é
importantíssima na construção educacional da criança e do adolescente. Não só
pela parte pedagógica, didática, mas também pelas interações, pelo convívio e
pelo desenvolvimento socioemocional. A construção do conhecimento no espaço
físico em contato com outras crianças e adultos é primordial para a construção
do ser, do conhecimento, da sociabilidade, da interação social, da disciplina, do respeito à diversidade, da
criatividade, da percepção do universo ao seu redor, da construção da
cidadania.
O Papel Da Escola E Da Educação
Presencial:
Principais
Funções Das Brincadeiras Infantis E A Importância Da Criança Brincar E Se
Afastar Dos Meios Eletrônicos
Howard
Gardner, em sua teoria das inteligências múltiplas, propõe que existem
diferentes tipos de inteligência, cada inteligência relacionada com modos
específicos de interação com o mundo. Gardner defende que a escola e a educação
precisam desenvolver todas essas inteligências. De acordo com Gardner, o espaço
físico, a noção espacial, o falar, o ouvir, o relacionar-se, o interagir, o
contato com o outro, todos esses fatores juntos são primordiais e essenciais
para o desenvolvimento dessas inteligências.
A
Teoria Das Inteligências Múltiplas De Howard Gardner:
A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS de HOWARD GARDNER propõe que
existem vários tipos de inteligência, não apenas um único tipo geral. Aqui
estão os oito tipos de inteligência de acordo com sua teoria:
Inteligência
Linguística: É o desenvolvimento da linguagem, da fala, da contextualização, do
discernimento, da escrita e da leitura, dos símbolos.
Inteligência
Lógico-Matemática: É o desenvolvimento da inteligência lógica, de cálculos, de
dedução, da matemática, da lógica na sua essência, na lógica do entendimento
das coisas, dos acontecimentos e da vida.
Inteligência
Espacial: É o desenvolvimento da capacidade de perceber o espaço em sua volta,
de perceber o outro, de perceber o espaço em sua volta e de se perceber
fisicamente dentro de seu espaço.
Inteligência
Corporal-Cinestésica: É o desenvolvimento da coordenação motora, da pulsação,
da dança, do ritmo, da coordenação motora com outras pessoas, da interatividade.
Inteligência
Musical: É o desenvolvimento da sensibilidade e habilidade com ritmo, do canto,
da entonação vocal, da audição para a música, da percepção musical, dos
sentidos em relação à música, do tom e melodia.
Inteligência
Interpessoal: Capacidade de entender e se relacionar com outras pessoas. De
interagir com o outro, de respeitar, de se fazer respeitar, de reivindicar, de
aceitar o outro. É o desenvolvimento dentro da escola, em contato e em
relacionamentos com outras crianças e pessoas.
Inteligência
Intrapessoal: Autoconhecimento e compreensão emocional. É a consciência de seus
próprios sentimentos, de suas motivações e metas.
Inteligência
Naturalista: Sensibilidade e conexão com o mundo natural, da sensibilidade com
a natureza, do respeito e do entendimento da natureza.
Gardner
mostra que a criança necessita do contato pessoal, bem como da escrita física e
das brincadeiras motoras para se desenvolver. Gardner apresenta cientificamente
a necessidade e a importância do desenvolvimento da escrita física como parte
da motricidade na criança.
Howard
Gardner apresentou a Teoria das Inteligências Múltiplas em seu livro
"Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences," publicado em
1983. Nesse trabalho, ele propôs que existem diferentes tipos de inteligência,
desafiando a visão tradicional de que a inteligência é uma única capacidade
mensurável. (Gardner, 1983).
Gardner
propôs alguns princípios básicos para embasar seu conceito de inteligência.
Segundo ele, as inteligências podemser estimuladas a partir do contexto social,
da escola e
realizando atividades diferentes do habitual; todo indivíduo nasce com
alguns tipos de inteligência, as quais podem se combinar e se desenvolverem com
o passar do tempo; inteligência como habilidade de criar, inventar
e descobrir as
coisas de diferentes
perspectivas; inteligência como
capacidade resolver
problemas diante de um contexto
cultural, buscando melhores
caminhos diante de dificuldades, levando
o indivíduo a
tomar decisões corretas
[2, 4, 5].
Além disso, ao aplicar a teoria das IM na escola, alguns pontos devem
ser levados em conta. (Souza. Sitko, 2022).
Psicólogos,
Pedagogos E Cientistas Renomados Enfatizam A Importância Da Educação
Presencial, Da Psicomotricidade, Da Escrita Física E Da Interatividade Com Outras
Crianças Na Educação
Vários
psicólogos e pedagogos renomados defendem a importância da interação social e
do relacionamento afetivo na infância, bem como a necessidade de habilidades de
leitura, escrita e interação na escola. Esses especialistas renomados
escreveram livros e artigos enfatizando a importância dos relacionamentos
socioemocionais na escola, do contato, da interação, da vida escolar, do
contato com o material escolar (físico), da importância do desenvolvimento da
criança e do adolescente na escola, em contato com crianças, adolescentes,
professores e adultos. Henri Wallon aborda o desenvolvimento da
psicomotricidade, especialmente no contexto escolar, em sua obra "A
Evolução da Psicologia da Criança". Vygotsky também fala da importância da
interação e das brincadeiras como correr, pular, brincadeiras com bola, interações,
tudo isso para o desenvolvimento da criança.
Diversos
especialistas abordam a necessidade da escola física na formação do indivíduo,
principalmente na fase dos anos iniciais até o início da vida adulta, que
percorre o período de toda a educação básica.
Dentre esses maiores nomes da psicologia,
pedagogia e áreas correlatas estão:
LEV VYGOTSKY: Um dos principais teóricos do
desenvolvimento infantil, Vygotsky enfatizou a importância da interação social
e do aprendizado colaborativo na construção do conhecimento. Ele destacou a
Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), onde as crianças aprendem melhor com a
orientação de adultos e colegas mais experientes. (Vygotsky, 1934).
JEAN PIAGET: Piaget é conhecido por sua teoria do
desenvolvimento cognitivo, em sua obra “A Linguagem E O Pensamento Da Criança”,
Piaget enfatiza a importância da interação da criança com o ambiente físico e
social para a construção do conhecimento. Ele argumentou que o jogo e a
interação social desempenham um papel crucial no desenvolvimento da
inteligência. (Piaget, 1923).
JOHN DEWEY: Dewey foi um filósofo, psicólogo e educador cujas ideias
influenciaram profundamente a pedagogia moderna. Em sua obra “A Escola E A
Sociedade” ele mostra que a educação deveria ser centrada no aluno e baseada na
experiência prática e na interação social. Ele defendeu uma abordagem hands-on
para o aprendizado, enfatizando a importância do engajamento ativo do aluno na
construção do conhecimento. (Dewey, 1899).
MARIA MONTESSORI: Montessori foi uma médica e educadora
italiana, conhecida por seu método educacional inovador, que enfatiza a
importância do ambiente preparado e do aprendizado autodirigido. Em seu método,
conhecido como “O Método Montessori” ela valorizava a interação social e a
colaboração entre os alunos, bem como o desenvolvimento de habilidades de
leitura, escrita e matemática desde a infância. (Montessori, 1912).
JEROME BRUNER: Bruner foi um psicólogo cognitivo conhecido
por suas contribuições para a teoria da aprendizagem. Na obra “A Formação Da
Educação” Bruner enfatizou a importância da narrativa e da interação social na
construção do conhecimento, argumentando que as crianças aprendem melhor quando
estão envolvidas em atividades significativas e socialmente relevantes.
(Bruner, 1966).
ERIK ERIKSON: Psicanalista conhecido por sua teoria do
desenvolvimento psicossocial, em sua obra “Infância E Sociedade” Erikson
enfatiza a importância dos relacionamentos interpessoais saudáveis na infância
para o desenvolvimento de uma identidade positiva. (Erikson, 1950).
URIE BRONFENBRENNER: Psicólogo do desenvolvimento conhecido pela
sua teoria dos sistemas ecológicos, na obra “O Desenvolvimento Da Criança Na
Comunidade” Bronfenbrenner destacou a influência do ambiente social, incluindo
família, escola e comunidade, no desenvolvimento da criança. (Bronfenbrenner,
1979).
ALBERT BANDURA: Psicólogo conhecido por sua obra “A Teoria
Da Aprendizagem Social”, Bandura argumenta que as crianças aprendem observando
o comportamento de outras pessoas e que a interação social desempenha um papel
crucial no desenvolvimento cognitivo e social. (Bandura, 1977).
CAROL DWECK: Psicóloga conhecida por suas pesquisas sobre
mentalidade (mindset), na obra "Mindset: A Nova Psicologia do
Sucesso" Dweck enfatizou a importância de promover uma mentalidade de
crescimento nas crianças, onde elas veem o esforço e a aprendizagem como
fundamentais para o sucesso, e isso muitas vezes é cultivado através de
interações sociais e relacionamentos positivos. (Dweck, 2006).
PAULO FREIRE: Freire é conhecido por sua abordagem
pedagógica centrada no aluno e na conscientização, trabalhando a interação na
sala de aula e a importância da aula presencial. (Freire, 1968).
LEA PULKKINEN: Psicóloga do desenvolvimento conhecida por
seus estudos longitudinais sobre o desenvolvimento humano, Pulkkinen destacou a
importância dos relacionamentos afetivos na infância para o desenvolvimento
emocional e social ao longo da vida. (PULKKINEN, 1996).
LEILA CURY TARDIVO: Cury Tardivo, uma psicóloga brasileira,
trabalhou extensivamente com crianças e adolescentes em contextos educacionais
e clínicos. Ela advogou pela utilização da escrita e de técnicas interativas
como ferramentas terapêuticas e de auto expressão para auxiliar no
desenvolvimento emocional e no enfrentamento de dificuldades psicológicas.
(Tardivo, 2022).
DONALD WINNICOTT: Winnicott, um psicanalista britânico,
desenvolveu teorias sobre o desenvolvimento emocional e a relação mãe-bebê. Ele
via a brincadeira e a comunicação simbólica, incluindo a escrita e o desenho,
como formas essenciais de expressão e de construção de identidade para crianças
e adolescentes. (WINNICOTT, 1971).
ANNA FREUD: Freud, filha de Sigmund Freud, foi uma psicanalista
austríaca que contribuiu significativamente para a compreensão do
desenvolvimento infantil. Ela reconhecia a importância da expressão criativa e
da comunicação para o bem-estar psicológico das crianças e adolescentes,
defendendo a escrita e outras formas de expressão como meios terapêuticos.
(Freud, A., 1936).
SIGMUND FREUD: enfatizava a importância da comunicação verbal
na terapia psicanalítica. FREUD reconhecia o papel da linguagem escrita como
uma forma de expressão simbólica. Na psicanálise, a interpretação dos sonhos,
por exemplo, muitas vezes envolve análise simbólica de elementos escritos ou
lidos nos sonhos do paciente. Freud também explorou a importância da escrita em
suas próprias obras, utilizando a palavra escrita como uma ferramenta para
expressar suas teorias e insights sobre a mente humana.
FREUD
destacava que os seres humanos possuem vínculos emocionais significativos e
precisam da presença para o aprendizado. Ele apresenta isso em sua TEORIA DAS
RELAÇÕES OBJETAIS, onde Freud desenvolveu a teoria das relações objetais, que
descreve como os seres humanos desenvolvem vínculos emocionais com os outros
desde a infância. Ele argumentava que os primeiros relacionamentos,
especialmente com os cuidadores primários, moldam a maneira como uma pessoa
interage com o mundo ao longo da vida.
FREUD em sua
obra demonstra que as crianças desenvolvem a cognição através do contato e do
exemplo, coisa que as plataformas educacionais não oferecem.
Obras de
Freud que apresentam a importância do contato físico, verbal e dos símbolos,
como a escrita física: "Além do Princípio do Prazer" (1920), "O
Ego e o Id" (1923), "Introdução ao Narcisismo" (1914) e
"Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade" (1905). Transferência e contratransferência: Freud
introduziu os conceitos de transferência e contratransferência na psicanálise
para descrever as maneiras pelas quais os pacientes e os terapeutas se
relacionam entre si durante o processo terapêutico. Ele reconhecia que a
relação terapêutica, baseada na interação e na comunicação entre terapeuta e
paciente, era essencial para o sucesso do tratamento.
Grupo e
sociedade: Embora FREUD tenha se concentrado principalmente na análise
individual, ele reconhecia que os seres humanos são seres sociais e que as
relações sociais desempenham um papel importante em suas vidas. Ele abordou
questões sociais e culturais em várias de suas obras, explorando como as normas
e expectativas sociais influenciam o comportamento humano. (Freud).
Além de FREUD
e de todos os maiores nomes da pedagogia e psicologia apresentados, ainda temos
Jung.
CARL GUSTAV JUNG: A escrita como uma forma de autoexpressão:
Jung via a escrita como uma ferramenta poderosa para a auto expressão e a
exploração do inconsciente. Ele frequentemente incentivava seus pacientes a
manterem diários ou a escreverem sobre seus sonhos e fantasias como parte de
seu processo terapêutico. Jung acreditava que a escrita poderia ajudar as
pessoas a acessarem conteúdos inconscientes e a compreenderem melhor a si
mesmos.
Jung
enfatizava a importância da autorreflexão e do autoconhecimento no processo de
individuação, ou seja, no desenvolvimento do self mais completo e integrado.
Ele via a escrita como uma ferramenta útil para esse fim, permitindo que as
pessoas explorassem seus próprios pensamentos, sentimentos e experiências de
uma maneira mais profunda e consciente.
Simbolismo
da escrita: Como um psicólogo profundamente interessado em simbolismo e
mitologia, Jung reconhecia o poder dos símbolos na comunicação humana. Ele via
a linguagem escrita, assim como os sonhos, como expressões simbólicas do
inconsciente coletivo, que contêm mensagens e significados profundos que podem
ser explorados para fins de autoconhecimento e crescimento pessoal.
Escrita
criativa: Jung também valorizava a escrita criativa como uma forma de expressão
artística e como uma ferramenta para a exploração do inconsciente. Ele próprio
era um escritor prolífico e produziu uma vasta obra que abordava uma variedade
de temas relacionados à psicologia, mitologia, religião e filosofia. (Jung,
1926).
DESENVOLVIMENTO
Médicos, Pediatras, Psicólogos e
Especialistas Alertam Sobre Vício Em Meios Eletrônicos e Internet
Médicos,
pediatras, psicólogos e especialistas consagrados de vários países escreveram
trabalhos científicos provando que o excesso de tecnologias digitais e de
internet são altamente prejudiciais para a saúde e para o desenvolvimento da criança
e do adolescente, mostrando o quão nociva essas tecnologias na educação podem
ser para os estudantes.
Abaixo uma
relação de especialistas consagrados, com a citação dos seus principais
trabalhos mostrando essa realidade:
NICHOLAS KARDARAS: Psicólogo clínico e autor, Nicholas Kardaras
escreveu um livro intitulado "Glow Kids: How Screen Addiction Is Hijacking
Our Kids - and How to Break the Trance" ("Crianças Brilhantes: Como o
Vício em Telas Está Sequestrando Nossas Crianças - e Como Quebrar o
Transe"). Ele expressa preocupações sobre os efeitos do uso excessivo de
telas, incluindo a internet, nas crianças, argumentando que pode levar ao vício
em tecnologia e ter impactos negativos na saúde mental. Ele argumenta que a
exposição a telas pode alterar a química cerebral e afetar o desenvolvimento
emocional e social das crianças, levando a dificuldades na interação face a
face e no controle de emoções. Kardaras também destaca a necessidade de limitar
o tempo de tela e promover atividades offline para melhorar a saúde mental e o
bem-estar das crianças. (Kardaras, 2016).
SHERRY TURKLE: Psicóloga e socióloga do MIT, que é
conhecida por seu trabalho sobre como a tecnologia afeta a sociedade e as
relações humanas. Ela expressou preocupações sobre como o uso excessivo da
tecnologia, incluindo a internet, pode interferir na comunicação cara a cara e
no desenvolvimento de relacionamentos interpessoais. Em seu livro "Alone
Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other,"
publicado em 2011, Turkle explora como a tecnologia, especialmente as redes
sociais e a comunicação digital, está impactando as relações humanas. (Turkle,
2011).
SUSAN GREENFIELD: Neurocientista britânica, Susan Greenfield
tem expressado preocupações sobre o impacto da tecnologia, incluindo a
internet, no desenvolvimento cognitivo, especialmente entre crianças e
adolescentes. Embora ela não condene a internet para a educação, ela alertou
sobre os potenciais efeitos negativos do uso excessivo da tecnologia no cérebro
em desenvolvimento. Em seu livro "Mind Change: How Digital Technologies
Are Leaving Their Mark on Our Brains," publicado em 2015, ela discute como
o uso excessivo de tecnologias digitais pode afetar o desenvolvimento cognitivo
e emocional, sugerindo que isso pode levar a dependências e mudanças na forma
como pensamos e interagimos. (GREENFIELD, 2015).
DOUGLAS A. GENTILE: Psicólogo do desenvolvimento e especialista
em mídia, Gentile realizou extensas pesquisas sobre o impacto dos videogames na
saúde mental, particularmente entre crianças e adolescentes. Ele enfatiza os
potenciais efeitos negativos do uso excessivo de videogames, incluindo o
desenvolvimento de comportamentos viciantes e problemas de saúde mental, como
ansiedade e depressão. Em “Pathological Video Game Use Among Youth: A Two-Year
Longitudinal Study,” publicado em 2011, onde Gentile analisa o vício em jogos e
seu impacto no comportamento e na saúde mental das crianças e adolescentes. Ele
discute os critérios para o vício em jogos e os efeitos negativos associados.
(Gentile, 2011). (Gentile, 2023).
PATRICK MARKEY: Psicólogo e autor do livro "Moral
Combat: Why the War on Violent Video Games Is Wrong" ("Combate Moral:
Por que a Guerra contra os Jogos Violentos Está Errada"), Markey argumenta
que os videogames em si não são a causa de comportamentos violentos ou
viciantes. No entanto, ele reconhece que o uso excessivo e descontrolado de
videogames pode levar ao vício e recomenda um equilíbrio saudável entre tempo
de tela e outras atividades. Markey argumenta que os videogames em si não são a
causa de comportamentos violentos ou viciantes. No entanto, ele reconhece que o
uso excessivo e descontrolado de videogames pode levar ao vício e recomenda um
equilíbrio saudável entre tempo de tela e outras atividades. No livro
"Grand Theft Childhood: The Surprising Truth About Violent Video Games and
What Parents Can Do," co-autorado com a psicóloga Jennifer L. Funk em
2007. Embora o foco principal seja a violência em jogos de vídeo, ele também
discute os riscos associados ao uso excessivo de jogos e da tecnologia,
incluindo a dependência. (Markey, 2007). (Markey, 2015).
Existem
diversos artigos científicos mostrando que a internet e meios eletrônicos podem
trazer sérios danos para crianças e adolescentes.
O artigo: “EFEITOS
NEGATIVOS EFEITOS EM CRIANÇAS, ADOLESCENTES E ADULTOS” (Setzer,2008) mostra
diversos efeitos negativos da internet e meios eletrônicos em crianças e
adolescentes, entre eles: obesidade, depressão, intimidação a colegas
(bullyng), Problemas de atenção e hiperatividade, agressividade e comportamento
antissocial, depressão e medo, indução de atitude machista, dessensibilização
dos sentimentos, indução de mentalidade de que o mundo é violento e violência
não gera castigo, prejuízo para a leitura, diminuição para a leitura do
rendimento escolar e prejuízo para a cognição, confusão de fantasia com
realidade, isolamento e outros problemas sociais, aceleração do
desenvolvimento, prejuízo para a criatividade, autismo, problema do vício, indução
ao consumismo.
17. O
problema do vício
Como
já citado no item 2, há pesquisas mostrando que video games de ação viciam (AMA
2006). Griffiths e Hunt (1998) fizeram uma pesquisa passando um questionário
para 387 adolescentes de 12 a 16 anos. Segundo eles, "A Análise indicou
que um em cada 5 adolescentes eram na ocasião 'dependentes' de jogos com
computador [vídeo games]. Rapazes jogaram significativamente mais do que moças,
e estavam mais sujeitos a ser classificados como 'dependentes'. Quanto mais
cedo as crianças começaram a usar os jogos, havia maior probabilidade de
estarem jogando no nível 'dependente'."
Não é
difícil compreender por que o vídeo game vicia. O jogador desse tipo de jogo
entra num estado de excitação, devido ao desafio de ganhar e, quando se
identifica com um personagem, nos assim chamados "jogos na 1ª pessoa"
(ego-shooters), já descritos no item 4 acima, ele ainda tem a sensação de
"sobreviver" e matar os outros. Esse estado de excitação produz um
sensação interior especial, que comumente é denominada de "alta
adrenalina", e é essa sensação que vicia. Já houve muitas notícias de
jovens que ficaram jogando horas e até dias sem parar, chegando até mesmo a
morrer de exaustão. Por isso a Associação Médica Americana propôs a introdução
de uma nova doença mental no rol das doenças classificadas, o vício em jogar vídeo
games. Muitas pessoas pensam que isso só atinge os jovens e pessoas que já
tinham predisposição para se viciarem, como por exemplo, em jogos de azar.
Parece-me que a extensão do problema mostra que os videogames de ação podem
viciar qualquer um. (Setzer, 2008).
DIMITRI CHRISTAKIS: Pediatra e pesquisador de desenvolvimento
infantil, Christakis expressou preocupações sobre os potenciais efeitos
negativos dos videogames na saúde física e mental das crianças, especialmente
quando são expostas a conteúdos violentos ou passam longas horas jogando. Ele
enfatiza a importância de limitar o tempo de tela e supervisionar o conteúdo
dos jogos. No artigo "The Effects of Media on Children," publicado na
Pediatrics em 2013, onde discute como a exposição a mídias digitais pode afetar
o desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Christakis também é coautor de
vários estudos que analisam os riscos associados ao uso excessivo de telas,
incluindo problemas de atenção, dificuldades de aprendizado e questões
relacionadas ao comportamento. (Christakis, 2013). (CHRISTAKIS, 2016).
RICHARD GRAHAM: Psiquiatria infantil e adolescente. Ele é um
defensor do uso equilibrado da tecnologia e está envolvido em iniciativas para
educar pais e profissionais de saúde sobre o uso responsável da tecnologia por
crianças e adolescentes.
Uma de suas
obras relevantes é "Internet Addiction: A Handbook for Parents and
Teachers," publicada em 2014. Neste livro, ele discute os perigos do uso
excessivo da internet e dos meios eletrônicos para o desenvolvimento das crianças,
abordando questões como dependência, saúde mental e bem-estar. (Graham, 2014).
MICHAEL RICH: Pediatria e saúde infantil. Ele é conhecido
como "Médico da Mídia" e é um defensor da conscientização sobre o uso
excessivo de tecnologia e seus impactos na saúde e no bem-estar das crianças.
No artigo “Children, Adolescents, and the Media: A New Perspective”, publicado
em 2011. Nesse artigo, Rich destaca a necessidade de um uso equilibrado e
consciente da tecnologia, enfatizando a importância da supervisão dos pais e do
engajamento em atividades que promovam o desenvolvimento saudável. (Rich,
2011).
ARIC SIGMAN: Biólogo e psicólogo de desenvolvimento. Ele
escreveu extensivamente sobre os efeitos do uso excessivo de tecnologia,
incluindo jogos digitais, especialmente em crianças e adolescentes. “The Impact
of Screen Media on Children: A Psychological Perspective,” publicado em 2012.
Nesse artigo, Sigman discute como a exposição a telas pode afetar a saúde
física e mental das crianças, ressaltando a necessidade de um equilíbrio entre
o tempo de tela e atividades não digitais, como brincadeiras ao ar livre e
interação social. (Sigman, 2012).
JEAN TWENGE: Psicóloga e professora de psicologia na
Universidade Estadual de São Diego. Ela é conhecida por seu trabalho sobre o
impacto das mídias sociais e da tecnologia na saúde mental e no bem-estar das
crianças e adolescentes. Em seu livro "iGen," publicado em 2017, ela
explora como a geração que cresceu com smartphones e redes sociais (geração
"iGen") enfrenta problemas como aumento da ansiedade, depressão e
solidão.
Autora de
"IGen: Why Today's Super-Connected Kids Are Growing Up Less Rebellious,
More Tolerant, Less Happy--and Completely Unprepared for Adulthood"
("iGen: Por que os Jovens Superconectados de Hoje Estão se Tornando Menos
Rebeldes, Mais Tolerantes, Menos Felizes - e Totalmente Despreparados para a
Vida Adulta"), Twenge examinou os efeitos do uso de tecnologia, incluindo
videogames, na geração iGen (nascidos entre meados dos anos 1990 e meados dos
anos 2000). Ela expressa preocupações sobre o impacto negativo do uso excessivo
de tecnologia, incluindo videogames, na saúde mental e no bem-estar emocional
dos jovens. "iGen: Why Today's Super-Connected Kids Are Growing Up Less
Rebellious, More Tolerant, Less Happy—And Completely Unprepared for
Adulthood," publicado em 2017. (Twenge, 2017).
VICTORIA DUNCKLEY: Psiquiatra infantil e autora de "Reset
Your Child's Brain: A Four-Week Plan to End Meltdowns, Raise Grades, and Boost
Social Skills by Reversing the Effects of Electronic Screen-Time". Ela
enfatiza os impactos negativos do uso excessivo de dispositivos eletrônicos na
saúde mental e no comportamento infantil. Em seu livro "Reset Your Child's
Brain," publicado em 2016, ela argumenta que o uso excessivo de
tecnologia, especialmente das telas, está associado a uma série de problemas de
saúde mental, incluindo dificuldades de atenção, ansiedade e depressão.
(Dunckley, 2016).
MONTANARI: No artigo intitulado: Efeitos clínicos e psicológicos do
tempo excessivo de tela em crianças de SOPHIE DOMINGUES MONTANARI, a autora
aborda a questão dos perigos e efeitos negativos do excesso de internet nas
crianças.
Entre os
pontos, a autora adverte que a diminuição da cognição, obesidade, efeitos
psicológicos e psicóticos, alucinações, apatia, falta de conexão com a
realidade, entre outros efeitos nocivos do excesso de mídias eletrônicas.
Esses são
apenas mais alguns exemplos de psicólogos e pedagogos cujas teorias e pesquisas
destacam a importância da interação social, relacionamentos afetivos e
desenvolvimento de habilidades fundamentais na infância. Suas contribuições têm
influenciado significativamente a compreensão e a prática da educação infantil
em todo o mundo. Um de seus textos relevantes é "A educação diante dos
novos desafios tecnológicos," publicado em 2019.
(Montanari,
2019).
CRAIG A. ANDERSON: Psicólogo especializado em psicologia social
e violência, Anderson realizou pesquisas sobre os efeitos dos jogos violentos
na agressão e no comportamento violento. Ele argumenta que o uso excessivo de
jogos violentos pode levar a comportamentos agressivos e desensibilização à
violência. artigo "Violent Video Game Effects on Aggression, Empathy, and
Prosocial Behavior in Children: A Multiyear Longitudinal Study," publicado
em 2010. Neste estudo, Anderson e seus co-autores analisam os efeitos a longo
prazo de jogos de vídeo violentos, incluindo questões de vício e suas
implicações para o comportamento social. (Anderson, 2010).
ANDREW PRZYBYLSKI: Psicólogo especializado em psicologia da
internet e tecnologia, Przybylski estudou os efeitos dos videogames na saúde
mental e no bem-estar. Embora reconheça que os videogames podem ter benefícios,
como o desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais, ele também alerta
sobre os riscos do uso excessivo, especialmente quando leva ao isolamento
social e ao vício. No artigo "Digital Screen Time Limits and Young
Children's Psychological Well-Being: Evidence From a Population-Based
Study," publicado em 2019. Neste estudo, ele investiga como o tempo de
tela digital se relaciona com o bem-estar psicológico das crianças, explorando
a questão do uso equilibrado da tecnologia. (PRZYBYLSKI, 2019).
Hospitais No Mundo Inteiro Já Atendem
Problemas Psiquiátricos Causados Por Vício Em Internet
Existem
dois tipos de dependência de internet: específica e generalizada. A
específica
envolve o uso excessivo de conteúdos específicos da internet (por exemplo, jogos
de azar, negociações de ações, pornografia). A generalizada é caracterizada
pelo uso multidimensional e excessivo da internet, resultando em consequências
negativas na vida pessoal e profissional. Os sintomas da dependência da
internet generalizada incluem cognições disfuncionais. Na dependência
generalizada os usuários são atraídos por uma sensação de bem-estar online,
demonstrando uma preferência pelo contato virtual, do que pela relação face a
face.
(Davis, 2001, citado
por Young, Dong Yue & Li Ying, 2010).
Hospitais e
centros de saúde mental em todo o mundo estão oferecendo programas e serviços
para ajudar crianças e pessoas com vício em internet. Muitos hospitais e
centros de saúde mental têm programas dedicados ao tratamento de vícios
comportamentais, incluindo o vício em internet. Esses programas podem oferecer
terapia individual, terapia em grupo, intervenções familiares e outras
abordagens para ajudar as pessoas a lidarem com o vício.
Clínicas
especializadas em dependência, que tradicionalmente se concentram em drogas e
álcool, estão expandindo seus serviços para incluir o tratamento do vício em
internet.
Segundo
médicos especialistas, em alguns casos graves, programas de internação em
hospitais psiquiátricos ou centros de reabilitação podem ser necessários para
tratar o vício em internet.
O Hospital
das Clínicas em São Paulo já oferece um serviço especializado de psiquiatria
para dependência em internet.
O
Hospital das Clínicas de São Paulo, da Secretaria de Estado da Saúde, está com
inscrições abertas para estudo e tratamento de pessoas dependentes de internet.
No Instituto de Psiquiatria, qualquer pessoa poderá participar, desde que tenha
entre 18 e 75 anos e se considere dependente, querendo tratamento. (Portal do
Governo de São Paulo, 2007).
Várias
clínicas no mundo inteiro já oferecem tratamento para dependência em internet,
dentre elas estão:
·
ReSTART Life (EUA), Localizada em Washington, esta clínica é
especializada em tratar vícios em tecnologia, oferecendo programas de
reabilitação que incluem terapia individual e em grupo.
·
The Center for Internet and Technology
Addiction (EUA), com sede na
Filadélfia, este centro oferece avaliação e tratamento para vícios em internet
e jogos.
·
Internet Addiction Clinic at the University
of Hong Kong (Hong Kong) - Esta
clínica oferece tratamento para jovens e adultos com problemas relacionados ao
uso excessivo da internet.
·
Treatment Center for Internet Addiction
(Alemanha) - Com várias unidades,
essa clínica fornece tratamento para vícios em internet e jogos, combinando
terapia cognitivo-comportamental com programas de reabilitação.
·
The Priory Group (Reino Unido) - Esta rede de clínicas oferece tratamento
para vários vícios, incluindo vícios em internet e jogos, com uma abordagem
terapêutica abrangente.
·
Tao Wellness Center (EUA) - Localizada na Califórnia, esta clínica se
concentra em vícios em tecnologia e oferece uma abordagem holística para o
tratamento.
·
Castle Craig Hospital (Escócia) - Este hospital especializado em
dependências inclui tratamento para vícios comportamentais, como o vício em
jogos.
·
Paris Centre for Behavioral Addictions
(França) - Especializa-se em
tratar diversos tipos de vícios, incluindo vícios digitais.
·
Programa de Tratamento de Vícios (México) - Algumas clínicas de reabilitação mental
abordam vícios comportamentais, incluindo dependência de internet e jogos.
·
Centro de Tratamento e Reabilitação em Saúde
Mental (Argentina) - Oferece
programas de reabilitação para diversas dependências, incluindo vícios
digitais.
·
Tokyo English Lifeline (TELL) - Oferece suporte psicológico e programas de
aconselhamento, incluindo questões relacionadas a vícios em jogos e internet.
·
Rehabilitation Center for Internet Addiction - Um centro especializado em Tóquio que se
dedica ao tratamento de dependência de internet e jogos eletrônicos.
·
The Addictions Academy - Oferece treinamento e certificação para
profissionais que trabalham com dependências, incluindo vícios em jogos e
internet.
·
Hospital das Clínicas (Brasil) - Algumas unidades têm serviços de saúde
mental que abordam vícios comportamentais, incluindo jogos e internet.
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a "dependência de
jogos" como um transtorno na 11ª Revisão da Classificação Internacional de
Doenças (CID-11), publicada em 2019. Esse transtorno é caracterizado por um
padrão de comportamento de jogo que se torna predominante, levando a
consequências negativas na vida do indivíduo.
A
próxima edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), trará
consigo algumas considerações a respeito do critério diagnóstico do Gaming
Disorder. Por conseguinte, os profissionais da área de saúde terão subsídios
para discussão e identificação dos indicativos do transtorno. De acordo com a
CID-11, a observação se dará a partir dos seguintes padrões: controle
prejudicado sobre os jogos (incluindo: início, frequência, intensidade,
duração, término, contexto); maior prioridade dada aos jogos, ao ponto de o
jogo ter uma proeminência sobre as demais áreas da vida do sujeito; e atividade
contínua nos jogos apesar da ocorrência de impactos e consequências negativas
no cotidiano desse indivíduo. Entretanto, para um legítimo diagnóstico, é
necessário a observação desse sujeito por um período de 12 meses. (OMS, 2021).
(Papi, Santana, Robert, Duarte).
Clínicas
privadas de psicologia e psiquiatria podem oferecer tratamento para o vício em
internet, incluindo terapia cognitivo-comportamental, terapia de grupo e outras
abordagens.
De acordo
com CINEIVA CAMPOLI PAULINO TONO, em sua tese de mestrado intitulada “ANÁLISE
DOS RISCOS E EFEITOS NOCIVOS DO USO DA INTERNET: contribuições para uma
política pública de proteção da criança e do adolescente na era digital”, o
vício em internet, também conhecido como dependência de internet, é uma
condição em que uma pessoa se torna excessivamente preocupada com o uso da
internet, a ponto de interferir significativamente em sua vida diária,
relacionamentos, trabalho e saúde mental. Embora o uso da internet seja uma
parte integral da vida moderna e possa ser uma ferramenta valiosa para
comunicação, aprendizado e entretenimento, o uso excessivo e descontrolado pode
levar ao desenvolvimento de um vício.
De acordo
com (Tono, 2015), os sintomas do vício em internet podem variar, mas geralmente
incluem:
Preocupação
excessiva com a internet: Pensamentos constantes sobre navegar na internet,
jogar online, usar mídias sociais, assistir a vídeos, etc.
Incapacidade
de controlar o uso da internet: Tentativas malsucedidas de reduzir ou
interromper o uso da internet, mesmo quando há consequências negativas.
Tolerância:
A necessidade de usar a internet cada vez mais para alcançar o mesmo nível de
satisfação.
Abstinência:
Sintomas de abstinência quando não é possível acessar a internet, como
irritabilidade, ansiedade, agitação ou depressão.
Prejuízo nas
áreas da vida: O uso excessivo da internet começa a afetar negativamente o
desempenho no trabalho ou na escola, relacionamentos interpessoais, saúde
física e mental, ou outras áreas importantes da vida.
Uso da
internet para escapar de problemas emocionais: Recorrer ao uso da internet como
uma forma de lidar com o estresse, a ansiedade, a solidão ou outras emoções
negativas.
Em
estudo recente, em Taiwan (CHANG et al., 2014), houve a confirmação da
evidência prescrita há 10 anos em estudos no Canadá de que fatores
psicossociais estão associados ao início e à persistência da dependência da
internet entre adolescentes. Atividades on-line, depressão e uso de substâncias
foram importantes preditores de iniciação e da persistência de vício em
internet dos jovens. Ainda como confirmação, mais de 13 mil adolescentes de
14-17 anos de idade de sete países europeus (Grécia, Espanha, Polônia,
Alemanha, Romênia, Holanda e Islândia) participaram de um estudo da National
and Kapodistrian University of Athens, 125 que resultou em evidente prevalência
de comportamento viciante em internet e características psicossociais
problemáticas (TSITSIKA et al., 2011).
Solidão e falta de apoio social são significativamente relacionadas com
depressão entre os viciados em internet na China. O estudo, realizado com
pacientes diagnosticados como dependentes de internet, conclui que a internet
causa dependência, que por sua vez leva à falta de apoio social. A falta de
apoio social, por um lado, pode levar diretamente à depressão; por outro lado,
ela pode afetar indiretamente a depressão por meio da mediação da solidão. Em
resumo, este estudo forneceu insights sobre a relação entre o apoio social, solidão
e depressão. Por outro lado, os atos de apoio social como um fator de proteção
diminuem os sentimentos de solidão, que por sua vez criam um efeito benéfico
sobre a depressão. Assim, para aumentar o nível de saúde mental dos viciados em
internet, deve ser prestado apoio social adequado para lidar com os sentimentos
de isolamento (HE et al., 2014).
(Tono, 2015).
O tratamento
para o vício em internet geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, que
pode incluir terapia individual, terapia em grupo, intervenções familiares,
programas de reabilitação, suporte psiquiátrico e o desenvolvimento de
estratégias de enfrentamento saudáveis. É importante buscar ajuda profissional
se você ou alguém que você conhece estiver enfrentando problemas significativos
devido ao uso da internet.
Como já
apresentado, especialistas consagrados estão fazendo trabalhos em relação ao vício
em jogos eletrônicos, mídias sociais e internet. Ainda se destacam outros
médicos, psicólogos, sociólogos e especialistas, dentre estes estão:
Esses
especialistas não necessariamente condenam a internet para a educação, mas
destacam os potenciais riscos do uso excessivo ou inadequado da tecnologia,
incluindo a necessidade de equilibrar o tempo online com outras atividades
offline e garantir um uso saudável e responsável da internet, especialmente
entre crianças e adolescentes.
Alguns
psicólogos e especialistas em saúde mental têm expressado preocupações sobre o
uso excessivo de videogames e o desenvolvimento de vício em jogos,
especialmente entre crianças e adolescentes. Embora não "condenem"
necessariamente o uso de jogos de forma geral, eles destacam os potenciais
riscos associados ao uso excessivo e descontrolado.
É importante
observar que, embora esses psicólogos e especialistas expressem preocupações
sobre o uso excessivo de videogames e o desenvolvimento de vícios em jogos,
muitos reconhecem que os videogames também podem ter benefícios, como o
desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e motoras, quando usados de
forma moderada e equilibrada. A chave está em promover um uso saudável e
responsável dos videogames, especialmente entre crianças e adolescentes, com
supervisão adequada por parte dos pais e educadores.
O vício em
internet, caracterizado pela incapacidade de controlar o uso excessivo da rede,
tem se tornado um problema de saúde pública global. Segundo Cristiano Nabuco,
médico especializado em vício em internet, essa dependência se manifesta pelo
envolvimento crescente e compulsivo com atividades online, como jogos, redes
sociais e pornografia.
DRAUZIO VARELLA, médico brasileiro, alerta para o aumento
alarmante do vício em internet entre crianças e adolescentes, com consequências
como o isolamento social, o declínio do desempenho escolar e problemas de saúde
mental.
A "American Academy of Pediatrics' Media
Use Guidelines," no estudo “Infância digital: uso de mídia eletrônica e
tecnologia entre bebês, crianças pequenas e pré-escolares”, mostrou que nos
Estados Unidos, crianças passam, em média, 44,5 horas semanais em frente às
telas, enquanto no Japão e na Coreia do Sul, milhões de jovens sofrem com os
efeitos da dependência digital, incluindo problemas de sociabilidade, depressão
e dificuldades de comunicação. Diante desse cenário, a Organização Mundial da
Saúde (OMS) já classificou o uso excessivo de videogames como um transtorno
mental.
Vício
em games será considerado transtorno de saúde mental
A
partir de 2022, o comportamento obsessivo associado a jogos eletrônicos poderá
ser diagnosticado e tratado por profissionais de saúde mental. (...)
A
nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas
Relacionados com a Saúde, a CID-11, tem previsão para entrar em vigor em 2022.
Anunciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a décima primeira revisão
traz mudanças como a inclusão do distúrbio de games como um problema de saúde
mental. (Bueno, 2022).
Educação EAD e Monopólios: Uma Análise
Crítica do Cenário Atual
E as
Big Techs estão em peso no setor de educação: segundo levantamento do
Observatório Educação Vigiada, uma iniciativa de divulgação científica de
pesquisadores acadêmicos e de organizações sociais, metade das 76 secretarias
de educação estaduais e municipais utilizam serviços do Google ou da Microsoft
para o ensino básico. Já entre 145 universidades brasileiras, 80% delas
utilizam servidores ou do Google ou da Microsoft.
(Coelho;
Spagnuolo; 2023).
É fato que a
educação EAD possui grandes interesses de monopólio de uma indústria em
ascensão. Isso impacta negativamente na didática, na pedagogia e na educação.
Pegamos como
exemplo a pandemia. Fato é que, após a pandemia, o mundo, principalmente o
ocidente ficou economicamente mais dependente de grandes monopólios de países
como os EUA e a China. Se antes o dinheiro do brasileiro era injetado no
comerciante da esquina, que mantinha seu armazém com as vendas físicas; após a
pandemia, o brasileiro passou a comprar de plataformas como a Amazon, eBay,
Walmart, Target e uma grande variedade de lojas online. Mesmo que você compre
um produto nacional pela internet, você estará pagando indiretamente para
empresas estrangeiras como o Google. Isso é indiretamente e até diretamente uma
maneira de se evadir uma parte do capital econômico nacional para fora, só
através de compras pela internet.
Na educação
isso não é diferente, após a pandemia, o governo federal juntamente com os
governos dos estados brasileiros passaram a pagar o Google e a Microsoft, além
de outras grandes empresas de plataformas digitais.
“Google e
Microsoft superam estimativas e ampliam ganhos com demanda por serviços digitais
em alta na pandemia”. (O Globo, 2021).
“A dona do
Google anunciou nesta terça-feira que sua receita aumentou para US$ 55,31
bilhões no primeiro trimestre, contra US$ 41,16 bilhões um ano antes. Analistas
esperavam US$ 51,70 bilhões.” (O Globo, 2021).
Independentemente
de sua origem, a pandemia funcionou como um catalisador significativo para as
economias dos Estados Unidos e da China, impulsionando diversos setores em
ambos os países. Nos EUA os setores ligados às big techs e na China os setores
ligados à tecnologia.
“Senadores
dos EUA questionam Apple e Google sobre domínio de lojas de aplicativos.
Parlamentares questionaram abuso de poder das big techs ao excluir ou suprimir
aplicativos que estejam competindo com seus próprios produtos.” (O Globo, 2021).
Esse
movimento já vinha sendo feito por gigantes como a Microsoft, que injetou
dinheiro em publicidade em universidades do mundo inteiro, para garantir a
venda de plataformas e jogos tidos como “educacionais”, promovendo os jogos
“educativos”.
A Microsoft
começou a investir em educação digital e plataformas digitais em diferentes
momentos ao longo dos anos. Um marco importante foi em 2001, quando a empresa
lançou o programa "Microsoft in Education", que visava integrar
tecnologias de informação e comunicação no ambiente escolar.
“O Brasil é
muito rico para o setor de games”, diz CEO da Microsoft Gaming.”
(Sollitto, 2023).
Após a
pandemia, a supressão da escola física começou a se transformar no que era uma
necessidade, em um interesse comercial e uma espécie de modismo.
Diante de
tantas evidências da necessidade da escola física, da interatividade, do
convívio e do desenvolvimento da criança e do adolescente em uma escola física,
faz-se necessária a reflexão sobre os riscos dos excessos do uso de tecnologias
digitais na educação.
A Lei 14.533
sancionada por Luís Ignácio Lula da Silva, de 11 de janeiro de 2023 institui a
obrigatoriedade da educação digital na educação básica, que vai do 1º ano, para
crianças de 6 anos de idade até o ensino médio. A lei obriga o uso de
plataformas digitais, dentre os diversos artigos da lei, eu destaco:
Art.
2º O eixo da inclusão digital deverá ser desenvolvido, dentro dos limites
orçamentários e no âmbito de competência de cada órgão governamental envolvido,
de acordo com as seguintes estratégias prioritárias:
I -
promoção de competências digitais e informacionais por intermédio de ações que
visem a sensibilizar os cidadãos brasileiros para a importância das
competências digitais, midiáticas e informacionais;
II -
promoção de ferramentas on-line de autodiagnóstico de competências digitais,
midiáticas e informacionais;
III -
treinamento de competências digitais, midiáticas e informacionais, incluídos os
grupos de cidadãos mais vulneráveis;
IV -
facilitação ao desenvolvimento e ao acesso a plataformas e repositórios de recursos digitais;
V -
promoção de processos de certificação em competências digitais;
VI -
implantação e integração de infraestrutura de conectividade para fins
educacionais, que compreendem universalização da conectividade da escola à
internet de alta velocidade e com equipamentos adequados para acesso à internet
nos ambientes educacionais e fomento ao ecossistema de conteúdo educacional
digital, bem como promoção de política de dados, inclusive de acesso móvel para
professores e estudantes. (...)
Art. 3º O eixo Educação Digital Escolar tem como objetivo
garantir a inserção da educação digital nos ambientes escolares, em todos os
níveis e modalidades, a partir do estímulo ao letramento digital e
informacional e à aprendizagem de computação, de programação, de robótica e de
outras competências digitais, englobando: (...)
Art. 6º No âmbito da Política Nacional de Educação Digital,
a implementação dos seguintes eixos habilitadores constituirá dever do poder
público, observadas as incumbências estabelecidas nos arts. 9º, 10 e 11 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional):
(...)
XII - educação digital,
com a garantia de conectividade de todas as instituições públicas de educação
básica e superior à internet em alta velocidade, adequada para o uso pedagógico,
com o desenvolvimento de competências voltadas ao letramento digital de jovens
e adultos, criação de conteúdos digitais, comunicação e colaboração, segurança
e resolução de problemas.
(Lei
14.533 – Presidência da República, 2023).
Análise dos pontos principais:
Artigo 2º:
Este artigo aborda estratégias de inclusão digital, como a promoção de
ferramentas online de autodiagnóstico e o acesso a repositórios de recursos
digitais. Isso sugere que plataformas educacionais devem ser utilizadas para
facilitar esse acesso e treinamento.
Artigo 3º: O
eixo da Educação Digital Escolar enfatiza a inserção da educação digital em
todos os níveis de ensino. Isso inclui o uso de tecnologias e plataformas
educacionais para o desenvolvimento de competências digitais, como programação
e letramento digital.
Artigo 6º:
Este artigo menciona que o poder público deve desenvolver projetos que promovam
competências digitais e métodos de ensino inovadores, indicando que plataformas
educacionais são necessárias para implementar essas iniciativas e apoiar o
aprendizado em ambientes digitais.
Os tópicos
acima evidenciam a necessidade de se utilizar plataformas educacionais para
atender às diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Educação Digital.
O uso
obrigatório de plataformas digitais nas escolas da rede estadual de ensino tem
gerado sobrecarga e revolta nos professores que dizem que a imposição traz
menos qualidade no trabalho e desrespeita o planejamento das aulas. Já a
Secretaria de Educação do Paraná (SEED – PR) defende o uso como suporte à
docência.
Atualmente,
são mais de 20 plataformas e aplicativos, sendo que, pelo menos sete têm uso
imposto pela SEED. O uso das ferramentas,
segundo professores e especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato Paraná,
desrespeita a autonomia pedagógica, limita o ensino e acaba por atrapalhar o
planejamento das aulas que muitas vezes nada tem a ver com o que está inserido
nas plataformas organizadas sem a participação das equipes pedagógicas das
escolas.
(Caldas. Brasil de Fato, Paraná, 2023).
Os Estados
já estão adotando as medidas impostas pela Lei Fedaral 11.4533, O Estado de São
Paulo adotou medidas semelhantes, juntamente com Minas Gerais, Rio de Janeiro,
Bahia, Pernambuco, Ceará, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, todos
esses estados possuem programas com obrigatoriedade do uso de plataformas
digitais nas escolas públicas.
Educação
Conectada: 6 estados já se preparam para usar tecnologia digital nas escolas.
(...) BNDES destinará R$ 22 milhões (...) Representantes de Sergipe, Tocantins,
Minas, Goiás, Rio Grande do Sul e Paraíba estiveram no BNDES para discutir a
implantação dos projetos. Representantes de Rio Grande do Sul, Paraíba,
Sergipe, Tocantins, Minas Gerais e Goiás estiveram no BNDES (...) (MEC) e que
apoiará com R$ 21,9 milhões projetos de uso de tecnologias digitais em 435 escolas
municipais e estaduais (...).
(Agência BNDES, 2019).
O objetivo
desse trabalho não é de condenar os jogos educativos, ou ser contra a educação
EAD, mas sim de questionar a forma e a maneira como isso tudo vem acontecendo e
o que existe de negativo nisso tudo, como vício em jogos, desconexão com a
realidade e o principal, a dificuldade da escrita pelos nossos estudantes,
causada pela falta da prática da escrita física, como a falta de relacionamento
e de práticas em salas de aulas, além da desvalorização da escola tradicional e
física, como meio de desenvolvimento humano e social.
De acordo
com o relatório "Analfabetismo
Funcional no Brasil: um perfil", elaborado pelo Instituto Paulo
Montenegro e pela Ação Educativa em 2018, cerca de 29 % dos jovens brasileiros
entre 15 e 29 anos são considerados analfabetos funcionais, ou seja, possuem
habilidades limitadas de leitura, escrita e matemática. (Instituto Paulo
Montenegro, 2018).
E agora com
a IA (Inteligência Artificial) esse analfabetismo irá aumentar ou diminuir?
As redações
com IA já são uma realidade.
E o que isso
impacta na soberania e liberdade de um povo?
Um povo com
grande percentual de analfabetismo será fatalmente dominado economicamente,
ideologicamente e politicamente por outro país; além de que o conhecimento é
algo que vai além do imediatismo; é muito profundo. Platão na sua obra "A
República" argumenta que a educação é essencial para a formação de
governantes justos e para a justiça na sociedade. (Platão, 380a.C.).
O governo
brasileiro juntamente com o MEC vem cortando verbas da educação presencial e
injetando dinheiro em EAD. A Agência Brasil informa que recentemente o Governo
Federal investiu 186,6 bilhões para a indústria digital no Brasil. (Planalto.
Agência Brasil, 2024).
A Comissão
de Educação da Câmara dos Deputados aprovou (em 5/7) o Projeto de Lei (PL)
2.497/21, que prevê a oferta de ensino híbrido na Educação Básica. Com isso,
estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental poderão ter aulas remotas,
além das presenciais. (Correio do Povo, 2024).
O
governo federal publicou, nesta sexta-feira, uma portaria que permite a oferta
de ensino a distância (EAD) na educação básica e flexibiliza parâmetros para a
oferta de cursos a distância no ensino superior. O decreto permite que escolas
de ensino fundamental ofereçam essa modalidade de ensino para públicos-alvo
específicos e deixa em aberto a utilização dessa modalidade no ensino médio,
técnico, da educação especial e da educação de jovens e adultos.
(CBESP, 2024).
Mas será que
esses interesses são realmente à educação?
É necessário
analisar criticamente o avanço das tecnologias educacionais e principalmente do
EAD na educação brasileira, principalmente na educação básica, bem como o uso
de plataformas digitais e educacionais, analisando criticamente o que o MEC,
governos e prefeituras vêm adotando, sempre como um argumento de “um avanço” na
educação. É interesse da sociedade e da comunidade de profissionais da educação
analisar os interesses de monopólios internacionais de mercado, além dos
interesses da indústria do EAD internacional e nacional, bem como as chamadas
plataformas e jogos eletrônicos para a educação.
As
escolas públicas de todo o país receberão aporte para apoiar o desenvolvimento
de projetos de incorporação de tecnologias digitais na educação básica. A
chamada pública Educação Conectada – Implementação e Uso de Tecnologias
Digitais na Educação, que terá investimento de até R$ 20 milhões, foi lançada
nesta sexta-feira, 27, pelo Ministério da Educação, em parceria com o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). (Portal do MEC, 2019).
Investimento – Com a destinação dos
R$ 224 milhões será possível contratar os serviços de conexão à internet,
implantar infraestrutura para distribuição do sinal nas unidades escolares, e
adquirir ou contratar dispositivos eletrônicos - como roteador e nobreak.
(Portal do MEC, 2018).
Governos
como o governo do Estado de São Paulo e do Paraná vêm adotando medidas
impositivas, ligadas aos interesses e investimentos para a EAD. E onde isso
impacta na educação e no desenvolvimento da escrita? Principalmente na educação
básica, que corresponde do fundamental 1 ao ensino médio? (Mello, 2024).
O uso
obrigatório de plataformas digitais nas escolas da rede estadual de ensino tem
gerado sobrecarga e revolta nos professores que dizem que a imposição traz
menos qualidade no trabalho e desrespeita o planejamento das aulas. Já a
Secretaria de Educação do Paraná (SEED – PR) defende o uso como suporte à
docência.
(Caldas, 2023).
É notório e
real que existe um movimento tecnocrata mundial de indução para o mercado
digital. Esse movimento acontece também na educação e são interesses que
envolvem a digitalização da educação, alinhada aos interesses internacionais e
nacionais. Pois isso gera uma economia diferente e alinhada com os interesses
do chamado globalismo (Retondar, 2007), ou seja, a subordinação da economia
global aos modos operantes dos maiores influentes do Fórum Econômico Mundial,
bem como à subordinação econômica aos maiores bancos mundiais e à subordinação
econômica e ideológica aos maiores líderes e empresas influentes dominantes da
ONU.
A
mundialização do consumo: publicidade e cultura na era da globalismo.
(...)
o poder que as corporações e as instituições mundiais de poder representativas
do capital global passaram a ter sobre os Estados-nacionais se tornou um dos
emblemas da era do globalismo. Como destacou Ianni: “Uma espécie de governo mundial manifesta-se
nas diretrizes, atuações e interpretações das instituições que organizam e
controlam o sistema monetário internacional. Suas atuações propiciam a dinamização
das forças do mercado, mas segundo as coordenações do status quo, os princípios
da economia política do neoliberalismo. (...)
Essa nova forma de dominação, que se pode denominar ‘colonialismo de
mercado’, subordina povos e governos ao jogo anônimo e às manipulações
deliberadas das forças desse mercado, uma situação sem precedente histórico
nesta escala”. (Ianni).
(Retondar, 2017).
Os EUA e a
China expandiram imensamente o seu monopólio econômico após a pandemia.
Pandemia que foi recheada por diversos tipos de fraudes, tanto nacionais,
quanto internacionais. E que submeteram o mundo para um novo tipo de economia,
toda dependente das Big Techs, que por sua vez, respondem às políticas
econômicas, sociais e ideológicas da ONU, dos EUA e da China, num complexo jogo
de interesses, de revoluções culturais, econômicas, digitais e sociais.
No
ano da pandemia de covid-19, mais ricos ganharam US$813 bilhões. Os negócios
que mais lucraram durante a crise do novo coronavírus foram de tecnologia e
saúde. Os setores que mais lucraram na pandemia foram tecnologia e saúde, que
aumentaram a riqueza 43% e 50% em comparação com dados do final de 2017. Jeff
Bezos, presidente da Amazon, e Elon Musk, presidente da Tesla, adicionaram 60
bilhões de dólares aos seus respectivos patrimônios líquidos em 2020. (Revista Exame. Agrela, 2019).
É um
processo de massificação dos meios eletrônicos, tanto de eletrônicos
propriamente ditos, como celulares e produtos, como meios eletrônicos, que é um
comércio emergente.
Sabemos que
o MEC, além de todos os Estados e municípios gastaram quantidades enormes de
dinheiro com produtos da Google, como Google Classroom e outras plataformas. A
educação é um campo, uma oportunidade e um negócio para empresas como Microsoft
e Google, com plataformas.
Bilionários
americanos ficaram US$ 1,1 trilhão mais ricos durante a pandemia. Juntos, os
bilionários dos Estados Unidos ficaram US$ 1,1 trilhão — quase 40% — mais ricos
desde meados de março, de acordo com um relatório publicado na terça-feira
pelos grupos Institute for Policy Studies e Americans for Tax Fairness.
(CNN Brasil. Egan, 2021).
Tudo isso se
junta ao vício eletrônico de crianças, jovens e adolescentes, que juntamente
com todo esse processo da Quarta e Quinta Revolução Industrial, a Revolução
Digital, vem a ser oportuno para que esse sistema tecnocrata introduza de
maneira negativa os chamados de jogos “eletrônicos” e “games educativos” para o
mercado da educação, de modo a introduzir de maneira oportuna uma série de
plataformas para todas as secretarias de educação do Brasil e para o MEC, como
sendo um produto “benéfico e educacional”.
As grandes
indústrias estão de olho nesse problema, se aproveitando disso e colocando como
uma pseudo solução os chamados “jogos
educacionais”, com o intuito de vender seus produtos para o mercado educacional
e manter um monopólio comercial perante a máquina estatal.
O
BNDES e o Ministério da Educação (MEC) promovem chamada pública para apoio a
projetos de incorporação de tecnologias digitais na educação pública.
(...) A chamada pública utilizará até R$
20 milhões, em recursos financeiros não reembolsáveis do Fundo Social do BNDES,
que é constituído com uma parcela dos lucros anuais do Banco. (BNDES, 2018).
Outro
argumento usado pelo Estado é de que a educação não chega no campo e não chega
em regiões distantes. Ora, se não chega é por omissão do próprio Estado. A solução
não pode ser a desestruturação da educação, ou seja, o Estado não investe em
construir escolas, então, a “solução” é a “flexibilização” do EAD na educação
básica. Isso é o cúmulo do absurdo!
Inicialmente,
a minuta que seria votada previa a possibilidade da educação semipresencial
para o ensino médio. Hoje a lei já permite que essa etapa tenha até 20% da
carga horária a distância no período diurno e 30% no noturno. O texto inicial
deixava ainda uma brecha para que isso passasse a valer posteriormente no 6º ao
9º ano do fundamental. Após intervenções de parte dos conselheiros e do próprio
secretário da Educação, Rossieli Soares, a medida foi estendida para todo o
ensino fundamental.
(Folha de São Paulo. ABMES, 2020).
Isso
acontece claramente com o atual governo do Estado de São Paulo, onde a
secretaria da educação está obrigando a rede pública e os professores a usarem
as plataformas digitais em toda a educação básica.
As redações
do ensino fundamental 2 e ensino médio já estão sendo corrigidas por IA e os
alunos do fundamental 2 e ensino médio pouco tem de aulas, pois as aulas são
majoritariamente em plataformas digitais, onde os alunos se distanciam da
educação real. Isso está acontecendo em português, inglês, matemática,
geografia, ciência e todas as disciplinas.
A Secretaria
da Educação do Estado de São Paulo adquiriu a plataforma Matific em um contrato
que, segundo informações divulgadas em 2021, teve um valor aproximado de R$
69,9 milhões. E os alunos se quiserem jogar fora da rede estadual precisam
pagar e comprar a plataforma.
O Governo de
São Paulo implementou o Matific como regra para o fundamental I. É exigência da
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo que os professores adotem
semanalmente aulas com jogos eletrônicos de matemática, onde muitas vezes, os
alunos nem raciocinam e apenas jogam tentando acertar, pois é um jogo
eletrônico.
“Matific
oferece games matemáticos para mais de 1,5 milhão de alunos da rede estadual.”
(Site do Governo do Estado de São Paulo, 2020).
É uma
plataforma viciante e pouco educativa, pois para a criança aprender matemática
é necessário que a criança aprenda a pensar e no jogo tudo é muito intuitivo,
ou seja, a criança “chuta” até acertar e não raciocina necessariamente, além de
que esse jogo induz a criança para o vício eletrônico.
O fim de jun.2023, a companhia anunciou um recurso de tutoria personalizada para alunos com foco no ensino médio
baseado em inteligência artificial (que exige grande quantidade de dados).
Em jun.2022, o Google fechou um acordo com o Ministério da Educação para oferta de ferramentas
educacionais, incluindo um pacote "gratuito" de ferramentas de
produtividade do Google Workspace.
E esses são apenas alguns exemplos.
"Hoje, a maior parte das secretarias estaduais de
educação do Brasil usam plataformas de Big Techs, especialmente do
Google", comentou Meira, afirmando que esse movimento acelerou muito no
começo da pandemia e com a necessidade de passar para o regime de ensino remoto.
(Coelho; Spagnuolo. Observatório Educação
Vigiada).
E a educação
EAD na educação básica é um fator que os profissionais de educação precisam
refletir. Como já citado, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados
publicou uma portaria através do Governo Federal, que permite o EAD na educação
básica, que vai do fundamental 1 ao ensino médio.
Parágrafo
único. Em períodos de emergência, a educação híbrida poderá ser adotada na
educação infantil e no ensino fundamental.
Art.
2º As atividades pedagógicas não presenciais serão consideradas, nos termos da
regulamentação dos sistemas de ensino, para cumprimento da carga horária anual,
assegurado em suas normas o acesso de alunos e professores aos meios
necessários para a realização dessas atividades.
PROJETO DE LEI 2497,
DE 2021 (Da Sra. LUISA CANZIANI).
Temos o PL 2497/2021 que
permite o EAD na educação básica, aprovado pelo governo atual e temos a lei de
educação digital, Lei 14.533, que praticamente obriga o uso de plataformas
digitais educacionais na educação básica. Mas devemos perguntar as seguintes
indagações:
E a prática de escrita
na educação básica? E a interação com outras crianças e com os adultos? E as
mães que precisam deixar os filhos na escola? E crianças que ficarão na rua? E
o desenvolvimento socioemocional da criança?
Tudo isso precisa ser
levantado.
METODOLOGIA DE PESQUISA
O trabalho
adotou a metodologia qualitativa com foco na revisão bibliográfica, na análise
de artigos científicos, de publicações, teorias e conceitos relacionados à
escrita física, ao desenvolvimento infantil e educação. Essa abordagem permitiu
uma compreensão aprofundada dos temas abordados, baseando-se em estudos e obras
de teóricos renomados na área da educação e psicologia. Também foi usada a
revisão sistemática, a análise de conteúdos e estudos de casos.
Etapas da
Pesquisa
Revisão Bibliográfica: A pesquisa começou com uma extensa revisão
da literatura existente sobre os impactos da escrita física e das interações
sociais no desenvolvimento infantil.
Foram
consultadas obras clássicas e contemporâneas de autores como Howard Gardner,
Lev Vygotsky, Jean Piaget e outros, permitindo um embasamento teórico robusto.
Foram
levantadas diversas publicações de pesquisas científicas elencadas por grandes
autores da medicina, da pedagogia, da psicologia, da psicanálise, da sociologia
e do desenvolvimento cognitivo na criança e no adolescente.
Foram
levantadas diversas publicações sobre médicos, pediatras, pedagogos, psicólogos
e especialistas sobre vício em internet e em meios eletrônicos.
Juntamente
foram levantadas publicações, locais e hospitais que tratam vício em internet e
meios eletrônicos, mostrando que existe um vasto material e centros de
tratamentos para vícios em internet e meios eletrônicos.
Além de todo
esse material, foram levantadas publicações de sites governamentais sobre leis,
legislações e ações para implementação do EAD na educação básica e da
obrigatoriedade do uso de plataformas digitais e de jogos eletrônicos na
educação básica.
Seleção de Fontes: Foram escolhidos artigos, livros e estudos
que abordam a importância da educação presencial, da psicomotricidade e da
interação entre crianças. A seleção priorizou fontes reconhecidas na área da
educação e psicologia, garantindo a qualidade e a relevância das informações.
As seleções
sobre os artigos dos especialistas, teses de mestrado e publicações foram
feitas no Google Acadêmico e no Scielo Brasil, além de livros consagrados de
pedagogia, psicologia e educação.
Análise Crítica: A análise das obras revisadas envolveu uma
interpretação crítica das ideias apresentadas pelos autores, correlacionando-as
com as questões práticas e teóricas discutidas no texto. Essa etapa permitiu
identificar conexões entre os conceitos de desenvolvimento infantil e a
importância da escrita física, a importância da escola, do meio, da
interatividade, sociabilidade e desenvolvimento da criança e do adolescente
dentro do espaço escolar.
Síntese das Informações: Os dados coletados foram organizados e
sintetizados em um referencial teórico coeso, que destaca a relevância da
escrita, da interação social, da vida dentro da escola, com interatividade,
psicomotricidade e materiais físicos no contexto educacional. Essa síntese
possibilitou a formulação de uma argumentação sólida em defesa da prática
educativa que integra essas dimensões.
Discussão e Conclusões: A pesquisa culminou na discussão das
implicações práticas das teorias revisadas para a educação contemporânea,
enfatizando a necessidade de uma abordagem que valorize a escrita física, as
interações pessoais e a vida escolar na vivência da escola no seu espaço
físico, em contato com outras crianças, com os professores, adultos e com a
comunidade escolar, essenciais na formação integral da criança.
Essa
metodologia permitiu não apenas a construção de um conhecimento teórico, mas
também a reflexão sobre práticas educativas que promovem o desenvolvimento saudável
e completo das crianças.
Etapas
da Pesquisa
Revisão Bibliográfica: A pesquisa começou com uma extensa revisão
da literatura existente sobre os impactos da escrita física e das interações
sociais no desenvolvimento infantil.
Foram
consultadas obras clássicas e contemporâneas de autores como Howard Gardner,
Lev Vygotsky, Jean Piaget e outros, permitindo um embasamento teórico robusto.
Foram
levantadas diversas publicações de pesquisas científicas elencadas por grandes
autores da medicina, da pedagogia, da psicologia, da psicanálise, da sociologia
e do desenvolvimento cognitivo na criança e no adolescente.
Foram
levantadas diversas publicações sobre médicos, pediatras, pedagogos, psicólogos
e especialistas sobre vício em internet e em meios eletrônicos.
Juntamente
foram levantadas publicações, locais e hospitais que tratam vício em internet e
meios eletrônicos, mostrando que existe um vasto material e centros de
tratamentos para vícios em internet e meios eletrônicos.
Além de todo
esse material, foram levantadas publicações de sites governamentais sobre leis,
legislações e ações para implementação do EAD na educação básica e da
obrigatoriedade do uso de plataformas digitais e de jogos eletrônicos na
educação básica.
Seleção de Fontes: Foram escolhidos artigos, livros e estudos
que abordam a importância da educação presencial, da psicomotricidade e da
interação entre crianças. A seleção priorizou fontes reconhecidas na área da
educação e psicologia, garantindo a qualidade e a relevância das informações.
As seleções
sobre os artigos dos especialistas, teses de mestrado e publicações foram
feitas no Google Acadêmico e no Scielo Brasil, além de livros consagrados de
pedagogia, psicologia e educação.
Análise Crítica: A análise das obras revisadas envolveu uma
interpretação crítica das ideias apresentadas pelos autores, correlacionando-as
com as questões práticas e teóricas discutidas no texto. Essa etapa permitiu
identificar conexões entre os conceitos de desenvolvimento infantil e a
importância da escrita física, a importância da escola, do meio, da
interatividade, sociabilidade e desenvolvimento da criança e do adolescente
dentro do espaço escolar.
Síntese das Informações: Os dados coletados foram organizados e
sintetizados em um referencial teórico coeso, que destaca a relevância da
escrita, da interação social, da vida dentro da escola, com interatividade,
psicomotricidade e materiais físicos no contexto educacional. Essa síntese
possibilitou a formulação de uma argumentação sólida em defesa da prática
educativa que integra essas dimensões.
Discussão e Conclusões: A pesquisa culminou na discussão das
implicações práticas das teorias revisadas para a educação contemporânea,
enfatizando a necessidade de uma abordagem que valorize a escrita física, as
interações pessoais e a vida escolar na vivência da escola no seu espaço
físico, em contato com outras crianças, com os professores, adultos e com a
comunidade escolar, essenciais na formação integral da criança.
Essa
metodologia permitiu não apenas a construção de um conhecimento teórico, mas
também a reflexão sobre práticas educativas que promovem o desenvolvimento
saudável e completo das crianças.
PESQUISA:
A MUDANÇA COMPORTAMENTAL DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES DEVIDO À INTERNET, JOGOS E
MEIOS ELETRÔNICOS
A pesquisa abaixo foi feita com um
grupo de profissionais que trabalham na área da educação, sendo professores do
ensino fundamental 1, 2 e ensino médio na cidade de São Paulo, na Escola
Estadual Caetano de Campos. A pesquisa foi feita através do Formulário Google,
no link:
Foram onze
professores entrevistados, cada resposta dada com um travessão corresponde a um
professor.
PESQUISA:
Existe
notoriamente uma mudança de comportamento nas crianças e nos adolescentes.
Existe um aumento acentuado na agitação e na falta de noção de conduta das
crianças, como:
- falta de atenção
contínua e desordenada,
- falta de
foco e falta de concentração,
- falta de
respeito mútuo e de aceitação e compreensão de regras,
- desordem
mental na fala, olhar,
- falta de
capacidade de ordem, como fazer filas e se comportar,
-
inquietação constante e desordenada,
-
necessidade constante de fala e de ser notado,
Além desses
tópicos, existem outros. Existem vários fatores que levam à essa desordenação
de comportamento, mas existe um forte indício de que o fator tido como o
principal sejam os usos excessivos e constantes da internet, redes sociais que
dão a sensação de “mundo instantâneo”, jogos eletrônicos, e o acesso indevido e
desenfreado aos conteúdos indevidos na internet, o acesso ao mundo fantasioso
digital como dancinhas de Tik Tok, com conotação sexual, de incentivo às
drogas. E especialmente para as crianças, existem principalmente os jogos
eletrônicos e games, com o uso do celular e a quantidade de futilidade da
internet acessada pelas crianças.
Além de tudo
isso, tem o fator do vício em internet e da falta de comunicação, que tem
gerado um aumento na falta de noção do outro e da falta de noção da realidade
nas crianças e nos adolescentes.
Baseado
nessas premissas gostaria que você professor preenchesse o seguinte
questionário:
1- Você tem notado um aumento do comportamento
disperso e inadequado nos alunos?
—— Sim.
—— Sim. O
aluno distrai-se facilmente.
—— Absurdo.
—— Sim.
—— Sim...
Sim.
—— Sim!
—— Sim.
—— Sim.
—— Sim.
—— Sim.
—— Sim.
2- Você tem notado um aumento do comportamento
disperso e inadequado nos alunos?
—— Sim.
—— Sim.
—— Sim.
—— Falta de
interesse e foco.
—— Sim. Com
muita frequência. Sim.
—— Sim, e
percebo que vem se evoluindo...
—— Sim!
—— Sim.
—— Sim.
—— Sim.
—— Sim.
—— Sim.
3- Você percebeu um aumento na falta de calma
das crianças e adolescentes? Um imediatismo, uma falta de capacidade de ouvir e
interagir adequadamente?
—— Sim.
—— Sim, por
serem somente ouvintes, não podendo contribuir com suas fala na interação com
os desenhos, na falta (restrições no uso de celular), ele quer expor toda
energia acumulada, ou seja, ele quer ser ouvido. Onde ele tem este momento? Na
escola!
—— Falta de
capacidade de ouvir e irritação.
—— Sim.
Observo isso diariamente.
—— Com
certeza, tudo tem que ser imediato, sem reflexão...
—— Sim!
—— Sim
—— Sim
—— Sim.
—— Sim, um
aumento de irritabilidade e inquietação também. As crianças não eram assim.
4- Você acredita que além da pandemia, o fator
internet seja o principal fator dessa desconexão com o mundo e com a realidade
nas crianças?
—— Sim.
—— Sim.
—— Com toda
certeza.
—— A meu
ver, a Internet ligada ao confinamento da pandemia. Mas também tem pontos que
destacaram mais como o desinteresse pelos estudos que já vinha antes da
pandemia.
—— Simmm...
usá-la como um complemento, como uma ferramenta necessária a mais no ensino
aprendizagem...Que.
——
Certamente!
—— Sim.
—— Sim.
—— Tem
muitos pais que dão o celular na mão de uma criança para ela ficar quieta e
isso é um erro gravíssimo!
—— Claro.
—— Sim.
5- Que outros pontos você gostaria de colocar?
Fique à vontade.
—— Apoio da
família.
—— Vivemos
na contramão do correto se você for analisar, pais jovens e despreparados com a
autonomia da criança. O que acontece, apropriam-se da dureza que os pais
(antigos) tratavam seus filhos, e diz trazer mais liberdade à nova geração,
todavia, estes pais não foram lapidados, ficam nervosos com o agito da criança,
claro foram orientados com a nova base "influência digital". Com
isso, para terem o sossego almejado, dar a criança o celular, pronto tem duas
horas de paz, e uma nova geração de alfabetos funcionais. E a culpa será de
quem? Do governo? Da escola? Do professor?
—— Falta de
noção de limite do que é seu direito e desconsideração dos seus deveres.
—— Todos os
pontos são válidos.
——A falta de
uma participação mais ativa por parte dos Pais.
—— Que a
educação além de obrigatória e gratuita a todos ,Também é um investimento sob
qualquer aspecto ...
—— A
responsabilidade dos pais e ou responsáveis de estarem conversando mais com seu
filho(a) e verem o que estão aprendendo na escola.
—— A falta
da presença da família.
—— O excesso
de plataformas digitais na educação, principalmente do fundamental 2 e ensino
médio tem distanciado cada vez mais os alunos da realidade da educação.
—— Os alunos
precisam de mais vínculo com a escola e menos material digital.
—— A
obrigatoriedade do material digital nas escolas públicas é um verdadeiro
absurdo!
——
Plataformas digitais na educação brasileira é fora da realidade, os alunos
pouco escrevem.
—— Cada vez
mais o governo vai contra a educação presencial.
Você me
autoriza usar suas respostas para citar seu nome em meu novo artigo acadêmico e
livro sobre educação? Só colocarei exatamente o que você respondeu, sendo
imparcial quanto à sua resposta, se você autorizar eu colocarei suas respostas
e citarei seu nome, caso contrário eu não colocarei no meu trabalho acadêmico.
—— Sim.
—— Sim, se
estiver destro das expectativas do seu TCC.
—— Prefiro
não citar meu nome.
—— Autorizo.
—— Sim
Obrigada Professor. Conte sempre comigo!
—— Sim.
—— Sim!
—— Sim.
—— Sim.
—— Sim.
—— Sim.
Questionário
feito por Google Planilhas. Participantes, professores da rede pública
estadual:
edgarclebs@prof.educacao.sp.gov.br
miekoarashirogiovanna@gmail.com
ceciliaadasilva3@gmail.com (1)
marcelacamposdefreitas@gmail.com
andersonroliveira@prof.educacao.sp.gov.br
PESQUISA
POR ESTUDO EXPERIMENTAL
Na pesquisa
por estudo experimental foi analisada uma sala de 30 alunos do 4º ano do
fundamental I, com alunos de 9 a 10 anos, durante o período de 5 meses, com
cerca de 3 a 4 aulas semanais usando plataformas digitais e os outros dias
somente aulas presenciais sem o uso de plataformas digitais. As plataformas
usadas foram as fornecidas pelo Estado de São Paulo, sendo a plataforma de
matemática: Matific. E a de leitura e atividades de língua portuguesa: Elefante
Letrado.
O que foi constatado
é que o uso de plataformas é benéfico se e somente se forem utilizadas apenas
como recurso lúdico interativo, para uma complementação da aula presencial.
O uso da
plataforma Elefante Letrado oferece diversos livros infantis, onde o aluno lê
no notebook e também pode acessar fora da escola. Durante as aulas os alunos
leram em atividades individuais e outras atividades foi feita a leitura
compartilhada. Também foi usado o uso de Telão e projetor com a Plataforma
Elefante Letrado e a leitura compartilhada de livros infantis.
RELATÓRIO DE
LIVROS LIDOS. ELEFANTE LETRADO
Plataforma Digital de
Leitura: Elefante Letrado.
Livros Lidos: 326.
Em andamento: 2127.
Tempo de Leitura: 65
horas e 20 minutos.
30 estudantes.
RELATÓRIO DA
PLATAFORMA DE MATEMÁTICA. MATIFIC
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Exportado em: 11 ago 2024 |
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Atividades Únicas Concluídas |
Tempo gasto |
Pontuação média |
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18 |
5 h 40 min |
51% |
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0 |
- |
- |
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0 |
- |
- |
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2 |
24 min |
100% |
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1 |
2 min |
0% |
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2 |
14 min |
50% |
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0 |
- |
- |
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0 |
- |
- |
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1 |
3 min |
40% |
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0 |
- |
- |
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0 |
- |
- |
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2 |
14 min |
70% |
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4 |
22 min |
63% |
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0 |
- |
- |
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0 |
- |
- |
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1 |
18 min |
80% |
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0 |
- |
- |
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2 |
24 min |
5% |
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0 |
- |
- |
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0 |
- |
- |
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6 |
47 min |
57% |
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1 |
20 min |
0% |
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0 |
- |
- |
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3 |
18 min |
27% |
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4 |
29 min |
47% |
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3 |
29 min |
80% |
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0 |
- |
- |
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0 |
- |
- |
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1 |
26 min |
20% |
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12 |
47 min |
85% |
|
1 |
3 min |
20% |
No início do
ano a sala apresentava muita dificuldade em escrita e matemática. Praticamente
nenhum aluno sabia e nem conhecia tabuada, nem divisão. A maioria tinha
dificuldade em soma e subtração e muita falta de concentração.
Os alunos
foram separados em carteira individuais, restringindo as conversas em salas de
aula pelo professor e chamando a atenção dos dispersos frequentemente, além da
comunicação e reunião frequente com os pais, pedindo apoio, respeito e foco,
para poder dar disciplina e direcionamento para a sala.
Os alunos
conversadores foram separados e foi iniciado um trabalho de aulas interativas,
trabalhando na lousa com giz e no caderno das crianças. Foi feito um trabalho
de exercícios constantes, repetitivos e com um aumento gradual de dificuldades,
tanto em matemática, raciocínio lógico e em escrita, sintaxe básica em língua
portuguesa, com bastante exercícios de escrita, cópias, ditados, redações,
bilhetes e gêneros textuais.
Paralelamente
foi feito um trabalho de leitura com a plataforma Elefante Letrado.
Em língua
portuguesa foi muito trabalhada a parte escrita a lápis, mesclando a
criatividade de bilhetes, redações, construções de histórias, com gramática,
conjugações de verbos, sintaxe básica e bastantes cópias e depois leituras em
voz alta, sendo leitura individual e depois em grupo.
Como um
sistema didático, pedagógico e educacional bastante diretivo, metódico e
disciplinar, o uso de plataformas digitais uma vez por semana foi positivo e
ajudou a parte interativa da turma.
Os alunos
que são condicionados com aulas presenciais se cansam com os jogos de
matemática, achando-os monótonos, embora a plataforma acabe estimulando o
raciocínio lógico se e somente se for usada como um
complemento das aulas presenciais.
O resultado
é eu após 5 meses os alunos estão fazendo divisão na chave com algarismos de
até 6 dígitos no dividendo e até três dígitos no divisor, memorizaram a tabuada
até o dez e estão lendo e solucionando problemas com metro, litro, mililitros,
quilômetros, grama e quilograma. Além de ter alunos com 41 livros infantis
lidos na plataforma Elefante Letrado. O resultado das aulas presenciais,
didáticas, com carteiras separadas, com interatividade em horas determinadas e
com o complemento das plataformas foi positivo, mas é importante ressaltar que
as plataformas educacionais somente são positivas se forem usadas como
complemento das aulas presenciais.
ANÁLISES
SOBRE O MOMENTO ATUAL
É notório e
real que existe um movimento tecnocrata mundial de indução para o mercado
digital. Esse movimento acontece também na educação e são interesses que
envolvem a digitalização da educação, alinhada aos interesses internacionais e
nacionais. Pois isso gera uma economia diferente e alinhada com o chamado
globalismo, ou seja, a subordinação da economia global aos modos operantes dos
maiores influentes do Fórum Econômico Mundial, bem como à subordinação
econômica aos maiores bancos mundiais e à subordinação econômica e ideológica
aos maiores líderes e empresas influentes dominantes da ONU.
Os EUA e a
China expandiram imensamente o seu monopólio econômico após a pandemia.
Pandemia que foi recheada por diversos tipos de fraudes, tanto nacionais,
quanto internacionais. E que submeteram o mundo para um novo tipo de economia,
toda dependente das Big Techs, que por sua vez, respondem às políticas
econômicas, sociais e ideológicas da ONU, dos EUA e da China, num complexo jogo
de interesses, de revoluções culturais, econômicas, digitais e sociais.
É um
processo de massificação dos meios eletrônicos, tanto de eletrônicos
propriamente ditos, como celulares e produtos, como meios eletrônicos, que é um
comércio emergente.
Sabemos que
o MEC, além de todos os Estados e municípios gastaram quantidades enormes de
dinheiro com produtos da Google, como Google Classroom e outras plataformas. A
educação é um campo, uma oportunidade e um negócio para empresas como Microsoft
e Google, com plataformas.
Tudo isso se
junta ao vício eletrônico de crianças, jovens e adolescentes, que juntamente
com todo esse processo da Quarta e Quinta Revolução Industrial, a Revolução
Digital, vem a ser oportuno para que esse sistema tecnocrata introduza de
maneira negativa os chamados de jogos “eletrônicos” e “games educativos” para o
mercado da educação, de modo a introduzir de maneira oportuna uma série de
plataformas para todas as secretarias de educação do Brasil e para o MEC, como
sendo um produto “benéfico e educacional”.
Esse é um
grande problema e as grandes indústrias estão de olho nesse problema, se
aproveitando disso e colocando como uma pseudo
solução os chamados “jogos educacionais”, com o intuito de vender seus
produtos para o mercado educacional e manter um monopólio comercial perante a
máquina estatal.
Isso
acontece claramente com o atual governo do Estado de São Paulo, onde a
secretaria da educação está obrigando a rede pública e os professores a usarem
as plataformas digitais em toda a educação básica. As redações do ensino
fundamental 2 e ensino médio já estão sendo corrigidas por IA e os alunos do
fundamental 2 e ensino médio pouco tem de aulas, pois as aulas são
majoritariamente em plataformas digitais, onde os alunos se distanciam da
educação real. Isso está acontecendo em português, inglês, matemática,
geografia, ciência e todas as disciplinas.
A Secretaria
da Educação do Estado de São Paulo adquiriu a plataforma Matific em um contrato
que, segundo informações divulgadas em 2021, teve um valor aproximado de R$
69,9 milhões. E os alunos se quiserem jogar fora da rede estadual precisam
pagar e comprar a plataforma.
É uma
plataforma viciante e pouco educativa, pois para a criança aprender matemática
é necessário que a criança aprenda a pensar e no jogo tudo é muito intuitivo,
ou seja, a criança “chuta” até acertar e não raciocina necessariamente.
CONCLUSÃO
O maior
argumento do Estado para a flexibilização do EAD na educação básica é de que a
educação não chega no campo e não chega em lugares distantes e que, por isso,
deveria se sanar essa falha do Estado com a educação EAD na educação básica. Sabemos
que essa flexibilização tem outra intenções, que é a mudança gradual da
legislação, para a implementação legal do EAD na educação infantil e na
educação básica, o que já está ocorrendo com o
PL 2497/2021 aprovada agora e com a lei 14.533/2023 sancionada pelo
atual presidente.
Se a
educação e as escolas físicas não chegam no campo e em lugares distantes do
país é simplesmente e puramente por uma omissão do Estado. Não podemos permitir
que se desfigura a Constituição de 1988, que exige que a educação é dever do
Estado, simplesmente desfigurando o que seja educação e colocando como educação
o EAD na educação báscia. Isso é um absurdo!
Se a educação
e as escolas não chegam em determinados lugares do país é porque o Estado é
ineficiente. Não podemos permitir que o Estado Brasileiro e seus governantes
driblem o dever da educação e da escola, que é dever do Estado e da família.
Além de tudo
isso, interesses das grandes corporações não podem se sobrepor na construção da
educação do povo brasileiro e de país como o Brasil. É necessário que os
governos brasileiros não cedam a esses interesses. Para isso é necessário que
os profissionais da educação mantenham posturas firmes em relação aos
princípios técnicos, éticos, morais e históricos da construção e da história da
educação, para cobrarem uma postura governamental mais alinhada com a educação
e menos alinhada com interesses obscuros. Não podemos deixar que governos
sucateiem a educação e entreguem a construção educacional de um povo e de uma
nação nas mãos de interesses de monopólio tecnológico. Também não podemos
permitir que todo esse movimento já estruturado para forçar a desconstrução da
escola e da figura do professor ganhe ainda mais força.
Percebemos
esse movimento governamental em vários setores, como no setor universitário,
onde existe uma espécie de “mantram” dizendo que a solução da educação no país
seja o EAD e que a “melhoria” da educação estaria nas plataformas chamadas
“educacionais”.
Todo esse movimento faz
com que seja forçada uma demanda de trabalhos em universidades que façam
apologias de pseudos benefícios da educação EAD e do uso de tecnologias
digitais para a educação básica. Os profissionais de educação e toda classe
pedagógica precisam ficar atentos, pois é interesse dos governos terem uma
série de argumentos para a implementação majoritária da educação EAD e de
plataformas educacionais na educação básica, pois isso, além de baratear os
serviços governamentais com educação à longo prazo, faz com que exista um
monopólio ideológico governamental. Pois, a partir do momento que todo material
didático se torna controlado pelo Estado, esse material deixa de ter o vínculo
com o livre pensar e com os princípios democráticos, que são as pluradidades de
ideias dos alunos e professores e do contato real de troca de ideias, o que é
muito perigoso para um povo e para uma nação.
É claro que existem
benefícios na educação EAD e no uso de ferramentas digitais na educação, mas
isso tem que ser dosado. Esse uso na educação básica precisa ser muito bem
dosado, no sentido de ser apenas uma educação digital, o que é positivo, mas
nunca uma sobreposição à escola física e jamais uma sobreposição à sala de aula
física e à figura do professor em sala de aula.
O uso da
internet e meios eletrônicos na educação é uma realidade e só pode ser benéfica
se for usada apenas e tão somente apenas como mais uma ferramenta para a
educação e jamais como prioridade.
A Lei nº
14.533, de 11 de janeiro de 2023 de Lula da Silva altera a LDB/96 e coloca a
educação digital como prioridade para a educação básica, o que é um erro, pois
a prioridade da educação básica deve ser a prática de escrita, o pensamento
lógico e a matemática.
A Lei 14.533
está redigida de maneira artificial, superficial e equivocada, pois colocada da
forma que está, ela obriga o uso de plataformas digitais educacionais, podendo
inclusive substituir o professor por plataformas digitais, o que já é uma
realidade da prática pedagógica do Estado de São Paulo, do Estado do Paraná e
de outros Estados da Federação, principalmente no fundamental 2 e no ensino
médio, onde na prática, a obrigatoriedade das plataformas retiraram o trabalho
de sala de aula do professor.
Existem
interesses tanto de grupos e de empresas nacionais quanto internacionais,
querendo a “fatia desse bolo” do mercado da educação e isso está se sobrepondo
às qualidades básicas da educação básica, que na prática deveriam ser a escrita
física e o raciocínio lógico, além das atividades socioemocionais da criança em
sala de aula e a vida da criança dentro da escola. A obrigatoriedade do uso
plataformas na educação já é uma realidade e estão tirando os estudantes da
sala de aula, para colocá-los em um mundo virtual, que sabemos que as intenções
são a princípio, fundir a educação presencial com a EAD, a chamada educação
híbrida e depois passar tudo para o EAD. Só não fizeram isso ainda, porque a
legislação ainda não permite, mas já estão flexibilizando toda a legislação.
.
O que
precisamos é despertar a consciência dos profissionais da educação, pois nada
substitui o professor e a escola física, com atividades sociais, comunicação
real e principalmente a escrita física, que desenvolve várias propriedades do
cérebro, além de físicas, como a coordenação motora. Os estudos nesse trabalho
provam que a escrita física desenvolve habilidades psicomotoras, coordenação
motora, percepção, além de desenvolver o cérebro e faculdades mentais e
emocionais. O que a educação digital não desenvolve, pois tudo é muito
artificial, onde o aluno pode simplesmente errar até acertar, sem entender o
que está fazendo e sem entender a matéria. Além de todo esse problema, existe a
interação das perguntas ao professor, das perguntas de um aluno com o outro,
pois o ser humano é vivo e não é um androide.
“A internet é uma ferramenta e devemos usá-la
e não ser usados por ela”. (Datti, 2021).
A análise
aponta uma preocupante falta de senso crítico nas universidades e na produção
acadêmica. Os trabalhos de conclusão de curso (TCC), bem como as dissertações e
teses, muitas vezes refletem interesses financeiros que visam consolidar o
monopólio do discurso. Essa tendência é observada em diversas áreas do
conhecimento.
A
digitalização de tudo é sim um perigo e se não for dosada, pode ser
extremamente nociva.
Vimos as
crianças voltarem para as escolas sem ter a mínima noção de convivência,
algumas com problemas sérios psicológicos e de comunicação e algumas que nem
tiraram suas máscaras até agora. Isso não pode ser considerado “normal e
educativo”.
Nós,
profissionais da educação, precisamos ter consciência e introduzir no discurso
a crítica à educação digital e principalmente às plataformas chamadas de
“educacionais”.
Plataformas
digitais como um recurso, tudo bem, como uma educação digital, tudo bem, mas como
princípio, jamais!
A solução é
o uso da internet apenas como ferramenta para a educação. A prioridade da
educação deve ser presencial e o predomínio da escrita física, por vários
motivos de desenvolvimento cognitivo, perceptivo, cerebral, mental, além de
diversos elementos formativos do desenvolvimento humano que a escrita física
desenvolve e promove.
A solução é
o uso da internet apenas como ferramenta para a educação e a prioridade da
educação presencial e da escrita física. Os estudos apontam que a internet
oriunda da revolução industrial é um fato e não tem retrocesso. A educação
digital é uma realidade e a revolução tecnológica digital está avançando
assustadoramente.
O homem
precisa se adaptar, porém, essa adaptação deve ser o menos nocivo e prejudicial
possível.
A pandemia
revelou que a defasagem escolar por falta da escrita física, por falta da
convivência escolar, por falta do contato das crianças com outras crianças, por
falta do contato com a escola física, pois tudo isso foi retirado. Isso provou
que o EAD e a educação digital podem ser complementos e devem fazer parte da
educação, mas jamais podemos perder o foco da educação presencial, da escrita
física, do contato humano, da escola física e presencial na educação básica.
Percebemos
que existem interesses econômicos internacionais e nacionais para fazer um
movimento favorável ao ensino híbrido e a predominância do ensino EAD, com o
sucateamento e barateamento dos custos de educação para o Estado.
Precisamos
lutar a favor da escola física, a favor da escrita física e manual e a favor do
convívio humano escolar.
A utilização
da internet e dos meios eletrônicos na educação é uma realidade inevitável. No
entanto, deve ser encarada como uma ferramenta auxiliar, e não como a
prioridade do processo educativo. A Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023,
que altera a LDB/96, erroneamente coloca a educação digital como foco principal
da educação básica.
Na verdade,
a prioridade deve ser o desenvolvimento da escrita, do pensamento lógico e da
matemática.
Essa
legislação, redigida de maneira superficial, pode levar à imposição do uso de
plataformas digitais educacionais, comprometendo o papel do professor em sala
de aula. Já observamos, em algumas regiões, como no Estado de São Paulo, no
Paraná e em outros estados, a substituição do ensino presencial por “soluções
digitais”, o que prejudica a qualidade da educação.
Interesses
de grupos e empresas, tanto nacionais quanto internacionais, estão se
sobrepondo às necessidades básicas da educação. A ênfase em plataformas
digitais, em vez de promover habilidades fundamentais como: a escrita física e
o raciocínio lógico, ao invés disso, essa imposição por plataformas na educação
acabam por afastar os estudantes da convivência real e das atividades
socioemocionais essenciais.
É crucial
despertar a consciência dos profissionais da educação e também dos alunos sobre
a importância do ensino presencial. A interação entre alunos e professores, o
desenvolvimento de habilidades psicomotoras e a compreensão real do conteúdo
são aspectos que a educação digital não pode proporcionar de forma adequada. A
escrita física, em particular, estimula diversas faculdades mentais e
emocionais, enquanto a aprendizagem digital tende a ser mais mecânica e
despersonalizada.
A
digitalização desenfreada pode ser prejudicial e, sem uma abordagem crítica,
corremos o risco de comprometer o desenvolvimento integral das crianças. A
pandemia expôs defasagens significativas na convivência e na comunicação,
evidenciando que a educação a distância deve ser um complemento e não um
substituto da experiência presencial.
Assim,
reiteramos que a solução passa pelo uso da internet como uma ferramenta
auxiliar, mantendo a prioridade na educação presencial e na prática da escrita
física. A adaptação à revolução digital deve ser feita de maneira que minimize
os danos ao desenvolvimento humano. Precisamos lutar para preservar o valor do
convívio humano, da escola física e da escrita manual, resistindo a pressões
que favoreçam a predominância do ensino a distância.
A educação
deve sempre priorizar o contato humano, a interação social, o convívio real e o
desenvolvimento de habilidades que só podem ser cultivadas em um ambiente
escolar tradicional. A luta pela educação de qualidade, centrada na escrita
física na educação básica e nas interações sociais, é fundamental para o futuro
das crianças, adolescentes e adultos, para a construção da verdadeira cidadania
e para a construção e liberdade de um povo, com os princípios éticos, morais,
sociais de uma verdadeira democracia.
Dener
José Datti
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GRAHAM , Richard. Diretor clínico na
Tavistock Clinic e na Good Thinking: London's Digital Mental Wellbeing
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